sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Billie Holiday, a Loira e Eu

Sabe dessas noites que a gente acha que não vai dar em nada? Que vamos apenas esperar o tempo passar e dormir? Pois é... estava eu sozinho em casa, nada pra fazer, nem os vizinhos que sempre aperreio estavam lá...

Mas aí apareceu a loira e, inesperadamente, me convidou pra passar a noite com ela. Não era qualquer loira, dessas que a gente vê, genericamente, por aí, era a loira Original. Aceitei, claro!

Acompanhando a loira, veio a voz da negra. Não era qualquer negra, dessas falsas que a gente escuta por aí, era Billie Holiday!

Noite inesquecível... Billie Holiday cantou pra gente e nós interagimos até o amanhecer...

Que loira! Que negra!

domingo, 4 de setembro de 2011

Deixe a Liberdade Cantar!



Que a música é importante, creio que ninguém discorda. Mas que ainda não temos estudos que entendam sua profundidade e importância na cultura mundial é fato.
Alguns livros e documentários tentam suprir essa lacuna. Venho lendo algumas coisas bem interessante, mas percebo que os documentários causam impactos maiores.
Recentemente, finalizei a série The Blues, produzida por Martin Scorcese e fui tentando, aos poucos, aprofundar meu pouco conhecimento no Blues, Jazz e Soul. Assim, nomes que eu pouco conhecia como B.B. King, Muddy Waters, Billie Holliday, Miles Davis, Stevie Wonder e Marvin Gaye têm feito parte do meu cotidiano.
A partir disso, venho tentando entender os contextos e influências dos estilos oriundos das comunidades negras norte-americanas. Foi com esse pensamento que assisti o excelente “Cantando a Liberdade” de Jon Goodman, documentário que nem sabia da existência até hoje.
Com depoimentos de músicos, políticos, escritores, produtores e compositores que participaram direta ou indiretamente da música negra, Let Freedom Sing (original em inglês) teve o foco em como os negros usaram a música para contar sua própria história desde o século XIX até a eleição de Barack Obama, passando pelos anos 30 e 40; a chegada ao rádio; como influenciaram o rock´n´roll; a gravadora Motown e o hip-hop. Uma viagem musical como nunca vi antes!
Terminei, e logo fui pesquisar sobre ele na Internet, claro. Para minha surpresa, não há edição brasileira em DVD, resta apenas a importada. Mas vale à pena. Preciso ter esse documentário na minha coleção.
A viagem pelo Blues, Jazz e Soul só tem me trazido gratas surpresas e informações preciosas para entender um pouco do Século XX e é muito bom saber que posso fazer isso pela música.  

domingo, 28 de agosto de 2011

Livre arbítrio é no Google!

“E vocês não estão dançando, né? Mas eu entendo... todo mundo tem livre arbítrio... depois vocês pesquisam no Google o que quer dizer livre arbítrio”.

Foram com essas palavras que o ex-Replicantes, Wander Wildner, encerrou a minha participação no Festival Raiz & Remix em Petrolina.

Bem que poderia ter terminado de uma maneira mais agradável, afinal, eu estava ali pra ver o show dele e aguentei um monte de coisa que não me atraem muito.

Mas é assim... Espero que nos próximos shows ele encontre a platéia que deseja e caso não aconteça, que tenha educação e respeito pelos presentes. Afinal, o show dele nem bom estava...

Better luck next time!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Esperando George Harrison!

Eu já comentei aqui que George Harrison é meu Beatle preferido. Tudo começou quando ouvi o Revolver pela primeira vez e as suas músicas realmente tiveram um impacto bem maior que as de Paul ou John naquele disco.
Quando ele morreu, eu realmente senti como se fosse alguém da minha família... Bom, pelo menos eu tinha um carinho muito grande pelo músico que ele foi e quanto mais eu conhecia da sua vida, mais o admirava... Saber que alguém assim morreu causa impacto...
Fiquei muito feliz quando soube que Martin Scorcese assumiu a direção de um documentário sobre ele, afinal, depois do belíssimo trabalho em No Direction Home falando sobre Bob Dylan, só poderia esperar o melhor...
Ontem foi divulgado o primeiro trailer... Fantástico, belíssimo, emocionante... A ansiedade só aumentou...
Esperando Living In The Material World


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A sinceridade em Vida! Uma aula de Keith Richards


Tem gente que confunde sinceridade com crueldade. Algumas vezes dizem “verdades” e se orgulham disso usando sempre “desculpe, mas prefiro ser sincero”. Eu não gosto dessa prática.

Para mim, ficou ainda mais claro entender essa diferença ao ler a biografia de Keith Richards, “Vida”. Contada em primeira pessoa, mas com a ajuda do escritor James Fox. Keith narra sua vida com uma riqueza de detalhes impressionante e tudo de maneira muito objetiva, natural e sincera.

