domingo, 29 de agosto de 2010

Mestre!

Hoje é uma data significativa para mim. Há quatro anos eu me tornava Mestre. Hoje é algo normal, mas quando entrei na universidade com 17 anos, ser mestre era algo quase inalcançável.

Meus professores eram mestres, os autores que eu lia eram mestres.


Em 1996, não havia ainda essa quantidade de doutores e doutorandos. Então, desde cedo eu me preparei pra fazer mestrado. Investi cada semestre da minha graduação em temas que poderiam ser úteis no mestrado; fui monitor (por um semestre); bolsista de extensão (por dois semestres) e bolsista de projeto de pesquisa (por quatro semestres). Além de trabalhar auxiliando pesquisas de outras pessoas. Fui construindo um currículo com publicações, participação em mini-cursos, congressos, etc.

Quando terminei a graduação, ainda com 21 anos, não me sentia preparado para fazer o mestrado. Mesmo ouvindo de vários colegas e professores que eu deveria fazer a seleção, não era a prova que me preocupava, era ser mestre. Então esperei. Fui trabalhar num grande projeto financiado pelo governo britânico, onde praticamente fiz outra graduação de tanto que aprendi. Lá pude publicar livro como primeiro autor e viajar para fazer pesquisa na Inglaterra.

Em 2003, me sentia pronto pra fazer o mestrado. Praticamente descartei tudo aquilo que havia aprendido e investi numa linha de pesquisa que eu nunca tinha trabalhado. Assim, eu faria algo que me desse prazer e seria realmente um desafio. Fiz a seleção, passei, entrei e iniciei um dos períodos mais difíceis da minha vida profissional. Não vou ficar fazendo longos comentários sobre os dois anos no programa de pós-graduação até porque hoje é um dia de celebração.

Mas nesses dois anos eu perdi meu orientador que faleceu por conta de um câncer; tive a minha bolsa suspensa por dois meses por erro dos outros; perdi quatro meses de prazo porque a minha turma precisava se ajustar aos prazos dos órgãos de fomento e tive um orientador que não demonstrou interesse em seguir com o trabalho. Porém, me concentrando nas coisas boas, tive um excelente co-orientador que acompanhou todo o trabalho e abriu portas para mim; fiz um trabalho inédito dentro da minha área (o que só pedem no doutorado) e tive a defesa mais tranqüila que vi até hoje. Quanto à defesa, estava lá um dos maiores pesquisadores de todos os tempos: Manuel Correia de Andrade!

Em 29 de agosto de 2006 eu defendia minha dissertação, dois meses depois colava grau.

Hoje percebo a pressão para fazer doutorado, esse dia ainda vai chegar... e até lá, eu ainda sou aquilo que sempre quis ser quando me tornei universitário: Mestre!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

E a imprensa?

As informações sobre o futebol chegam até as pessoas quase sempre pela imprensa. É lamentável, no entanto, que a imprensa brasileira, em geral, seja tão ruim! Quando digo ruim, aí incluo o despreparo dos profissionais, suas incoerências, seus conchavos, perseguições, revanchismo, etc.

Creio que a imprensa esportiva precisa trabalhar em duas frentes. A primeira diz respeito aos jogos e campeonatos, discutindo esquema tático, alternância de jogos, qualidade do jogador, jogadas ensaiadas, jogadas inesperadas, substituições, atuação do técnico, treinos, escalações desempenho dos árbitros, enfim, tudo aquilo que tem a ver com os jogos. A outra frente deveria trabalhar as questões políticas, sociais, econômicas, culturais e até religiosas que envolvem o futebol. A segunda frente é muito mais difícil.

Quando a gente lê jornais e revistas brasileiras, percebemos a péssima qualidade, em geral, dos textos sobre os jogos e, ainda pior, quando analisam os demais aspectos. A coisa melhora um pouco, na imprensa dita especializada.

Faço aqui uma ressalva que o Brasil possui EXCELENTES jornalistas. Daqueles que conseguem transitar em todos os níveis do esporte, investigando, informando e analisando. Uma pena que sejam tão poucos.

