domingo, 30 de dezembro de 2012

2012 - O primeiro melhor ano da minha vida


2012 foi um ano tão bom, mas tão bom que tentei fazer um top 5 com o que melhor aconteceu e esse número era pouco...

Vejamos...

Vi o show que sempre quis, mas não poderia voltar no tempo. Felizmente, o tempo se renovou e Roger Waters tocando o The Wall em São Paulo foi o maior espetáculo do século XXI.
Presenciei o inimaginável para milhões de pessoas: Paul McCartney ao vivo em Recife! Mas não foi só isso, ele tocou no estádio da minha infância, do meu time! E um dos shows eu ainda tive a presença da minha família!
Esse mesmo time, o glorioso (pelo menos para sua torcida) Santa Cruz foi bicampeão pernambucano num jogo histórico contra seu maior rival (na casa do rival e no aniversário do rival)! Absoluto!
Fui aprovado no doutorado! Universidade Laval em Quebec, Canadá, em janeiro eu chego! Agora só falta aprender francês....
Fui patrono de uma das turmas que mais tenho carinho na minha vida acadêmica. E isso aconteceu depois de quase 4 anos distante (Grandes Administradores). Fui novamente patrono, dessa vez numa turma de Geografia, algo fantástico para quem leva a vida de docente a sério, além de ter sido professor homenageado dos maiores contestadores que conheci no curso de Geografia da UPE e também homenageado pela turma de História que lecionei em apenas um semestre, uma honra!
Tive uma das maiores alegrias no meu trabalho, vencemos uma eleição de forma impressionante! Vou ficar três anos fora, mas com uma sensação de dever cumprido.

Mas tudo isso que credenciava 2012 como um dos melhores anos da minha vida ficou pequeno. Em março eu recebi a notícia de que seria pai! Em julho soube que seria uma mocinha. Em novembro, ela chegou!
E a imagem da minha mocinha chegando ao mundo será inesquecível. 

2012 vai terminar em seus dias, mas será certamente o primeiro melhor ano da minha vida... 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Um Top 5 de 2012



Nas letras

O Som da Revolução – Rodrigo Meheb – A melhor leitura sobre música.
Nos bastidores do Pink Floyd – Mark Blake – Nunca li nada mais completo sobre o Floyd.
A Invenção do Nordeste e Outras Artes – Durval Muniz de Albuquerque Júnior – Com ele, o Nordeste começou a fazer sentido.
Sociedade e Espaço Geográfico no Brasil - Ruy Moreira – uma leitura geográfica do Brasil.
Invasão Britânica – Barry Miles – Livro muito agradável, leitura leve e toneladas de imagens.

Na imagem

O Pequeno Nicolas – Filme – Descobrindo o cinema francês com essa pérola.
Deep Space Nine- Série – Finalmente consegui terminar a série mais audaciosa de Star Trek.
Os Mercenários 2 – Filme – Diversão certa pra mim que cresci vendo filmes de ação dos anos 80.
O Cavaleiro das Trevas Ressurge – Filme – Os filmes de heróis se reinventam.
Memórias de Chumbo – Documentário – contundente documentário sobre futebol e ditadura no Brasil, Argentina, Chile e Uruguay, parabéns ESPN

Na música

Stop The Clocks – Noel Gallagher – tocou tanto que sonhava com ela.
Vinalheaven Harbour - Stephanie Dosen – do desconhecimento total para a música do ano.
Goin’ Back – Phil Collins – perfeita para quem, como eu, está se despedindo.
Why Not Smile – R.E.M. – A primeira música que Ana escutou. 
O Trem Azul - Lô Borges e Milton Nascimento - A "cara" de 2012. 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A Casa que virou Lar que virou Casa


Hoje é o meu último dia em Petrolina. Depois de 3 anos, 9 mesese 13 dias, saio com uma sensação boa, fiz boas coisas, conheci pessoas boas, construí algo bom. A vida segue e um desafio me espera em alguns dias, novo país, novo idioma, nova cultura, novo curso! Como diz Chico Buarque, “as pessoas tem medo da mudança, eu tenho medo que as coisas nunca mudem”. Sempre acreditei nisso e procuro agora colocar em prática.
Dentre tantas mudanças, uma me traz um sentimento melancólico que é deixar minha casa, ou melhor, meu lar. Só quando saí de Recife, tive a minha primeira casa, lugar onde eu dei “minha cara”, onde passei a maioria das horas, onde recebi as melhores pessoas.
Na minha casa, todo mundo chegava e saía à sua vontade. Bebiam na sua intensidade e eram felizes quase que sem moderação. Receber os amigos num lugar em que as pessoas faziam questão de frequentar era algo muito lisonjeador. 
Mas o curso da vida segue e aos poucos fui desmontando tudo, os quase quatro anos estavam registrados, materializados nas paredes e móveis. “Desmontar” tudo era saber que as coisas mudam, passam...  Assim fui guardando os CD´s, empacotando os DVD´s, empilhando os livros, guardando as bugigangas. Guardando as lembranças.
Aquela casa (aliás, essa casa, escrevo nela), aquele lar, não existe mais. Minha primeira casa agora está registrada nas fotos, vídeos e memória de todos que a frequentaram. E nesse sentido, a casa que havia virado lar, voltou a ser só uma casa e, certamente, o lar de outra pessoa.
Saio de Petrolina e quando retornar, irei procurar outra casa pra chamar de lar. E espero todos os amigos para compartilhar.. 

sábado, 8 de dezembro de 2012

O parto do pai!