A vida com seus quatro filhos, tendo o mais velho cuidado dele em vários momentos de uso de drogas; seu relacionamento conturbado com Mick Jagger; o casamento com Anita Pallenberg; seu processo de composição, as inseguranças como músico e vocalista; as desilusões; Gram Parsons e Bobby Keys, seus melhores amigos e, principalmente, o seu envolvimento com as drogas. Aliás, ele fala mais de drogas do que de música.

Não é uma biografia dos Rolling Stones, quem for esperar por isso ficará frustrado. Em vários momentos, ele nem fala da banda. A biografia faz jus ao título. É a VIDA dele mesmo.

Do menino de classe média de Dartford até o senhor que gosta de cozinhar em Connecticut, nos, Keef (como também é chamado) apresenta uma biografia excelente.

Aqui vai uma pequena lista do que ele apresenta:


Drogou-se de 1964 até os anos 90, o pior vício foi de heroína que largou em 1982.

É dele Ruby Tuesday, Angie, Satisfaction e Start Me Up!

Não gostava de transar com uma mulher sem ter um envolvimento afetivo.

Ama Mick Jagger, mas não entende seu comportamento e ainda diz que ele é muito inseguro, trabalhador, talentoso e tem o pinto pequeno.

Não tem lá muita consideração a Bill Wyman e Mick Taylor e admira muito Ronnie Wood e Charlie Watts.

A sua segunda banda, X-Pensive Winos é quase tão importante para ele como os Stones.

Conheceu música com o avô Gus que dizia pra ele não ouvir música. E escutava música através de uma rádio pirata.

Vida é uma biografia mesmo, não esses caça-níqueis que colocam no mercado. É pra ler suas 672 páginas e ter em casa!


terça-feira, 2 de agosto de 2011

A "rivalidade" dos anos 60 com cara de século XXI


Algumas idéias são tão óbvias e mesmo assim não acontecem. Já tinha dito isso antes quando me referia ao Across The Universe e um dos temas mais discutidos quando se fala do rock dos anos 60, é a rivalidade entre Beatles e Rolling Stones.

O tema é onipresente nos textos que tratam de qualquer uma das bandas como em revistas, jornais, documentários, debates, enfim... Mas não existia um livro para tratar exclusivamente do assunto. Eis que essa lacuna é preenchida com “The Beatles Vs The Rolling Stones – A Grande Rivalidade do Rock’n’Roll” de Jim Derogatis e Greg Kot.

O livro é primoroso nas mais de 190 páginas de imagens, quase todas em cores com excelente qualidade, além de muita informação. É um convite para o deleite dos fãs, sejam mais recentes ou die hard e ainda atendem os curiosos. O primor começa com a capa dura e uma imagem em 3D em que os Beatles se transformam em Stones dependendo do ângulo que você vê.

Mas nem tudo é perfeito, como a premissa ou o pretexto do livro é a rivalidade entre as bandas, algo que todos os membros já desmentiram, o texto parece forçado e quase sempre faz comparações equivocadas.

Os capítulos são:

1 – Criando Mitos – como a imagem de cada banda foi construída com suas influências musicais e trabalho dos empresários – na minha opinião o melhor capítulo.

2 – O cantor, não a canção – uma comparação entre Mick Jagger, John Lennon e Paul McCartney como vocalistas – advinha quem perde feio? Pobre Mick...

3 – Nada é real – a psicodelia de cada banda.

4 – Eu sou o cara da guitarra – mais uma comparação, dessa vez entre George Harrison, John Lennon, Keith Richards, Brian Jones e Mick Taylor! Putz... Se eu fosse músico, certamente detestaria esse capítulo de tão superficial que é.

5 – Os alguns duplos – imaginem comparar o Exile On Main St com o Álbum Branco? Os discos são tão diferentes que é impossível traçar um paralelo que não seja apenas... serem discos duplos!

6 – Entendo as bases – compara Paul McCartney a Bill Wyman como baixistas, advinha quem perde? Pobre Bill...

7 – Palmas para o baterista – mais uma comparação, dessa vez entre Ringo Starr e Charlie Watts – acho que a única que não fica forçada porque o estilo diferente de cada baterista, de certa forma, moldou o estilo das bandas.

8 – And in the end, the Love you make... Etc. Etc. – fala sobre como vivenciaram o fim dos anos 60, com os Beatles se desintegrando e os Stones se renovando. O segundo melhor capítulo.