Eu tenho o privilégio de acompanhar futebol através dos canais ESPN e SporTV que possuem grande parte dos melhores profissionais do ramo no Brasil e, mesmo assim, estou insatisfeito.

sábado, 7 de agosto de 2010

Top 5 - Lojas de Discos

Adoro comprar discos! Toda cidade que visito, procuro algumas lojas e, infelizmente, percebo que hoje estão cada vez mais escassas. Pensando nisso, fiz uma lista das 5 lojas que mais marcaram a minha vida de comprador de discos. Essa lista não obedece nenhuma ordem

Amoeba Music

A maior loja de Discos do mundo (segundo a sua propaganda) foi a melhor coisa que eu vi em Los Angeles! Verdade, calçada da fama, Hollywood, Beverly Hills, Paramunt Studios, etc. Nada me causou tanto impacto como essa loja. E posso dizer isso tendo no currículo a Tower Records e HMV de Londres e a Galeria do Rock em São Paulo. Essa loja tem praticamente tudo que se procura e em grande quantidade! Novos e usados, CDs, DVDs, VHS, fica cassete, livros, revistas, lp’s e até 45 rotações! Além de semanalmente apresentar shows gratuitos... confesso que fiquei nervoso quando entrei nela... ainda pude conhecer suas duas filiais em San Francisco e Berkeley, mas nada se compara a Amoeba de Los Angeles!

Livraria Cultura

Esse ambiente foi uma das melhores aquisições de Recife. Parecia um sonho poder entrar numa loja que vendia CDs nacionais e importados. No mesmo local, era possível encontrar o disco regional que o artista cedia em consignação; o novo CD da novela das 9 e aquele disco importado de um artista que, aparentemente, só você e mais 3 pessoas no Brasil conhecem. Comprei muita coisa nessa Livraria, visitava-a semanalmente e, às vezes, mais de uma vez, cheguei a conhecer quase todos os vendedores! Foi a partir dela que incrementei muito a minha coleção. E. no mesmo ambiente, ainda se pode comprar DVD’s e livros! Minhas finanças foram abaladas...

Pop’s Discos


Uma loja pequena dentro de uma galeria discreta numa das ruas mais freqüentadas por músicos em São Paulo, a Av. Teodoro Sampaio. Eu a encontrei porque estava andando meio sem destino numa viagem em 2007. Costumo fazer isso sempre. Aquele amontoado de CDs cuidadosamente catalogados e armazenados com preços bem abaixo do normal parecia um presente para um comprador compulsivo (como eu). Comprei tanto na minha primeira vez que quase pago excesso de bagagem de São Paulo para Recife. Sempre que vou a São Paulo, é parada obrigatória.


Vinil Alternativo Discos

É uma das poucas lojas sobreviventes em Recife depois da proliferação dos downloads e pirataria. A Vinil, situada na Rua 7 de Setembro no centro de Recife, talvez seja a loja mais importante da minha coleção. Compro nela desde 1992 quando adquiri o meu exemplar em LP do Revolver (primeiro post desse blog). Lembro que ainda adolescente, eu mantinha uma conta em que podia comprar fiado! Algo impensável atualmente com as facilidades de cartões de crédito e a pilantragem de muita gente! Cerca de 15% do meu acervo foi comprado lá e ainda hoje a visito sempre que vou a Recife.

O Disco de Ouro

Mais uma das lojas remanescentes e tradicionais de Recife, situada também na Av. 7 de Setembro. Essa tem um impacto muito grande na minha adolescência. Sempre fui muito bem atendido pelo seu dono e a freqüentava mesmo sem comprar nada, apenas pra bater papo e conhecer fãs de discos. Gostava tanto do ambiente que em alguns momentos comprei cd´s mais caros só por estar ali.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Eu sei o que isso não é!


Eu não sou fã de esportes em geral, eu gosto mesmo é de futebol! Mas vez por outra vejo outros esportes, respeito e admiro todos. Creio que são mais importantes do que imaginamos na maioria das vezes.

Futebol são 11 conta 11 em campo, vôlei e basquete são 6 conta 6 em quadra, tênis 1 contra 1 ou 2 contra 2, ginástica olímpica ou atletismo todos contra todos. Enfim, cada esporte tem suas regras e peculiaridades. Mas mesmo com diferenças técnicas, táticas e emocionais, as disputas sempre começam iguais: empatadas! Cabe a cada time ou indivíduo traçar sua estratégia para tentar vencer o adversário e, claro, contar em alguns momentos com a sorte.

No mundo em que vivemos, os esportes são grandes negócios, movimentam milhões por mês e precisam de audiência para isso. Porém, fala-se muito em profissionalismo, comprometimento, dedicação, prazer em fazer o que gosta e, principalmente, talento por parte daqueles que o praticam. Normalmente, os melhores de cada categoria possuem essas características.