Depois de ser coadjuvantepor nove meses, o homem finalmente tem um momento seu. O parto cesariano pode ser mais confortável para a mulher no momento do nascimento, mas a deixa alienada de todo o processo.
Então é o homem que assiste aos médicos encaixarem o bebê na melhor posição; fazer os cortes na barriga e puxar – na cena mais impactante da minha vida – minha bebê de dentro da mãe. Rapidamente sou levado à outra parte da sala para assistir a pediatra fazer os primeiros procedimentos de limpeza e observação pra ver se a minha filha estava bem. Uma alegria ver aquela bebê enorme e saber que é minha!

Em seguida, EU a levo para a sala de cuidados em um pequeno carrinho, observo as primeiras medidas e pesagens e, finalmente, EU a coloco nos braços para mostras aos familiares e amigos que observavam tudo através de um vidro. Tudo isso em pouco mais de trinta minutos. Pronto! 
Para o homem, que agora pode assistir a tudo, fica uma sensação insuperável de tão emocionante. Aquele 7 de novembro de 2012 passou a ser o dia mais inesquecível da minha existência. Foi o dia que minha primeira e única filha chegou ao mundo.

A filha sai da mãe para os braços do pai! 

Eu que era (e sou) contra o parto cesariano, até que gostei da emoção de ver tudo aquilo. 
O parto é na mãe, mas os melhores momentos são do pai!!! 


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A vitória da (da) derrota


Quem vence comemora, grita, cerra os punhos contra o ar. Quem perde, “falta o chão”, olha ao seu lado e procura conforto.

A vitória é sempre passageira porque o futuro sempre trará um novo vencedor, mas a derrota pode ser permanente, se o derrotado nunca reagir.

A quem perde, é preciso entender que adversário não é inimigo, que o passado não se apaga. Quem vence precisa saber que a vitória, por mais saborosa, precisa ser curtida com inteligência e que o adversário pode ser um aliado.

Não conheço uma pessoa que nunca tenha vencido ou perdido algo, mas conheço várias que não sabem vencer ou perder. A vitória é saborosa e a derrota é amarga, é verdade. A vitória traz responsabilidade e a derrota, reflexão. 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Meu amigo (cão) Mike!

Mike era um excelente companheiro à tarde e à noite, curiosamente ele gostava de dormir pelas manhãs. Algo que se encaixava perfeitamente comigo.

Mike entrou na minha vida quando eu era adolescente e se tornou um grande companheiro, mesmo sendo um cão pequeno. Passamos muitos momentos juntos. Pra ele, eu falava sobre os amores, as frustrações, as dúvidas, os desejos, a vida e até sobre música e cinema. Ele sempre estava lá com um olhar cúmplice, uma orelha levantada ou uma cauda abanando! Eu até acho que ele me entendia, mas sabiamente se fingia de cachorro pra que eu me sentisse mais à vontade em me abrir...
Mike gostava de PinkFloyd e detestava Bob Dylan! O curioso é que eu estava ávido para conhecer Dylan, mas Mike não deixava. Ficava uivando toda vez que a gaita tocava. Era um tormento! Que cachorro chato, ela estava “impondo” seu gosto musical! Era só colocar Pink Floyd que ele se deitava e ficava me olhando como quem diz “isso é bom, a gaita, não”. Ah, Mike...

Mike conhecia meus horários, meus movimentos, respeitava meu silêncio e me ouvia quando eu queria. Me surpreendia quase diariamente com alguma trela e sempre me lambia quando eu estava triste.
Ele se deitava bem ao lado da minha cabeça quando eu ficava no chão lendo, vendo filme ou ouvindo música. Foram muitas noites juntos naquela casa úmida ou naquele apartamento extremamente quente.
Mas infelizmente o único defeito dos cães é viver pouco. Mike envelheceu, perdeu a visão, os movimentos das patas, a paciência de me ouvir e, por fim, chegou seu dia. Mike sofreu convulsões e ao levá-lo ao veterinário, fiquei sabendo como ele estava sofrendo e precisamos atenuar aquilo. O dia em que Mike se foi até hoje é o mais triste da minha vida (e a concorrência é grande). 

O vazio quando cheguei em casa e não tinha mais meu cachorrinho me esperando foi tão grande que doeu fisicamente, minhas pernas fraquejaram, caí e chorei copiosamente. Mike se foi... Um verdadeiro amigo de 14 anos me deixou e eu tive que aprender a viver sem ele...

Ainda sonho com Mike, impressionante! Acredito que qualquer outro cão que entre em minha vida vai sempre ter à sua sombra, aquele cachorro preto, chato e adorável.
Saudade de você meu amigo, Mike! 


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O Som da Revolução - Parte 2

Parte 1 aqui

O livro passa da sua metade e as atenções são muito mais para o contexto do que a música. Fica mais claro como Rodrigo Merheb pensou bem para construir sua narrativa de apenas cinco anos dos anos 60. A Inglaterra fica um pouco de lado e os EUA são o caldeirão musical.

É nesse país que o livro se concentra pra discutir a produção musical mais uma vez contextualizada com cada cidade. Los Angeles e Detroit ganham importância como sede do The Doors e MC5, respectivamente. A classe média dominante e suas músicas de autoafirmação do branco estadunidense tem destaque, assunto delicado e tratado de forma magistral. Da concepção ao impacto final do Festival de Woodstock e como a geração da paz e amor morreu no Festival de Altamont recebem textos ricos, detalhados e elucidativos.