A ideia é ótima, mas o que torna essas bandas ícones do rock não é o individual e sim o coletivo, isso foi pouco explorado. As comparações ficam mais para fãs em bate-papos do que jornalistas teoricamente conhecedores escrevendo um livro. No fim, os capítulos 1 e 8 se mostram interessantes, os demais são realmente desnecessários.

O trabalho gráfico compensa e torna o livro recomendável para quem gosta das bandas. Se você quer ter apenas um livro bonito em casa ou quer dar um presente legal, adquira esse. Acredito que, nesse contexto, o conteúdo dos textos é desnecessário. Afinal, o século XXI tem visto uma atenção maior ao visual do que ao conteúdo.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A Torcida e seu fetiche!


Domingo à tarde, 42.584 pessoas se juntam num estádio para ver um jogo de futebol e falar sobre as 42.584 pessoas!!!


Esse fenômeno não é mais novidade. O que se diz e se mostra sobre o amor da torcida do Santa Cruz pelo seu time é algo cada vez mais presente em todas as mídias.


O que me chama atenção é que o assunto “torcida” é mais frequente que o futebol da equipe. Creio que o jogo tenha até se transformado no pretexto pra se juntar todas as pessoas e ficarem olhando umas para outras se admirando. É um novo narcisismo! O "Eu" que se vê, na verdade é o outro, mas é como se todos fossem um ou uma, a torcida! A TORCIDA!


Ah... o jogo foi Santa Cruz 0 x 0 Guarani-CE, isso é importante. Afinal, Série D, time desconhecido e... vejam só... 42.584. A torcida não saiu de campo comemorando uma vitória, aliás, aplaudiu acertadamente o seu time, mas saiu comemorando mais uma vez o maior público do Brasil!


Parabéns a torcida do Santa Cruz! Parabéns para mim, fui um dos que agora descrevo...

terça-feira, 19 de julho de 2011

- Vôo 1388, tudo certo? - Bom, veja bem...

Chegando à sala de embarque, o vôo “Atrasado”, mas até aí tudo bem, fiquei lendo a biografia de Keith Richards que eu estava ainda na página 450... “Aeronave no pátio”, mais alguns momentos e embarca-se... “Embarque autorizado” apenas 50 minutos após o previsto, mas tudo bem, to me divertindo com o livro, estou na parte que ele explica como se livrou das drogas...

“Embarque finalizado”, “Tripulação preparar para decolagem” e... O avião se moveu um pouco, chegou à cabeceira da pista e... Nada... Depois de quase 10 minutos, vem a voz do comandante “prezados passageiros, solicitamos a compreensão de todos sobre o atraso que teremos em função de uma peça no nosso painel que não está funcionando bem, voltaremos para resolver o problema e, assim que possível, seguiremos nossa viagem”...

Na verdade foi como uma bomba...

Escutar isso em um avião dias após de um ter caído em Recife deixa qualquer um preocupado, principalmente o passageiro (Eu) que estava segundo para Recife. Mas mantive a calma, o mesmo não pode ser dito sobre uma mulher que logo começou a dizer que não queria mais seguir naquele avião... E outra que alegou que perderia a conexão para Goiânia... E mais um que tinha hora para chegar no Rio porque pegaria outro vôo, por outra companhia para Aracaju...

O avião pára, abre-se a porta, entra gente, sai gente... A mulher que não queria mais seguir começa a fazer mais barulho, a de Goiânia fica histérica e o de Aracaju fica andando pelos corredores contando sua história... Eu não tiro a razão de ninguém, mas como as pessoas são arrogantes quando estão num ambiente que, aparentemente, só as classes mais favorecidas frequentam... Patético!

Um dos funcionários entra no avião para explicar como são os procedimentos para casos como esse, explicando as regras da ANAC, mas só causa ainda mais indignação por parte dos três personagens...

Sai que não deveria viajar, as portas se fecham, “Tripulação preparar para decolagem” e, no caminho entre São Paulo e Rio de Janeiro, a mulher de Goiânia passou mal alegando falta de ar... Minutos depois, outra mulher, que nada tinha falado até o momento, começou a chorar compulsivamente e bem alto!!! Todos no avião aparentavam preocupação...

Que noite!!!

Chegando ao destino vou logo procurar a minha conexão, pois eu já estava atrasado... E quando chego ao portão... O vôo para Recife estava... “Atrasado”!

Ah... Preciso mencionar, o Aeroporto de Congonhas em São Paulo tem uma estrutura tão ruim que perde para a Rodoviária do Tietê na mesma cidade... O do Galeão, putz... Sem comentários de tão desconfortável... Cheguei em Recife, no aeroporto do acidente, duas horas após o previsto, tenso, com sono, vivo e aliviado.

O Brasil dá um show de incompetência aérea, das empresas, aeroportos, funcionários e passageiros...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

No Altas Horas!