Os torcedores que assistem esportes sabem o que vão vivenciar. Experimentam alegria, tristeza, euforia, frustração, se comovem, ficam raivosos... Absolutamente normal! Os esportes servem para isso também, mas esses sentimentos precisam ser sinceros e provocados de maneira legitima.

Tudo isso não é novidade, faz parte do mundo dos esportes.


A Fórmula 1 não é um esporte!




domingo, 18 de julho de 2010

Paul McCartney fez o show da minha vida duas vezes












Falar de Paul McCartney é fácil, aliás, muito fácil. Ele foi um Beatle; ajudou a revolucionar a música nos anos 60; é o compositor mais bem sucedido da história; toca baixo, guitarra, violão, piano, teclado, bateria; pinta; compõe música erudita; lidera campanhas humanitárias; gravou com John Lennon, George Harrison, Ringo Starr, Stevie Wonder, Carl Perkins, Brian Wilson, Michael Jackson, Eric Clapton, Elvis Costello; já tocou em todos os continentes; é detentor do recorde de maior público pagante em um show... enfim... são mais de 50 anos de carreira bem vividos!

Sempre imaginei assistir um dos seus shows, tenho alguns amigos que já estiveram e sempre falam muito bem e acho que quando a gente deseja muito uma coisa, a gente consegue!

Então.... EU ESTIVE EM DOIS SHOWS DE PAUL MCCARTNEY EM 3 DIAS! E ainda tive o bônus de vê-lo tocando com Ringo Starr. Então são 3 vezes em 7 dias!

Impossível descrever o que se sente quando se assiste a um show do seu maior ídolo vivo (infelizmente George Harrison não está mais por aqui, é meu beatle preferido)

Paul toca por quase 3 horas com um fôlego impressionante pra quem tem 68 anos! Sabe exatamente o que fazer e dizer pra deixar uma platéia empolgada. Um show em San Francsco e outro em Salt Lake City, o primeiro em uma das cidades mais rock’n’roll que existe, o outro numa das cidades mais conservadoras. Os hippies e os mórmons! Paul se saiu bem com os dois...

Os repertórios foram praticamente idênticos e isso mostra a relevância da suas músicas já que os públicos eram bem distintos. Lá estavam clássicos dos Beatles como All My Loving, Day Tripper, Hey Jude, Let It Be, Yesterday, Blackbird, Back In The USSR... mas confesso que as músicas que mais me causaram impacto foram justamente as pós-beatles, aquelas da carreira solo como Letting Go, Live And Let Die, Ram On, Sing The Changes e Nineteen Hundred and Eghty Five! Homenagem a George com Something (que ele incorporou ao seu repertório desde o Concert for George em 2002) e a John Lennon com Here Today (a conversa que eles nunca tiveram) e A Day in The Life/Give Peace A Chance nos fazem pensar como seria o mundo com eles ainda presentes...

Tudo terminou, ficaram as fotos, as lembranças, os souvenires e, sobretudo, a vontade de ver outros shows!

Em outro momento vou postar aqui como foram as aventuras pra se estar presente nesses shows, por hora, fica o registro de um sonho realizado.

E no fim, o amor que você dá é igual ao que você recebe (Paul McCartney em 1969)

sábado, 10 de julho de 2010

Eu vi um Beatle, eu vi dois Beatles!

Eu amo a obra dos Beatles, quem me conhece, quase sempre compreende o seu impacto na minha vida. Posto isso, vamos à memorável noite de 7 de julho de 2010!

Cheguei no Radio City Hall e comecei a perceber que tudo era real. O letreiro (à moda antiga) anunciava Ringo Starr & The All Starr Band e as pessoas circulavam com camisas estampadas com imagens dos Beatles! Eu estava com minha grande amiga Cláudia Tapety, responsável pela minha ida.

Entrei no belíssimo Radio City Hall e procurei o meu lugar, sexta fileira à esquerda, bem perto do palco. Fiquei olhando e imaginando o que aconteceria em alguns minutos. A ansiedade era grande. Veria um dos meus ídolos tocando! Era a noite do aniversário de Ringo Starr.

20:00h e a banda começa a entrar no palco, a euforia toma conta do público, começa-se a ouvir o refrão “It don’t came easy, you know it don’t came easy” e entra um sorridente Ringo Starr no palco! O Radio City vibrava como se fosse algo vivo! Era um Beatle cantando!