As toneladas de informações seguidas de reflexões prendem ainda mais o leitor e a maneira como Merheb muda de um assunto para outro sempre fazendo uma ponte sutil é inteligentíssima. É assim que saímos de Amsterdam e o Bed In de John Lennon e Yoko Ono para o show do The Doors em Miami no mesmo parágrafo; da mesma forma percebemos a transição de Abbey Road e Let It Bleed em 1969, quando cada banda via o mundo à sua maneira (Beatles no aquários e Stones com o pé na lama) e entendemos como David Bowie e Led Zeppelin herdaram a ressaca dos anos 60. Excelente!

Motherfuckers, panteras negras, iyuppes, contacultura, Hell´s Angels, hippies... Estão todos lá!  

O livro termina de forma fantástica, os excessos dos anos 60 trouxeram uma geração ressacada nos anos 70 quando as várias utopias e “verdades” caem por terra. O coletivismo dá lugar ao individualismo! A revolução não acontece, a indústria fonográfica se profissionaliza, o rock muda, as ramificações se intensificam e o livro acaba...

Fica uma sensação de vazio após ler um livro tão instigante como esse...

Parte 1 aqui

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A corrupção nossa de cada dia


Para longe da ingenuidade que esse post possa parecer, é preciso refletir como a corrupção se instalou de maneira onipresente nas nossas vidas.

Se antes as refeições dos brasileiros eram acompanhadas por telenovelas, filmes enlatados e telejornais ufanistas. Atualmente somos bombardeados com noticias sobre corrupção. A coisa está tão banal que diariamente temos denúncias de corrupção e nos acostumamos a isso.

Outro dia, ao falar que gostava das coisas corretas e abominava a desonestidade, um colega me criticou dizendo “esses caras que querem ser honestos são os piores”. Pior em quê? Ele apenas desdenhou... Chegamos ao ponto que precisamos nos livrar dos honestos! É uma vergonha ser honesto!?!?

E para mim, a pior desonestidade é aquela do “cidadão comum”. É tão frequente que chega a normatizar as relações humanas. O “toma-lá-dá-cá”, as práticas clientelistas, os subornos, os “jeitinhos”. Perdemos nosso referencial de honestidade? Esse referencial já existiu? O que é honestidade? O mundo realmente é assim? Ou precisa ser assim?

Para que a maioria das pessoas reflitam sobre isso, poderíamos fazer a eleição do corrupto da rodada, como fazemos no futebol com seus gols e jogadores. Olha lá, essa semana será o Deputado tal, mas na próxima será o Vereador, ou Senador, ou Prefeito... Se a coisa pegar, podemos fazer um Big Brother com os “cidadãos comuns”. Assim, esses anônimos do cotidiano serão também reconhecidos pelos seus “grandes” feitos!

Afinal, pra que ser honesto, né?

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Eu não voto em quem...


Chegando à reta final das eleições e eu aqui sem a obrigação de votar porque estarei em outra cidade, fiquei me perguntando em quem votaria. Há muito tempo voto no “menos ruim” e não no “melhor”. Vejo que a cada eleição cai a qualidade dos candidatos ou aumentam as minhas exigências. Pensei então em quem não votaria...

Eu não voto em quem pede o meu voto
Eu não voto em quem despreza o adversário
Eu não voto em quem só aparece em época de eleição
Eu não voto em quem coloca outdoors pelas ruas
Eu não voto em quem paga pra “enfeitar” carros
Eu não voto em quem coloca cavaletes nas ruas
Eu não voto em quem vê carreira política como profissão
Eu não voto em quem ataca o ex-aliado
Eu não voto em quem já teve vários mandatos (sou quase contra a reeleição)
Eu não voto em quem prega o radicalismo
Eu não voto em quem usa a comédia para ganhar voto
Eu não voto em quem aparece em guia eleitoral lendo textos preparados por outros
Eu não voto em quem tem media trainning
Eu não voto em quem já trocou mais de uma vez de partido político

Acho que é isso, espero que nas próximas eleições eu encontre alguém que se encaixe nesses pré-requisitos ou, pelo menos, eu diminua as minhas exigências. Difícil...
Meu voto é importante para mim e faz muita diferença na minha consciência!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O Som da Revolução - Parte 1