Desde o Programa Livre que eu gosto e acompanho os programas de Serginho Groisman, então poder participar da gravação do Altas Horas foi uma possibilidade que eu nem pensei, aceitei de cara.

Chegamos no início da tarde e depois de ouvir várias vezes sobre o sistema de segurança e o padrão globo de qualidade, seguimos pro Estúdio 3, onde também gravam O Programa do Jô e o Faustão.


Mais um monte de instrução da produção e aparece, sem nenhuma cerimônia, um sorridente Serginho Groisman, batendo papo com as pessoas no auditório como se estivesse conversando com alguém no seu terraço. Reconheço que minha admiração por ele só cresceu depois da tarde do dia 07 de julho de 2011.



E os convidados?



Fernando Henrique Cardoso – discutindo sobre as drogas e, especificamente, a maconha – uma conversa aberta, mas um pouco vazia porque ele, quando era presidente, pouco fez além de reprimir o tráfico.


Lúcio Mauro Filho – uma simpatia desde o início, dedicou a maior parte do tempo a vender sua nova Peça de Teatro chamada “Clichê”.


Alex Átala – ex-punk e atual chef de cozinha de um dos dez melhores restaurantes do mundo. Era o menos conhecido, mas deu as melhores respostas.


Antonio Fagundes – talvez o mais festejado pela platéia, limitou-se a sorrir e responder de maneira politicamente correta o que lhe era perguntado.


Leandro Lehart – ex-Art Popular, foi a grande surpresa do programa (pelo menos pra mim), levando 28 músicos, transformou o estúdio num galpão de Escola de Samba, acho que foi o ponto alto da gravação.


RPM – reunidos pela enésima vez e parecendo tão forçado quanto as demais, conseguiu levantar a platéia mais jovem que pouco ou nada conhecia sobre eles e arrancar gritos das mulheres com mais de 30 anos.



Ainda tivemos a Laura Miller com as suas respostas sobre sexo com o ponto alto sobre a “transfusão de sexo”.



A Banda das Meninas foi o único ponto fraco, errando bastante... Mas acho que a beleza está acima da música, no caso delas...



Ah... e ainda teve o Seu Madruga, muito simpático, consegui tirar uma foto com ele, além de conversar bastante porque fiquei bem do seu lado...



Tudo é muito organizado, mesmo parecendo ser algo feito sem muitas exigências... Os funcionários recebem e tratam muito a platéia. Os produtores são um show a parte, atento a tudo o que acontece.



Enfim, foi uma tarde pra lembrar por muito tempo...



Ah, o programa vai ao ar na madrugada do dia 10 de julho!











quinta-feira, 30 de junho de 2011

Cosmópolis!

Acho que todo mundo tem uma cidade que gostaria de morar, mas que sabe que isso não vai acontecer por diversos motivos. Uma cidade que a gente se identifica e se sente bem.
No meu caso, creio que São Paulo seria essa cidade. Venho sempre por causa da família, mas me sinto, em alguns momentos, como se já fosse um residente.


Eu gosto da São Paulo de dia e de noite... Mercado Municipal, Ibirapuera, Av. Paulista, Galeria do Rock, Vale do Anhangabau, Vila Madalena, Memorial da América Latina, Estação da Luz, MASP... Nas lojas de discos e sebos de livros eu passo horas...



Eu acho muito bom estar numa cidade que nunca dorme, mesmo que ainda me surpreenda o trânsito infernal. Mas o melhor é ter praticamente tudo ao seu alcance. É ver a cultura do mundo todo aparecendo em cada esquina. Parece que São Paulo é bom, mesmo quando é ruim.

Como dizia o paulista Sérgio Britto: Entre prédios e avenidas, Pernas bocas coloridas, No chão onde você pisa, nesse carnaval, O tempo vira e não avisa, E é por você

Feriado nacional, Vida ainda e morte igual, Sol e chuva industrial,no Brasil, Param os carros no sinal, E é por você, e é por você, e é por você



Está escrito na sua testa - menina, Não tenho mesmo nada a perder, A cor da sua pele é que atesta - menina, A grama cresce e ninguém quer ver, Meu mundo sempre está pra nascer



Há um homem morto na calçada, Siga sem medo de nada, Pelo passo da mulata são tamborins, Na tevê a batucada, E é por você



Fogos artificiais, Tédio não me alcança mais, Nas manchetes dos jornais de amanhã, Pára o tempo e volta atrás, E é por você, e é por você, e é por você



Está escrito na sua testa - menina, Não tenho mesmo nada a perder, A cor da sua pele é que atesta - menina, A grama cresce e ninguém quer ver, Meu mundo sempre está pra nascer



Na maior capital, Sob o céu de concreto e o grito das buzinas, Na maior capital, Sob o aço do céu e o cheiro de gasolina, Na maior capital nordestina, Na maior capital nordestina,


Cosmópolis, necrópolis, Cosmópolis, necrópolis, São Paulo, São Paulo, São Paulo, São Paulo



São Paulo (Cosmópolis) - Sérgio Britto




quarta-feira, 22 de junho de 2011

Uma antiga cidade velha

Recife é uma cidade antiga quando comparamos às demais do Brasil, seus 474 anos comprovam isso. Mas hoje Recife está uma cidade velha.