Ao terminar a primeira música, eu grito para Cláudia (que estava duas fileiras à minha frente) ”mostra a tua faixa”. Pra nossa surpresa, Ringo leu o que estava escrito: “Ringo, I Love you, Happy Birthday, please, let me give you a presente” e depois ele disse ”Ok, now where is the gift?” e logo em seguida começou a cantar Honey Don’t! Pra quem saiu de Recife para Nova York pra ver o show era quase como um bônus...

O show prosseguiu com Ringo cantando clássicos dos Beatlles como "I Wanna Be Your Man" e "Yellow Submarine" e músicas da sua carreira solo como “The Other Side of Liverpool” e “Photograph”. Todas as suas apresentações eram intercaladas com os membros da sua banda que podem também cantar músicas de seus trabalhos anteriores. O destaque foi Gary Wright (que já gravou com George Harrison e o próprio Ringo) e todos os membros reverenciavam Ringo, principalmente em alusão aos seus 70 anos.

O show se encaminhava para o final quando antes da última música, entra a família de Ringo com um enorme bolo em forma de Bateria! Momento emocionante! Foi muito bom ver Ringo falando com os netos.

Em seguida, ele anuncia que vai cantar uma música e, que se a recepção não for boa, ele nunca mais a cantaria... o que vimos foi uma série de músicos e amigos de Ringo entrando no palco para cantar e tocar junto com ele... ali estavam Zak Starkey (seu filho que atualmente toca com o The Who), Jeff Lynne (amigo que ajudou a produzir a série Anthology e trabalhou com Paul McCartney, George Harrison, Bob Dylan e Roy Orbinson), Tom Petty e até Yoko Ono (devo dizer que essa presença não me agradou muito – antes do show tive a oportunidade de ficar a 1 metro dela). Todos cantaram "With A Little Help From My Friend".

Belíssima maneira se comemorar o aniversário, cercado pelos amigos e família e cantando ...”com uma pequena ajuda do meu amigo”...

O show terminou, as luzes se apagaram, a platéia estava excitadíssima e pedia pelo bis. Nesse momento fiquei imaginando como ele poderia fazer esse bis, cantaria "Octopu’s Garden", "Don’t Pass Me By" (da época dos Beatles) ou alguma da carreira solo?

E quem estava na frente viu quando um colocaram um baixo Höfner no palco! Um baixo Höfner! Marca registrada de Paul McCartney! Confesso que o coração disparou, fiquei nervoso, eu estava muito perto do palco... não havia nenhum anúncio de que Paul estaria no show (mesmo que houvesse um rumor)... e quando eu estava tentando me acalmar observando a reação da plateia (aqueles que estavam mais longe do palco não viram o baixo chegar), a banda começa a entrar novamente no palco... e vejo do meu lado direito aparecer PAUL MCCARTNEY!

Ele entra no palco, cumprimenta os músicos, saúda a platéia e a banda começa a tocar Birthday (música do Álbum Branco dos Beatles de 1968, que todo beatlemaniaco já ouviu em seu aniversário)... a platéia berrava, as pessoas saiam dos seus lugares, a segurança do local estava atônita porque não conseguia controlar tudo... eu me senti na beatlemania dos anos 60!!! Eu estava mais do que feliz... não sei qual a palavra que me descreveria naquele momento...

O show terminou e todos saíram! Fui ao encontro de Cláudia que estava gritando e chorando ao mesmo tempo, ficamos nos olhando, estávamos incrédulos sobre o que tínhamos presenciado. O Radio City lentamente se esvaziava, foi o mais próximo que se pode chegar de um show dos Beatles hoje, já que, infelizmente, não temos mais John Lennon e George Harrison.

Na saída, vimos um amontoado de pessoas que esperavam a banda sair do Radio City... Cláudia de maneira muito perspicaz localizou o carro de Paul McCartney (como ela sabia? Puro instinto – ela disse que ele sempre anda num carro daqueles – e dedução – a tampa do motor estava quente e Paul foi o último a chegar). Esperamos quase duas horas... mas valeu! Vimos a saída de Ringo e Paul. Cláudia inclusive conseguiu chegar bem perto de Paul e trocaram algumas palavras (que ela não lembra por estar muito nervosa...)