Definitivamente, os anos 60  são os mais importantes para o rock’n’roll. A melhor década musical para mim, continua a me surpreender positivamente, dessa vez com um belo livro.
Tenho ficado tão surpreendido com “O Som da Revolução – Uma História Cultural do Rock 1965-1969” que preciso de dois posts para falar dele. 
Para fãs de biografias como eu, reservar um tempo na minha pequena agenda de leituras recreativas é sempre complicado. Estavam na lista a autobiografia de Eric Clapton e a biografia oficial do Led Zeppelin, mas ao acaso esse livro me chamou atenção na prateleira de uma livraria e decici folhear, após as primeiras cinco páginas decidi comprá-lo e não desgrudo dele. 
Cobrindo um período relativamente curto de tempo, apenas cinco anos em 530 páginas, me fez imaginar que seria monótono e repetitivo. Que nada! A leitura é tão dinâmica e o vocabulário tão rico (poucas vezes se tem isso em publicações voltadas ao rock) que o leitor pode se sentir prestigiado pelo seu autor, Rodrigo Merheb.
Começando no momento em que Bob Dylan se reinventa ao usar uma banda eletrificada em vez do set acústico, O Som daRevolução é uma viagem para dentro do rocn’n’roll. Aliás, Rock! A nova nomenclatura para o que se produziu pela geração pós-Elvis. Dylan é o grande protagonista da primeira metade do livro, seguido dos Beatles. Nomes como Byrds, Jefferson Airplane, The Doors, Beach Boys, Janis Joplin e Jimi Hendrix também tem destaque.
Mas confesso que duas coisas tem me chamado mais atenção. A primeira é ter o lugar como protagonista e não apenas as pessoas (estimulante para esse geógrafo). Assim, Londres, Nova York e San Francisco se revezam na narrativa de Merheb. Mods, hippies, rockers, ativistas, pseudointelectuais, oportunistas, talentosos, virtuosos, perdidos e tantos outros tipos se misturam na efervescência do mundo em uma guerra inútil (Vietnã), um sistema econômico se fortalecendo (capitalismo), uma nova classe consumidora (adolescentes) sendo criada e brancos e negros se misturando em prol da música.
Outro ponto fundamental é colocar em evidência nomes que hoje são completamente desconhecidos como Moby Grape, Gram Parsons ou The Monks. A vontade de procurar discos dessas bandas é imediata tão logo seus nomes são trazidos à tona.
Como os hippies surgiram e se “foram” (de San Francisco); como o psicodelismo apareceu e perdeu importância; como folk e country (estilos parecidos no som, mas completamente distintos na mensagem) se fundiram e o surgimento do LSD e seu uso são detalhadamente explicados. Os bastidores, produtores,  diretores, escritores e todos que estavam ligados à música possuem destaque tal qual os compositores e músicos. 
Música, lugar, ideias e pessoas são igualmente trabalhados nesse livro. Após ler metade, não resisti e tive que escrever sobre ele, já que terminei, volto às suas páginas... 

Parte 2 aqui

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

À noite é melhor

A noite é mais calma, menos quente, mais tranquila. Na noite, muita gente se liberta e se libera. Praticamente tudo à noite é mais interessante e prefiro viver nela.

Mas a “ditadura da luz do sol” diz que precisamos acordar cedo, trabalhar o dia todo e dormir... à noite. Sempre fiquei me perguntando por que precisamos fazer tudo nos mesmos horários, isso causa muita chateação...

Com frequência tenho que aturar alguém dizendo que é melhor acordar cedo, é mais saudável. “Deus ajuda a quem cedo madruga” (Felizmente Deus sempre me ajudou, mesmo sem eu madrugar). Sempre fui chamado de preguiçoso e incontáveis foram as vezes que me aborreci com alguém se metendo nos meus horários. Demorei um tempo para saber que sou notívago. Sim, sou notívago e milhares de pessoas também são!

Mas é bom diferenciar, notívagos não são necessariamente boêmios. Somos apreciadores da noite, mesmo que sozinhos e sem auxílio de substâncias.

E a Suécia deu um passo à frente nesse sentido, e em respeito às pessoas que preferem viver à noite “Suecos criam horáriosespeciais para notívagos”.

 

Não vou morar na Suécia, mas que sirva de lição a todos.... Notívagos não são preguiçosos, apenas preferem à noite e convenhamos que à noite é mais gostosa!

 


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Nos Bastidores do Pink Floyd


Uma banda psicodélica que perde o seu líder/compositor/vocalista e começou a produzir discos fantásticos chamados, discutivelmente, de progressivos e, aos poucos, vai ter um líder/centralizador/ditador que saí achando que a banda não sobreviverá. Uma guerra judicial longa, farpas pela imprensa, reencontros inesperados e pelo menos quatro discos clássicos absolutos. O Pink Floyd continua sendo, das bandas mais famosa, a menos “conhecida”. O livro “Nos Bastidores do Pink Floyd” de Mark Blake preenche um pouco essa lacuna.

Quase metade é dedicada ao início da banda e seu principal nome até aquele momento, Syd Barrett. Tudo é muito detalhado, às vezes até dia-a-dia, o que o deixa um pouco cansativo para aqueles que são iniciados. Ao passar esse momento, o livro começa a cobrir o tempo de maneira mais espaçada. A década de 80, 90 e o século XXI possui pouco menos de 150 das 348 páginas.

Mas é justamente na parte final que está o material mais interessante. Os anos entre The Final Cut e A Momentary Lapse of Reason são os mais complicados quando pensamos num livro com a palavra “bastidores” no título. Como Gilmour e Mason superaram a saída do principal compositor e tomador de decisão e levaram o Pink Floyd a um patamar acima do que já vivenciava? Esse tema ainda é pouco explorado, mesmo estando mais próximos cronologicamente que o lançamento do clássico absoluto Dark Side ofThe Moon (já bem explorado) ou o mistério sobre a vida de Syd. Soma-se a isso, os bastidores de como Roger Waters, o líder e condutor de obras como Animals e The Wall caiu no ostracismo.

Um ponto alto dessa biografia é tratar dos seus cinco membros mesmo quando eles não estão trabalhando dentro do Pink Floyd ou saíram da banda. O livro desmancha estereótipos. Afinal, para Blake, o pobre Syd não era tão pobre assim, Wright não foi tão coitadinho, Waters preencheu uma lacuna necessária, Gilmour tem um grande ego e Mason mais interesses em curtir do que trabalhar. A panelinha dentro da banda que separava os músicos Gilmour e Wright dos “arquitetos” Waters e Mason é bem explorada e elucidativa para entendermos o comportamento de cada um. As discussões antagônicas entre os fãs de Waters x fãs de Gilmour poderiam ser melhor subsidiadas com esse livro. 

