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domingo, 4 de outubro de 2015

Sob influência de Keith


Nos primeiros minutos do filme, escutando um blues, Keith pega um copo com whisky. Pausei! Imediatamente fui uma dose pra mim também. Isso é coisa pra se assistir com whisky...
  
Keith Richards, a persona quase indestrutível que conhecemos está lá! Com todos os seus maneirismos ao tragar um cigarro, andar com os ombros "soltos", falar como se as palavras não fossem sair e tocando na guitarra como se ela fosse a coisa mais preciosa do mundo (para ele, parece ser).

Londres, Chicago, Nashville, Nova York... Muddy Waters, Howlin' Wolf, Chucky Berry, Rolling Stones X-pensive Winos... Blues, rock, country, reggae... Keith não é indestrutível, certamente. Percebe-se a força dos anos em seu rosto e suas mão.

Porém, diferente do seu livro Vida, o documentário não procura apresenta um lado desconhecido de Keith, parece mais uma tentativa de mostrá-lo assim como ele é. Pode ser uma boa introdução para quem nunca o viu fora dos Stones, mas certamente é excelente para quem já está familiarizado com sua imagem. Ver Keith fora dos Stones é a melhor maneira de tentar entendê-lo e, principalmente, perceber a força criativa por trás da banda.

- Parece que quando você era jovem você queria ser como um desses caras (bluseiros como Muddy Waters) e agora você é - diz um entrevistador.  
- Sim, eu sei - com um olhar indescritível...

Esta é uma das cenas finais e diz muito mais sobre Keith o que os 70 minutos de Under influence. O documentário termina e eu estou sob influência de Keith e Whisky! 

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A sinceridade em Vida! Uma aula de Keith Richards


Tem gente que confunde sinceridade com crueldade. Algumas vezes dizem “verdades” e se orgulham disso usando sempre “desculpe, mas prefiro ser sincero”. Eu não gosto dessa prática.

Para mim, ficou ainda mais claro entender essa diferença ao ler a biografia de Keith Richards, “Vida”. Contada em primeira pessoa, mas com a ajuda do escritor James Fox. Keith narra sua vida com uma riqueza de detalhes impressionante e tudo de maneira muito objetiva, natural e sincera.

A vida com seus quatro filhos, tendo o mais velho cuidado dele em vários momentos de uso de drogas; seu relacionamento conturbado com Mick Jagger; o casamento com Anita Pallenberg; seu processo de composição, as inseguranças como músico e vocalista; as desilusões; Gram Parsons e Bobby Keys, seus melhores amigos e, principalmente, o seu envolvimento com as drogas. Aliás, ele fala mais de drogas do que de música.

Não é uma biografia dos Rolling Stones, quem for esperar por isso ficará frustrado. Em vários momentos, ele nem fala da banda. A biografia faz jus ao título. É a VIDA dele mesmo.

Do menino de classe média de Dartford até o senhor que gosta de cozinhar em Connecticut, nos, Keef (como também é chamado) apresenta uma biografia excelente.

Aqui vai uma pequena lista do que ele apresenta:


Drogou-se de 1964 até os anos 90, o pior vício foi de heroína que largou em 1982.

É dele Ruby Tuesday, Angie, Satisfaction e Start Me Up!

Não gostava de transar com uma mulher sem ter um envolvimento afetivo.

Ama Mick Jagger, mas não entende seu comportamento e ainda diz que ele é muito inseguro, trabalhador, talentoso e tem o pinto pequeno.

Não tem lá muita consideração a Bill Wyman e Mick Taylor e admira muito Ronnie Wood e Charlie Watts.

A sua segunda banda, X-Pensive Winos é quase tão importante para ele como os Stones.

Conheceu música com o avô Gus que dizia pra ele não ouvir música. E escutava música através de uma rádio pirata.

Vida é uma biografia mesmo, não esses caça-níqueis que colocam no mercado. É pra ler suas 672 páginas e ter em casa!


terça-feira, 2 de agosto de 2011

A "rivalidade" dos anos 60 com cara de século XXI


Algumas idéias são tão óbvias e mesmo assim não acontecem. Já tinha dito isso antes quando me referia ao Across The Universe e um dos temas mais discutidos quando se fala do rock dos anos 60, é a rivalidade entre Beatles e Rolling Stones.

O tema é onipresente nos textos que tratam de qualquer uma das bandas como em revistas, jornais, documentários, debates, enfim... Mas não existia um livro para tratar exclusivamente do assunto. Eis que essa lacuna é preenchida com “The Beatles Vs The Rolling Stones – A Grande Rivalidade do Rock’n’Roll” de Jim Derogatis e Greg Kot.

O livro é primoroso nas mais de 190 páginas de imagens, quase todas em cores com excelente qualidade, além de muita informação. É um convite para o deleite dos fãs, sejam mais recentes ou die hard e ainda atendem os curiosos. O primor começa com a capa dura e uma imagem em 3D em que os Beatles se transformam em Stones dependendo do ângulo que você vê.

Mas nem tudo é perfeito, como a premissa ou o pretexto do livro é a rivalidade entre as bandas, algo que todos os membros já desmentiram, o texto parece forçado e quase sempre faz comparações equivocadas.

Os capítulos são:

1 – Criando Mitos – como a imagem de cada banda foi construída com suas influências musicais e trabalho dos empresários – na minha opinião o melhor capítulo.

2 – O cantor, não a canção – uma comparação entre Mick Jagger, John Lennon e Paul McCartney como vocalistas – advinha quem perde feio? Pobre Mick...

3 – Nada é real – a psicodelia de cada banda.

4 – Eu sou o cara da guitarra – mais uma comparação, dessa vez entre George Harrison, John Lennon, Keith Richards, Brian Jones e Mick Taylor! Putz... Se eu fosse músico, certamente detestaria esse capítulo de tão superficial que é.

5 – Os alguns duplos – imaginem comparar o Exile On Main St com o Álbum Branco? Os discos são tão diferentes que é impossível traçar um paralelo que não seja apenas... serem discos duplos!

6 – Entendo as bases – compara Paul McCartney a Bill Wyman como baixistas, advinha quem perde? Pobre Bill...

7 – Palmas para o baterista – mais uma comparação, dessa vez entre Ringo Starr e Charlie Watts – acho que a única que não fica forçada porque o estilo diferente de cada baterista, de certa forma, moldou o estilo das bandas.

8 – And in the end, the Love you make... Etc. Etc. – fala sobre como vivenciaram o fim dos anos 60, com os Beatles se desintegrando e os Stones se renovando. O segundo melhor capítulo.

A ideia é ótima, mas o que torna essas bandas ícones do rock não é o individual e sim o coletivo, isso foi pouco explorado. As comparações ficam mais para fãs em bate-papos do que jornalistas teoricamente conhecedores escrevendo um livro. No fim, os capítulos 1 e 8 se mostram interessantes, os demais são realmente desnecessários.

O trabalho gráfico compensa e torna o livro recomendável para quem gosta das bandas. Se você quer ter apenas um livro bonito em casa ou quer dar um presente legal, adquira esse. Acredito que, nesse contexto, o conteúdo dos textos é desnecessário. Afinal, o século XXI tem visto uma atenção maior ao visual do que ao conteúdo.

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