A quarta-feira 7 de julho de 2010 terminou. Mas a memória daquela noite seguirá para sempre... eu vi Ringo Starr no seu aniversário de 70 anos, eu vi Paul McCartney tocando com ele. Nada pode me tirar isso... a vida é feita também de lembranças... essa será uma das mais importantes para mim! Ainda bem!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Nova York, paranóia!

A Broadway é uma das principais vias de Manhatan. Sempre movimentada com carros, ônibus, pessoas e até animais circulando. Mas essa tarde estava vazia. Quando entrei, nela achei estranho e, logo em seguida, avistei 5 carros de bombeiros, uma linha de isolamento (daquelas que a gente vê em filme) e a mais adiante outros carros de bombeiros e um amontoado deles olhando uma bolsa.

Achei tudo aquilo muito estranho, mas fiquei observando ao lado de mais algumas pessoas curiosas. Um policial se aproximou e disse que provavelmente aquilo não era nada, mas seria bom a gente ir para longe. Todos desobedeceram, é claro.

Quando tudo terminou, fiquei sabendo que alguém deixou uma bolsa na rua e isso é um sinal forte de terrorismo!


Chamaram os bombeiros e chegaram uns cinqüenta, sem exagero. Se fosse uma bomba e explodisse, talvez o corpo de bombeiro ficasse bem desfalcado.
Enfim, não foi nada. Não sei o que continha a bolsa, mas certamente não era nada que colocasse em risco a vida de qualquer pessoa.

Vi um espetáculo! Desses que a gente não compra ingresso e nem sabe quando vai acontecer, mesmo que Nova York seja palco de atentados e tentativas e esteja sempre alerta.

Foi interessante ver a reação das pessoas e perceber a paranóia de uma cidade que luta pra viver feliz no seu consumismo, mas se depara com uma realidade incerta e inconveniente. Nova York tem seus encantos e, principalmente, vende muito bem os encantos que não tem.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Precisamos de “desenrolados enrolões”


Você não vai tirar 10,0 na sua monografia pra você saber que um trabalho precisa ser bem apresentado!

Foram essas as palavras da orientadora de um aluno após a avaliação do seu trabalho monográfico

Desde que comecei minha carreira docente que participo de bancas de monografia de graduação e pós-graduação. Li trabalhos bons, excelentes, fracos, inócuos e até possivelmente comprados (que nunca consegui comprovar). Sempre tentei contribuir com a melhoria de cada monografia que li, sempre tentei argüir o aluno para que ele pudesse expressar melhor o que escreveu ou tirar alguma dúvida; sempre tentei estipular uma nota que fosse coerente com os objetivos propostos e os resultados encontrados.

Para mim, a apresentação da monografia é um momento quase sempre tenso para o expositor e acho isso algo completamente normal. Há que se ter sensibilidade para entender que aqueles 20 minutos (tempo estipulado para cada defesa) em alguns casos são os mais angustiantes de uma carreira acadêmica ainda em formação. “Gagueiras”, “brancos” e choros são normais! Precisam ser entendidos dessa forma.

Essa semana estive na banca de um aluno brilhante, um pesquisador curioso e arguto, um redator talentoso e desprovido de preguiça. Mas esse aluno tem um grave defeito, ele é tímido! Sua monografia de graduação apresenta 85 páginas de uma discussão aprofundada, coerente e relevante. Mas ele é tímido.

Na sua tensão ele não expressou-se bem na apresentação e, mesmo tendo sido excelente em todas as respostas dadas à banca examinadora, não obteve o merecido 10,0!

Ele foi tímido!

Vejo freqüentemente pesquisadores renomados que se apresentam mal em público, não por timidez, mas por preguiça. Vejo trabalhos irrelevantes sendo premiados com 10,0! Não há uma coerência na vida acadêmica.

Essa semana vi uma carreira que pode ser brilhante sendo punida pela timidez. Prefiro os tímidos competentes aos “desenrolados enrolões”!


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Uma obra através do universo!



Esse não é um blog sobre os Beatles, por isso vou fazer o possível para esse não ser um post sobre eles!

Recentemente entrei na era do Blu-Ray (mídia que venceu a guerra contra o DH-DVD pela sucessão do DVD) e minha primeira aquisição foi o filme Across The Universe.

Os musicais estão em baixa na produção cinematográfica há alguns anos, diferente dos tempos em que Gene Kelly, Doris Day, Frank Sinatra e tantos nomes estrelavam obras-primas do gênero. Porém, alguns cineastas ainda se arriscam no gênero e vez por outra filmes como Moulin Rouge e Chicago aparecem.