O livro termina como começou: com uma reunião improvável da banda!

Recomendado tanto para iniciantes como para quem quer se aprofundar no que sustentou uma das mais importantes bandas de todos os tempos. 

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Revisitando a Londres de 2002!

Hoje eu fui à Inglaterra, mais precisamente Londres. Fui rever os lugares que marcaram tanto meu ano de 2002.
Acho que desde que “me entendi por gente” que quis conhecer Londres. Era a cidade do Pink Floyd! Foi a cidade em que os Beatles se estabeleceram depois de sair de Liverpool. A cidade da Mi5 (a sede do James Bond) e da melhor música já feita! Pelo menos eram essas as minhas referências de adolescente.
Houve um tempo em que meu maior sonho era conhecer Londres. Era o sonho da minha vida! E eu o realizei aos 24 anos. O que a gente faz com o resto da vida depois que realiza o maior sonho aos 24 anos? Se você tem menos que 24, pode ter certeza que outros sonhos virão...
Mas hoje eu revi de perto a Battersea Power Station (a foto do disco Animals do Pink Floyd), revi Picadilly Circus, fui ao British Museum e o Stick Fingers Café em Chelsea! Atravessei novamente a Abbey Road com uma roupa parecida com a do meu Beatle preferido. Fui novamente a Greennich, London Bridge, Kew (onde trabalhei) ... Mas me emocionei mesmo revendo a casa em que morei por seis semanas...
Num dos momentos mais audaciosos da minha vida, fotografei uma rua que fazia uma curva... Mas em 2002 tirei a foto antes da curva terminar e não vi o que haveria depois dela. Jurei pra mim mesmo que aquilo me motivaria a ir à Londres novamente... 
Bom, na realidade fui à Londres quase dez anos atrás, mas virtualmente (Deus abençoe o Google Maps) fui hoje... Quanta coisa boa tem em Londres... E quanta vontade de ir lá (realmente) novamente... 





domingo, 12 de agosto de 2012

Papai te espera!


Na espera de uma criança, as atenções estão na mãe, claro. Ter todas as mudanças no corpo e carregar uma criança se formando requer muita atenção. Nesse sentido, o pai é sempre coadjuvante, claro. Mas o que poucos pensam (inclusive os homens) e, menos ainda falam (principalmente os homens) é como a gravidez muda a perspectiva masculina sobre a vida.

Isso tem um significado ainda maior quando se espera uma menina. Afinal, o mundo feminino é sempre um mistério para o homem e ele tem que se preocupar em criar uma pessoa desse mundo. Tarefa difícil que eu ainda não sei como será...

As mudanças não acontecem no meu corpo, mas na minha mente. E, desde que a médica disse “é uma menininha” que olho para as mulheres com outros olhos.

Toda vez que vejo uma menina (em qualquer idade, até mesmo adulta), fico imaginando como será a minha. Como será meu bebê, como será minha criança, como será minha adolescente? No dia que se celebra a paternidade (deixemos as razões mercadológicas de lado), não há assunto mais relevante pra mim.

Em três meses minha menina virá ao mundo, ela não está dentro do meu corpo, mas está tão presente dentro de mim como qualquer órgão vital. Ela simplesmente funciona e se não funcionar, eu deixo de existir.

Papai te espera minha Ana!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Chico tá Chato


A obra musical de Chico Buarque está chata! Seus discos mais recentes são tecnicamente irretocáveis, mas insossos em quase sua plenitude. Como um ícone, Chico é inquestionável, irretocável. Ninguém “ousa” falar mal de Chico... Acho que a devoção (merecida) do público o deixou acomodado...

Desde o disco Francisco (1987), que escuto um Chico que não me agrada. São letras acima da média, claro, mas falta alguma coisa... Não sei se essa coisa ficou nos seus mais frequentes livros... Não sei... E o instrumental? Cada nota perfeitamente colocada, todos os instrumentos harmoniosamente... chatos! Nem mesmo seus discos ao vivo conseguem quebrar o tédio que sua música apresenta... Falta emoção!

O Chico visceral que tratava de relacionamento, cotidiano, política, saudade com letras, melodias e arranjos cheios de emoção, parece não existir mais. Ele até está cantando melhor que antes... 


Claro que dentro da MPB ele ainda produz coisas interessantíssimas (sinal que não estamos bem), mas quando eu comparo Chico com Chico. Prefiro Chico mais "antigo", quando Chico era mais Chico, agora, Chico tá Chato




sábado, 28 de julho de 2012

Biograffiti - três atos com Rita Lee


Certa vez me disseram que Rita Lee é a maior rockeira de todos os tempos. Na hora eu disse “não” (reflexo de quem cresceu ouvindo rock britânico e estadunidense). A mesma pessoa me perguntou “então, quem é?”...
Silêncio...
Interessante que um dos meus primeiros LP’s, comprados na antiga Mesbla pela minha mãe, foi o Flerte Fatal e já assisti a seu show em Recife em 2001. Mas nunca me aprofundei na sua obra e sinto que perdi anos nessa negligência.

Letras provocativas e uma música quase sempre swingada, Rita fez uma das melhores fusões entre o “lá de fora” e o “aqui de dentro”. Aberta a novas influências, sem esquecer sua essência, ao lado do seu marido e músico Roberto de Carvalho, nos deu um catálogo de música inigualável no mundo.