Passei os últimos seis meses longe e, quando cheguei, me deparei com uma cidade com aspecto de lodo, lama e pinturas desgastadas pelas chuvas dos últimos meses. Mesmo os prédios novos que aquecem o absurdo mercado imobiliário parecem obras inacabadas há muito tempo.

A cidade que possui uma cultura referência no Brasil, hoje parece um local esquecido pelo tempo. Tire as pessoas da cidade e parece um cenário de filme pós-apocalíptico.

É uma pena, nunca vi a minha cidade natal assim.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Paul McCartney no Arruda!

Enquanto não acertam a vinda dele, vamos ao aniversário!!!

terça-feira, 7 de junho de 2011

1!

O nome veio de uma das minhas músicas preferidas de Chico Buarque e a imagem de fundo da minha bebida favorita. Mas a idéia surgiu da vontade de dizer um bocado de coisa e nem sempre ter o local pra colocar...

Hoje, após 51 postagens, o blog completa 1 ano!

Agradeço aos 29 seguidores e a todos que colocaram seus comentários ou apenas leram o que escrevi, bem como os colaboradores que gentilmente enviaram seus textos. Sou grato às pessoas que acessaram dos Estados Unidos, Holanda, Rússia, Alemanha, Canadá, Reino Unido, Dinamarca, Portugal e Angola... Mas, claro, a grande maioria do Brasil!!!

Não posso deixar de mencionar que o blog Jornália do Ed foi (e ainda é) de grande inspiração. Aliás, foi nesse blog que tive meu primeiro post publicado.

Vamos para o segundo ano!

Muito obrigado!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O que é sertão?

O sertão não é o Nordeste; esta é uma macrorregião definida politicamente a partir de critérios estabelecidos. O sertão não é o semiárido; esta é uma área com características próprias. O sertão não é um ecossistema ou um bioma. Não é a natureza que o define, mesmo que o homem precise, na maioria das vezes, se adaptar a ela.

E o que é sertão? O sertão é um conceito geográfico e para existir requer algumas condições.

O sertão não é um lugar definido e sim uma condição atribuída a diferentes lugares; não é uma materialidade da superfície terrestre, mas uma realidade simbólica construída com uma imagem à qual se associam valores culturais atribuídos historicamente; é um espaço qualificado para ser apropriado; uma área a ser colonizada e, por isso, não se caracteriza pela ação da sociedade sobre esse espaço.

O principio fundamental para a existência do sertão é a sua localização em oposição à outra. E, com isso, a criação de um espaço subordinado a ser conquistado (colonizado) e superado (modernizado).

O sertão pode ser visto como um espaço para a expansão capitalista, uma área de fundos territoriais e especulação fundiária; local de relações muito fortes e arraigadas entre o homem e a natureza; paisagem cinematográfica ou apenas uma região pobre e desconhecida.

Há algumas explicações sobre a origem da palavra sertão. Uma delas diz respeito a ser essa oriunda de “desertão” da aplicação original mato longe da costa, durante longo tempo aplicado a interiores. É importante observar que, quando pensada a palavra sertão (originada de desertão), reveste-se de um pseudossignificado.

Outra explicação diz que:


O termo mulcetão, de onde, naturalmente celtão e certão é corruptela, diz Frei Bernardo de Carnecatim, do puro angolado, mbunda ou simplesmente e classicamente bunda. Esse termo quer dizer propriamente mato e era empregado pela gente do interior da África Portuguesa. Tornou-se por isso designativo de mato longe da costa, como nas definições dos dicionários. Em seu sentido primeiro em língua bunda: “michitu, muchitu, muchitum; depois, mulcetão por influência lusa; afinal celtão e certão o interior das terras africanas coberto de mataria e nunca deserto grande. Essa origem falsa, à custa de ser apregoada, influiu na grafia da palavra, que passou a ser escrita com s (BARROSO, 1962, p. 12 apud RODRIGUES, 2004).

Com isso, podemos afirmar que o termo sertão já era usado pelo colonizador europeu mesmo antes da sua chegada ao Novo Mundo. A noção de sertão como lugar deserto ou longe da costa remete ao início da colonização.