A simplicidade e a complexidade podem andar juntas e quando isso acontece, normalmente nos surpreendemos. É simples apreciar a música dos Beatles, ouvir suas melodias e gostar das suas letras. Mas é complexo produzir novas versões, mexer no “sagrado” para os fãs mais ardorosos. O próprio George Martin (produtor da banda e considerado o quinto Beatle) foi criticado pelas mexidas que fez no Yellow Submarine Songtrack e Beatles Love.

Então o que dizer de um musical do século XXI cantado e tocado por jovens atores e músicos que contam uma história toda criada a partir e através das letras das músicas dos Beatles?

O resultado é perigoso, mas é genial!

O filme Across The Universe pega o espectador e o leva para além do que se imagina... o roteiro trata do inglês Jude que chega aos EUA durante os anos 60 e se envolve com a estadunidense Lucy. Além disso, fazem parte da trama Max, Jo-Jo, Prudence e Sadie (todos nomes de personagens de músicas dos Beatles). A história usa as angústias e o rápido amadurecimento de pessoas que a princípio só queriam curtir a vida, mas são colocadas em situações que pedem um posicionamento, seja na vida afetiva, relacionamento com amigos, drogas, política, lugares e experiências... tudo isso ao som de versões bem criativas de várias canções de todas as fases dos Beatles. O filme conta ainda com a participação de Bono Vox como Dr. Robert, Salma Hayek como uma enfermeira em Hapinness Is a Warm Gun e Joe Cocker cantando Come Together!

Não quero dar mais detalhes sobre a obra porque cada pessoas precisa experimentá-la à sua maneira e quanto menos se sabe, acredite, nesse caso é melhor!

Algumas idéias parecem óbvias, mas nunca são produzidas, o Across The Universe foi.

Across The Universe. Dirigido por Julie Taymor. Elenco: Jim Sturgess; Evan Rachel Wood; Joe Anderson; Dana Fuchs; Martin Luther McCoy; T. V. Carpio; Bono; Eddie Izzard; Salma Hayek e Joe Cocker. Estados Unidos e Inglaterra, 2007. 133 min.

sábado, 12 de junho de 2010

Pelo "direito" de não fumar maconha!


Eu nunca fumei maconha!



É verdade! Porém quando afirmo isso em algum lugar, percebo olhares de desconfiança. Talvez aconteça por ser praticamente impossível uma pessoas de 32 anos nunca ter provado.

Tive todas as oportunidades pra consumir a famosa Cannabis: cresci num bairro suburbano de Olinda; passei boa parte da minha adolescência morando próximo a uma área conhecida como “maconhão”; desde cedo ouvi bandas que tinham uma forte ligação com a maconha (Led Zeppelin, Pink Floyd, Jimi Hendrix e Janis Joplin); costumava freqüentar bares recifenses em que o ato de “puxar um” era rotineiro; freqüentei a Universidade em um curso com grande número de colegas que fumavam (Geografia) e sempre tive amigos que fumam abertamente, mas nunca me chamou atenção.

Eu não tenho motivos pra mentir sobre isso, vivo numa democracia que permite que pessoas com grande apelo popular (principalmente com os mais jovens) preguem a liberação e o consumo livre da erva.

Mas às vezes me sinto como um adolescente virgem que é apontado pelos outros “ele nunca transou, hahahaha”. Eu não sou mais virgem, isso é verdade, mas nunca fumei maconha.

Me sinto diferente, confesso que gosto!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Futebol? Aconteceu tarde...


"Eu me apaixonei pelo futebol como mais tarde viria a me apaixonar pelas mulheres: súbita, inexplicável, incriticavelmente, sem pensar na dor ou nas perturbações que isso me traria."

Esse texto não é meu, é a abertura do livro autobiográfico de Nicky Hornby, Febre de Bola.

Quase todos os homens que gostam de futebol e mulher se identificam com essa afirmação. Eu não consigo lembrar exatamente quando comecei a gostar de futebol, também não lembro muita coisa da primeira vez que fui a campo e nem quantas partidas assisti pela TV (nunca gostei de transmissão por rádio).

Gosto de ver, discutir, ler, sofrer e entender futebol! Adoro futebol! Fico indignado com quem tem preconceito com futebol, principalmente os que se dizem intelectuais.