Conseguiu, como poucos, sair dos anos 60 e transitar pelas décadas seguintes sempre associando qualidade musical ao sucesso radiofônico e nunca deixando de ser relevante. Rita é simples e sofisticada ao mesmo tempo e o sucesso que sempre teve no país não está de acordo com o pouco reverenciamento que recebe. Imagina se ela fosse do hemisfério norte?

Biograffiti, série em três atos (DVD’s), é uma imersão na vida e obra de Rita Lee. O primeiro momento é o Ovelha Negra, onde Rita fala da sua vida, família, influências e sua trajetória musical, com detalhes que envolvem Os Mutantes, tropicalista, a banda Tutti Frutti e sua carreia solo. O segundo ato, Baila Comigo, é dedicado a música, com o processo de composição, parcerias e shows. O último momento é o Cor de Rosa Choque em que discute a sua trajetória como mulher no Brasil desde os anos 50, quando iniciou suas contestações ao mundo masculino. “Não precisa de culhões pra fazer rock, pode-se fazer com ovário”, segundo ela! Só senti falta de mais imagens antigas. Ficamos muito nas descrições e narrações da própria Rita.

É tudo tão espontâneo que vi os três documentários e os recomendados extras sem perceber a hora passar. Depois me vi pesquisando ainda mais sobre ela e, por fim, escrevendo esse post no calor da empolgação.
Biograffiti é mais que recomendado!

Se alguém me perguntar quem é a maior rockeira de todos os tempos...

Resposta: Rita Lee 

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Eu Dei

Um negro pobre torna-se um dos maiores ídolos da música e da televisão brasileira nos anos 60 e, por circunstâncias que fugiram ao seu controle, entrou no ostracismo. Parece sinopse de filme, mas é um resumo da vida de Wilson Simonal.

O documentário de Claudio Manoel (Casseta & Planeta), Micael Langer e Calvito Leal “Simonal – NinguémSabe o Duro que Dei” apresenta o artista descrito acima, sem esquecer o homem que foi. Da pobreza negra carioca à classe média branca, com talento e algumas oportunidades, Simonal esteve nas manchetes dos anos 60, seja por sua qualidade musical, a vida que levava ou a polêmica que o derrubou. Era o auge do período ditatorial militar brasileiro.

Fazendo uso de entrevistas de pessoas como Chico Anysio, Miele, Boni, Toni Tornado (que merece um documentário), Ziraldo, Castrinho, Nelson Motta, Artur da Távola, Pelé, entre outros, o documentário retrata o momento conturbado que passava o Brasil e a vida de Wilson Simonal.

As imagens da época mostram um Simonal extremamente seguro no palco (que dividiu de Elis Regina à Sarah Vaugham); as apresentações semanais na TV; seu envolvimento com as mulheres; a ligação com o futebol e seu entendimento e engajamento sobre problemas raciais que vivenciava. Tudo é colocado de maneira muito sincera.

Um dos depoimentos que mais explica o Simonal vem de Miele, quando descreve uma ida à uma sauna no Leblon e lá Simonal é recebido com toda a pompa das grandes estrelas. Ele pergunta a Miele que endereço é aquele só para confirmar que aquela casa antes era de uma família que não permitiam que seus empregados tivessem filhos. Sua mãe foi uma das empregadas que fazia marmitas escondidas para dar a ele.

Mas o documentário é extremamente corajoso, principalmente ao lidar com o processo que envolveu seu contador (que segundo ele próprio, foi torturado com a anuência do próprio Simonal), o DOPS, o seu suposto envolvimento com o SNI e, em seguida, seu afastamento/esquecimento da mídia. Simonal supostamente cometeu o maior de todos os crimes, o de delatar seus “pares”. Me parece o Calabar do século XXI (comparando ao “mulato” que se tornou informante dos holandeses na “luta” contra os portugueses no século XVII).

Os depoimentos mais bonitos ficam por parte dos seus filhos, Max de Castro e Wilson Simoninha, que cresceram com um pai depressivo, mas consciente da sua importância dentro da música brasileira. A sua esposa, Sandra, dá o melhor depoimento de todos ao falar como ele já mais velho e doente assistia aos shows dos filhos escondido atrás de pilastras para que sua presença não “prejudicasse” suas carreiras. Impossível não chorar junto com ela nesse momento.

Passado o tempo do bem (esquerda) contra o mal (direita). Hoje precisamos reescrever a história, mesmo que, infelizmente, o Simonal não esteja mais aqui para ressurgir sob aplausos, no final apoteótico que seria sua jornada, caso não fosse real. Na realidade, ele faleceu de cirrose devido ao alcoolismo que se instalou em sua vida.

Se hoje não podemos mais aplaudi-lo de pé e tentar diminuir um pouco os estragos causados, podemos desfrutar das excelentes interpretações de Simonal e seus discos que quando não podendo ser comprado, podem ser baixados com relativa facilidade. Para quem passou a maior parte no ostracismo imposto, ter sua obra reverenciada pode ser um alento.
 

sexta-feira, 13 de julho de 2012

O Que é Rock'N'Roll?


Já me perguntaram o que é Rock’N’Roll e eu nunca consegui responder. No dia do rock, eu vou tentar...