Os primeiros séculos de colonização vão demonstrar um processo constante de entrada, domínio territorial e a partir da percepção do “desconhecido”, da “alteridade”, do “estrangeiro”, do “outro” que pressupõe a existência do “conhecido”, do “próprio”, do “pátrio”, do “eu” como ponto de referência (SILVA, 2010). É o início do sertão construído “de fora” para “dentro”.

O Brasil começa a pensar as estratégias geopolíticas de conhecer, ocupar, conectar e integrar o sertão ao litoral. O primeiro momento de ocupação do sertão, que dura desde as primeiras décadas de colonização até finais do século XVIII vai gerar uma série de ocupações no interior. A tendência em se ter os caminhos transformados em estradas e os pousos em vilas, criou toda uma ocupação peculiar, com uma cultura e uma identidade, que não era portuguesa e nem brasileira (litorânea).

Mas o projeto brasileiro de integração do sertão com o litoral procurou unir esses dois territórios a partir daquilo que os unificava, o idioma e a fé católica. A integração passou pela intensificação de um sistema de circulação e incorporação econômica, fato que contribuiu muito para o sertão ser visto como algo a ser superado.

Se, como afirma Andrade, o distanciamento criou, no sertão, uma civilização sui generis, o reencontro do sertão com o litoral trará fortes conflitos internos de grande repercussão, tal como A Guerra de Canudos e a tentativa frustrada da criação de um território alheio ao projeto de integração nacional.

Com a chegada do século XX e o aumento da facilidade de comunicação e locomoção, um “novo mundo” chega ao sertão ao mesmo tempo em que esse sertão também busca o mundo.O sertão não é mais um lugar regido pelo ambiente e sim uma construção social. Para cada sertão, uma identidade; para cada identidade, a necessidade de um estudo que procure se despojar dos conceitos pré-estabelecidos ou dos preconceitos. O sertão vem se tornando um objeto de estudo, e, sendo assim, um lugar de observação, síntese e análise de diversos estudos, que vêm crescendo, seja nas instituições de ensino ou em organizações não governamentais.

Na verdade, o sertão são os sertões, aquele que está na mente de cada um e desperta interesse de curiosos e estudiosos. Para além das obras clássicas de alguns autores, que contribuiu cada um, à sua maneira, para a criação e o estabelecimento de uma identidade sertaneja, cabe atualmente entender e refletir sobre essas identidades.

Trecho do livro "Simpatia - histórias, memórias e identidades no sertão" a ser lançado em agosto de 2011. Aguardem!

domingo, 22 de maio de 2011

Prazeres musicais 2!

Em tempos de compras online, quem gosta de adquirir aquela edição limitada, aquele disco com faixas extras, o box de “edições definitivas”... enfim, as pérolas que, infelizmente o mercado brasileiro quase nunca lança ou quando chega aqui são por preços impraticáveis, tem um alento!

Esse sábado, recebi uma encomenda que há mais de um mês havia feito... Eu estava esperando, mas confesso que foi uma surpresa acordar e dar de cara com aqueles dois boxes!!!

Led Zeppelin e Pink Floyd! Duas das minhas bandas preferidas em edição remasterizada e réplicas dos LP´s em formato de Cd´s! Encartes belíssimos, caixas primorosas, qualidade de som altíssima...

Não é como os sábados que eu saía por aí garimpando raridades como já falei aqui em outro momento... Mas a felicidade foi quase à mesma!

Os prazeres musicais "mudam" com o tempo, mas "permanecem"... viva a música!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Um depoimento desapaixonado

O que falar sobre um show de uma lenda viva do rock'n'roll? Sensacional? Espetacular? Fantástico? Demais? Extasiante? Parafraseando Gilberto Gil: Não tenho adjetivos e os tenho!!! TODOS!!! Como dizem os fãs brasileiros: Foggy é phoda!!!

Acho que agora ele fez de vez as pazes com seu passado, das 25 músicas tocadas, 18 são da sua fase Creedence e apenas 7 da carreira solo. Acho que definitivamente seguiu o conselho de George, que certa vez disse que ele deveria tocar Proud Mary, Travelin' Band e Fortunate Son, pois senão todos pensariam que são músicas da Tina Turner, Bruce Springsteen e Pearl Jam, respectivamente.

Durante as duas horas de show, Foggy desfila um clássico atrás do outro e ainda assim, muita coisa boa, tanto do Creedence quanto da sua carreira solo ficou de fora. No entanto, comparando os quatro set lists da turnê brasileira, notei que a cada show ele troca de cinco a seis músicas. No show que eu fui, ele não tocou: Susie Q (!!!), Travelin' Band (!!!), Bootleg, I Put a Spell on You (!!!), Run Through the Jungle (!!!), Wrote a Song For Everyone, Cotton Fields, Somebody Help Me, Hot Rod Heart, Rock and Roll Girls e Centerfield (!!!!). Contudo, posso dizer que sou um privilegiado por ter visto e ouvido ele executar uma de suas mais belas canções: Long as I Can See the Light, confesso que chorei...