Vejo acadêmicos discutindo sobre dança como expressão do ser, pintura rupestre, cinema iraniano, barbatana de peixe, cruzamento de pato, teoria malthusiana, livro de Paulo Coelho, porém quando alguém comenta sobre futebol é quase sempre a mesma coisa: “Esporte de massa que serve para dopar a população e fazê-los esquecer o quão miserável é sua vida”. Conversa fiada, o futebol talvez seja a única maneira de parar guerras, unificar diálogos, estabelecer um ponto em comum e isso ainda é pouco explorado! Estamos começando uma Copa do Mundo, evento de apenas um esporte que causa mais impacto que as Olimpíadas!

Haverá o dia em que o futebol será mais respeitado, não pela paixão que desperta (como a paixão pelas mulheres), mas pela importância social que exerce e espero ansioso pra dizer “isso já aconteceu tarde”!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O Revolver Mudou Minha Vida


Posso dizer que existe uma vida antes e depois do Revolver.


Eu já conhecia Beatles, claro! Help foi a música que marcou uma parte da minha infância, despertando meu interesse não apenas como apreciador, mas como um fã de música. A partir de Help eu comecei a buscar música e não apenas esperar que ela viesse até mim através do rádio ou TV, o que era de costume para a grande maioria das pessoas.


Em 1993 eu estudava num colégio no centro de Recife que ficava a cerca de 200 m de uma famosa loja de discos que misturava coisas novas com raridades (uma das poucas do gênero que ainda hoje existe). Era um oásis para colecionadores naquela época.


Fiquei durante três semanas visitando a loja, apreciando aquele amontoado de Lp´s, camisas e VHS, cd ainda era algo apenas para quem tinha muito dinheiro. Numa tarde de terça-feira fui lá para comprar o meu primeiro LP! De certa forma eu estava orgulhoso, saí de casa na certeza de comprar um disco!!! Havia juntado três semanas de mesada!


Eu não sei exatamente o porquê, mas naquele dia eu larguei mais cedo, fui até a loja e me direcionei à prateleira que continha os discos dos anos 60, lá estavam os lp´s dos Beatles entre outros nomes como Elvis, Rolling Stones, Credence Clearwater Revival e The Mamas & The Papas. Como eu já conhecia alguns discos dos Beatles, decidi comprar aquele que me pareceria mais desconhecido.


Olhei aquela capa em preto-e-branco com uma colagem de fotos misturadas a 4 desenhos que representavam John, Paul, George e Ringo. Eu conhecia apenas duas músicas: Yellow Submarine e Eleanor Rigby. Comprei o Revolver, paguei exatamente Czr. 14.000,00. Peguei o ônibus com aquele monte de gente subindo quase ao mesmo tempo enquanto eu tentava proteger o vinil para que não amassasse ou quebrasse.


Cheguei e fui logo colocando o bolachão pra tocar. O que aconteceu em seguida foi algo que eu simplesmente não consigo descrever.


Uma voz fazia uma contagem “one, two, three, four” e entrava uma batida de guitarra com uma voz firme e logo em seguida uma bateria seca e marcante e depois um backing vocal. As lembranças são bem fragmentadas, mas me recordo de uns acordes de um instrumento para mim totalmente estranho (Love You Too), um riff de guitarra totalmente desconcertante (She Said She Said), um naipe de metais (Got to Get You Into My Life), uma voz que parecia lamentar algo (For No One), uma música que parecia vir de longe e se materializar (I Want To Tell You) e, por fim, uma coisa tão estranha e fascinante que até hoje me faltam palavras pra descrever (Tomorrow Never Knows).


Lembro claramente da minha reação, eu ficava no terraço me perguntando o que é isso? Que banda é essa? Que instrumento é esse? Quem canta isso? Me parecia que essa não era a banda que eu já conhecia há alguns anos.


A partir daquele momento, despertei um interesse em conhecer música, buscar coisas novas (mesmo que sejam antigas), de descobrir novos sons, melodias, vozes, arranjos. De certa forma, aquela tarde e o Revolver moldaram minha personalidade. Creio que até hoje procuro aquela sensação, cheguei perto algumas vezes, mas nenhuma com tanta intensidade. Se hoje eu tenho o costume de “garimpar” cd´s e dvd´s em todas as lojas e cidades que visito, de ter a coleção que tenho, isso aconteceu graças ao Revolver e aos Beatles e aquela tarde de 1993.


O Revolver mudou minha vida!

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