Pra mim, é o riff Chuck Berry, a voz Howlin Wolf, o gingado de Little Richards, a base de Muddy Waters, a sofisticação dos Beach Boys, a viagem do Pink Floyd, o espalhafato dos Guns´n’Roses, a longevidade dos Rolling Stones, o peso leve do Led Zeppelin, o fogo de Jimi Hendrix, o oculto do Black Sabbath, o ativismo do U2, a volta à raiz do Nirvana, a pegada do Deep Purple, a realeza de BB King, a majestade do Queen, a viceralidade do The Who, o progressivo do Genesis, o soul do Animals, o desapego de Willie Dixon, a voz feminina de Janis Joplin, a voz masculina de Elvis, a rapidez do Iron Maiden, a contestação dos Sex Pistols e The Clash, o lirismo de Bob Dylan, o pioneirismo de Bill Haley, a diva masculina Elton John, as mutações do Yes, a suavidade de Bessie Smith, a metamorfose de David Bowie, os solos de Eric Clapton, a maquiagem do Kiss, o escuro do The Cure, a porrada do Aerosmith, a melodia do R.E.M., a batida do The Police, a síntese de Lenny Kravitz, o sofrimento de Ray Charles e Johnny Cash, os acordes do The Byrds, a leveza de Simon & Gurfunkel, a explosão do Creedence Clearwater Revival, a narrativa do The Doors, a raiva do Rage Against The Machine, as invenções de Frank Zappa, a estranheza do Radiohead, o swing de Marvin Gaye, os plágios do Oasis, o peso do Metallica, a depressão do Joy Division, a técnica do Rush, o piano de Fats Domino e Jerry Lee Lewis, as misturas de Santana, a emoção de Stevie Wonder, o escracho do AC/DC, as asas do Wings, os cavalos loucos de Neil Young, a raiz de Robert Johnson, a entrega de Aretha Franklin, a fusão do Grand Funk Railroad, as homenagens do Black Crowes, o acelerado do Ramones, a acidez de Iggy Pop, a flauta do Jethro Tull, o Underground do Velvet, a angústia de Bruce Springsteen e a coerência do Pearl Jam.

A alegria de Ringo Starr, a vitalidade de Paul McCartney, a sinceridade de John Lennon e a emoção de George Harrison. Acima de todos, os Beatles são a síntese do rock’n’roll!

Para o que é Rock'N'Roll brasileiro, aqui

sábado, 7 de julho de 2012

Os Heróis do Sucesso e seu legado para mim


Poucas são as vezes que nós professores nos deparamos com uma turma coesa, fechada e quase sem problemas internos. Só vi isso duas vezes nos meus seis anos de profissão. Poder lecionar numa turma assim é um privilégio. Manter contato com as pessoas que formam essa turma faz com que eu me sinta um prestigiado. Três anos após o nosso último contato, poder ser professor homenageado era inimaginável.

Houve um momento em que me senti completamente estagnado dentro da minha profissão e essa turma, ainda no seu primeiro período, me mostrou que era preciso mais do que exercer uma profissão, é necessário lutar por ela. Aprendi a lição e a coloquei em prática. Hoje vejo a Geografia de maneira diferente, graças a esses administradores.

Ontem pude falar isso para eles enquanto eu olhava seus rostos e as lembranças do nosso convívio bombardeavam minha mente. Depois poder abraçá-los e, com isso, agradecer todo o carinho que recebi, foi um dos momentos mais importantes da minha profissão.

Ter convivido com eles em 2008 e 2009 e poder partilhar a noite de ontem, foi um dos melhores momentos da minha vida. 

Eu fui um professor que realmente aprendeu com os alunos e me sinto honrado com isso.

E parecendo roteiro de cinema, o professor que aprendeu com os alunos, é convidado para ser o patrono. Eu sou o patrono da turma que mudou minha maneira de ver minha profissão!!!

Parabéns pela competência, organização, zelo, amizade, dedicação, comprometimento, reconhecimento dos Heróis do Sucesso.

Muito Obrigado!

domingo, 24 de junho de 2012

Na Natureza Selvagem

Alguns filmes caem nas nossas vidas no momento certo. “Tudo Acontece em Elizabethtown” e “Alta Fidelidade” são exemplos marcantes. Eis que esse ano chegou “Na NaturezaSelvagem” (lançado em 2007).


Conheci primeiro a trilha sonora Into The Wild de autoria de EddieVedder (vocalista do Pearl Jam). Um disco excelente e uma grata novidade em meio a tanta coisa chata e previsível que chega ao mercado. Em seguida, tive vontade de ver o filme e o adquiri. Mas ele ficou lacrado aqui até a última noite de sábado, quando instintivamente o peguei pra assistir durante a madrugada.

Quem nunca pensou em abandonar tudo e sair por aí apenas com uma mochila? Pensei assim várias vezes. Lembro-me de um momento que procurei me inscrever no Greenpeace só pra viajar o mundo em contato com a natureza. Fiz até algumas viagens com esse "espirito", mas sempre com um certo conforto e segurança. Hoje vivo em meio às coisas materiais e artificiais. O que houve com aquele eu? Não sei. Ou sei...

O filme é baseado no livro homônimo de Jon Krakaeur e narra a história de Chris McCandless que aos 21 anos deixa sua carreira na faculdade, vida em classe média e a família para entrar em contato com a natureza em viagens em direção ao oeste e, em seguida, ao Alasca. Durante o filme ele entra e sai da vida de algumas pessoas enquanto amadurece suas ideias e nos provoca a pensar o que fazemos das nossas próprias vidas “confortáveis”. Chris queima dinheiro, rasga todos os documentos, abandona seu carro e troca de nome, coisas de louco. Mas na narrativa do diretor Sean Penn, nos faz pensar se os loucos não somos nós que ainda não fizemos isso.

O mais impressionante é que tudo aconteceu. O filme é fiel à história de Chris e seus 150 minutos parecem pouco quando chegamos ao final - certamente um dos mais fortes e comoventes que assisti até hoje.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Paul McCartney, 70 anos!