Um crítico americano disse acreditar que John Fogerty teria feito um pacto com o demônio para realizar shows tão perfeitos. Não acredito em tão pacto, mas só o sobrenatural para explicar a excelência de uma apresentação de Foggy. Não tenho palavras para exprimir, só vendo, só estando lá diante do cara. Mesmo aos 65 anos a voz continua a mesma e ele agora está solando melhor!!!! Quando o roadie entrega a Gibson Les Paul prateada, se segure, vem rock'n'roll de primeira qualidade por aí.

Como se não bastasse você ter no palco uma verdadeira lenda americana, a banda é muito boa, extremamente entrosada e afinada, chegam ao impossível de tornar o que já era excelente, excelentíssimo. Os caras conseguem dá um molho todo especial aos velhos clássicos do Creedence, fazendo com que soem melhor do que as versões de estúdio. O baterista, Kenny Aranoff, é um caso a parte, ouso a dizer que seguramente é um dos cinco melhores bateristas do mundo atualmente, o cara bate demais!!!! Que me perdoem os fãs mais puristas do Creedence, mas Kenny Aranoff juntamente com o baixista David Costa (amigo pessoal de Foggy) formam uma cozinha melhor que Doug Clifford e Stu Cook.

Hoje, 13/05/2011, Foggy se apresenta em Buenos Aires. Daria todo meu reino se o tivesse para estar lá... Eu seria um verdadeiro Fortunate Son... Ou melhor, um verdadeiro Fortunate Fan, hehehehehe...


Best Wishes,

Junior


domingo, 8 de maio de 2011

A música


“A música requer mecânica, gente batucando, soprando, raspando ou arranhando. Mas no final é inatingível, é sonho. Não se pode apalpar a música, não se pode vê-la. Pode-se até pensar que é possível visualizá-la na partitura, mas é apenas um pedaço de papel. A música não existe sem o tempo e um bom par de ouvidos receptivos. Por isso, considero a música como a arte mais maravilhosa de todas – a razão pela qual fico e encantado. Acima de tudo, a música precisa de tempo” (George Martin no livro “Paz, Amor e Sgt. Pepper”)


Além de ter sido o melhor produtor musical que já existiu, tendo produzido quase tudo dos Beatles, ele consegue definir música de uma maneira tão precisa e emotiva ao mesmo tempo. Grande George Martin!!!


segunda-feira, 2 de maio de 2011

A estupidez humana!

Vamos celebrar a morte do terrorista, vamos celebrar a morte de um como vingança da morte de centenas... Afinal, o que é uma morte? Matar uma pessoa é errado, matar mil pessoas é errado.

Celebrar a morte do grande terrorista não acaba com o terrorismo em todas as suas formas...

Como é atual a letra de Renato Russo (Perfeição):





Vamos celebrar a estupidez humana

A estupidez de todas as nações

O meu país e sua corja de assassinos

Covardes, estupradores e ladrões

Vamos celebrar a estupidez do povo

Nossa polícia e televisão

Vamos celebrar nosso governo

E nosso Estado, que não é nação

Celebrar a juventude sem escola

As crianças mortas

Celebrar nossa desunião

Vamos celebrar Eros e Thanatos

Persephone e Hades

Vamos celebrar nossa tristeza

Vamos celebrar nossa vaidade.

Vamos comemorar como idiotas

A cada fevereiro e feriado

Todos os mortos nas estradas

Os mortos por falta de hospitais

Vamos celebrar nossa justiça

A ganância e a difamação

Vamos celebrar os preconceitos

O voto dos analfabetos

Comemorar a água podre

E todos os impostos

Queimadas, mentiras e seqüestros

Nosso castelo de cartas marcadas

O trabalho escravo

Nosso pequeno universo

Toda hipocrisia e toda afetação

Todo roubo e toda a indiferença

Vamos celebrar epidemias:

É a festa da torcida campeã.

Vamos celebrar a fome

Não ter a quem ouvir

Não se ter a quem amar

Vamos alimentar o que é maldade

Vamos machucar um coração

Vamos celebrar nossa bandeira

Nosso passado de absurdos gloriosos

Tudo o que é gratuito e feio

Tudo que é normal

Vamos cantar juntos o Hino Nacional

(A lágrima é verdadeira)

Vamos celebrar nossa saudade

E comemorar a nossa solidão.

Vamos festejar a inveja

A intolerância e a incompreensão

Vamos festejar a violência

E esquecer a nossa gente

Que trabalhou honestamente a vida inteira

E agora não tem mais direito a nada

Vamos celebrar a aberração

De toda a nossa falta de bom senso

Nosso descaso por educação

Vamos celebrar o horror

De tudo isso - com festa, velório e caixão

Está tudo morto e enterrado agora

Já que também podemos celebrar

A estupidez de quem cantou esta canção.

Venha, meu coração está com pressa

Quando a esperança está dispersa

Só a verdade me liberta

Chega de maldade e ilusão.

Venha, o amor tem sempre a porta aberta

E vem chegando a primavera -

Nosso futuro recomeça:

Venha, que o que vem é perfeição

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Saudade, música, poesia, futebol e Andreson!

Quanta falta uma pessoa pode fazer? É possível mensurar a saudade?

De vez em quando me pego pensando nessas coisas... Há pessoas que a gente convive pouco, encontra pouco, mas quando não tá perto, faz uma falta... e quando a gente encontra? Não queremos deixar ir embora...

Eu tenho algumas pessoas assim na minha vida e sou feliz por isso. Mas tem uma que não tá mais... alguém muito querido, sempre com um sorriso no rosto, uma prosa inteligente, uma música pra comentar ou cantar, uma poesia pra recitar e ainda gostava de futebol!

Há dois anos ele se foi... percebi que eu poderia ter convivido mais com ele, ter conversado mais, ter estado mais perto. Afinal, ele morava na casa de um dos meus melhores e mais queridoamigos... Mas ele era jovem e a gente nunca espera perder os amigos...

Jamais me esqueço do dia que recebi a notícia da sua partida... Era uma noite que eu celebraria a minha primeira residência, mas eu chorei a morte de Andreson Falcão... Noite inesquecível... eu, as lembranças e a casa vazia...

Saudade de você, meu amigo!

domingo, 17 de abril de 2011

As cinco melhores do Domingo

E como o domingo é um daqueles dias que a gente nem sempre sabe o que fazer, decidi fazer algo que gosto, eleger um Top – 5 e hoje o assunto é DOMINGO.

S.O.S. - Raul Seixas

Raul descreve um domingo comum nas grandes cidades e como as 24 horas de lazer e descanso podem ser e o tempo “livre” angustiante pra se viver...

Canta Raul: Oh! Oh! Oh! Seu Moço! Do Disco Voador. Me leve com você. Prá onde você for. Oh! Oh! Oh! Seu Moço! Mas não me deixe aqui. Enquanto eu sei que tem. Tanta estrela por aí...

Domingo – Titãs

Os Titãs vão narrar um domingo de maneira mais bem humorada, mas igualmente angustiante.

Canta Paulo Miklos: É dia de descanso. Nem precisava tanto. É dia de descanso. Programa Sílvio Santos. Domingo eu quero ver o domingo passar.

Domingo no parque – Gilberto Gil

Uma história de adultério que envolve José, João e Juliana que acaba tragicamente no domingo em que José encontra o casal feliz brincando no parque. A história pode ser simples, mas a maneira como Gil utiliza as palavras e, principalmente, a melodia, faz essa música um marco na MPB. Há quem ache que foi fonte de inspiração para Renato Russo escrever Faroeste Caboclo.

Canta Gil: Olha a faca! (Olha a faca!). Olha o sangue na mão. Ê, José! Juliana no chão. Ê, José! Outro corpo caído. Ê, José! Seu amigo João. É, José!

Sunday Bloody Sunday de John Lennon e Yoko Ono /

Sunday Bloody Sunday do U2

Duas músicas com o mesmo nome e mesmo assunto, mas feitas com 11 anos de distância. John e Yoko escreveram em 1972 e o U2 em 1983.

A história descreve o massacre na Irlanda do Norte conhecido como Domingo Sangrento quando manifestantes irlandeses foram atacados e mortos pelo exército britânico.

Nas vozes de John e Yoko: Deixem a Irlanda para os irlandeses. Mandem os ingleses de volta pro mar.

Bono diz: E é verdade que somos imunes. Quando o fato é ficção e a realidade da TV. E hoje milhões choram. Comemos e bebemos enquanto eles morrem amanhã.

Sunday – Frank Sinatra

Para não terminar com o clima tão pesado, temos Frank Sinatra falando de todos os dias da semana, mas destacando o domingo como o único que ele é feliz porque pode estar com a amada.

Blue Eyes diz: Mas depois do dia do pagamento é meu dia de diversão, eu brilho todo o domingo que é o dia que estou com você.

Queria saber por que o domingo é tão negativo pra tanta gente... Eu gosto!













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