E hoje Paul McCartney completa 70 anos! Dizendo assim, pode até soar normal, mas vejamos...

Aos 15 anos ele conhecia John Lennon...

Aos 16 já era membro do embrião dos Beatles com George Harrison...

Aos 20 era o vocalista principal do primeiro single da banda, Love Me Do

Aos 23 anos compões Yesterday, a música mais regravada da História!

Aos 24 escrevia letras como as de Eleanor Rigby e For No One

Aos 25 liderou o álbum mais revolucionário da história da música, o Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band

Aos 26 era o líder da maior banda de todos os tempos!

Aos 27 teve a coragem de finalizar essa mesma banda!

Se aos 27 anos ele já tinha feito essas coisas, o que ele fez com os restantes 43 anos de vida?

É impossível falar da vida de obra de Paul McCartney em um post, sequer num blog inteiro. Aliás, várias biografias foram escritas sobre ele... Mas isso ainda é pouco.

Hoje, Sir Paul McCartney completa 70 anos de vida.

São os 70 anos do artista mais importante de todos os tempos na música!

domingo, 3 de junho de 2012

O ex-amigo


Sempre que conheço alguém, imagino que ali pode estar nascendo uma amizade. Claro que na maioria das vezes isso não acontece. Mas nos meus quase 34 anos de vida, fiz muito mais amizades do que o contrário. Acho que poucas pessoas devem me detestar (isso excluindo os alunos com suas relações passionais, claro)
E, que eu saiba, só reconheço dois ex-amigos.
Um deles foi uma pessoas extremamente importante na minha vida. A primeira vez que estive em sua casa foi em seu aniversário. Cheguei lá pelas mãos de uma das pessoas que mais gosto e admiro, o meu amigo Júnior.
Esse ex-amigo me recebeu de braços abertos. Estava feliz, sentado em sua sala e lembro das suas palavras “Sidclay, você veio, que alegria” (ele me conhecia de uma rápida apresentação num bar). Depois daquele dia, eu estive em sua casa inúmeras vezes. As noites de bebedeiras e papos transcendentais eram semanais. E sempre levava meus outros amigos, minha família e minha então namorada para lá. 
Ele, um cara extremamente inteligente, conhecedor de música como poucos e com um papo agradabilíssimo. Eu, um aluno de mestrado, ansioso, tenso, confuso e ávido por aprender sobre tudo.
Não consigo mensurar quantas vezes “amanhacemos o dia” em sua sala conversando sobre música, cinema, vida e tantos outros assuntos. Aprendi muito! Achei que ele estaria na minha vida para sempre.
Mas um dia, ele me acusou de estar no MSN e não falar com ele. Algo que não aconteceu. Depois dessa acusação infundada, tentei desfazer o mal-entendido, mas não funcionou. Sabe-se lá que acontece na cabeça dos outros. Ele foi tão grosseiro que até hoje (e eu guardei a conversa) acho que foi ficção.
Anos se passaram, a amizade realmente acabou e outros amigos passaram por situações semelhantes. E eu, que em vários momentos pensei “o que eu fiz de errado?” passei a pensar “o problema não foi comigo, foi com ele”.
Confesso que todas as vezes que “viro à noite” ouvindo música e bebendo whisky, lembro das nossas conversas e, realmente, sinto falta. Há pessoas que passam, mas ficam as lembranças.
Lamento por ter um “ex-amigo”, mas na vida às vezes a gente perde. Espero que esteja bem e desejo o melhor para ele. 
Obs: Na foto, estou em sua casa. 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Invasão Britânica

Quem gosta de rock´n´roll certamente em algum momento já viu ou ouviu a expressão “InvasãoBritânica”. É um termo utilizado para descrever os anos que sucederam o impacto da chegada dos Beatles nos EUA em 1964.

Depois daqueles quatro cantarem I Want To Hold Your Hand, She Loves You, All My Loving e Twist andShout de forma tão impressionante, mais e mais bandas com a mesma “fórmula” (cantores jovens com cabelos “grandes”, sotaque britânico e músicas inspiradas nas bandas estadunidenses) eram procuradas. Com isso, nomes como RollingStones, The Who, Yardbirds, Animals, Hollies, e Kinks começam a se destacar no lado de cá do Atlântico fazendo um contraponto a Bob Dylan, Beach Boys e Elvis. É comum nas enciclopédias de rock ou em biografias de artistas da época esse tema aparecer.
Indo além da música, o cinema britânico, o teatro britânico, os livros britânicos e quase tudo que parecesse jovem e britânico chamava atenção. Foram nos anos 60 que o adolescente foi “inventado” e, com isso, todo um novo filão para o consumo.
“Invasão Britânica – A Música,O Tempo, A Era” de Barry Miles (autor da biografias dos Beatles, Frank Zappa, Pink Floyd e Jack Kerouac) discute esse momento com um texto ágil, informativo e claro. Além de toneladas de fotos em impressão excelente de nomes como Pink Floyd, Led Zeppelin, Jethro Tull, Little Richards e os já citados acima.
Miles faz um recorte temporal que vai do fim dos anos 50 até o final dos 60, tratando de todo o contexto dos EUA e Inglaterra naquele momento. Contextualiza, analisa e reflete sobre a década em que os EUA foram mais britânicos desde a sua independência do antigo colonizador.
Quem gosta de cultura pop certamente vai adorar esse livro de capa dura e mais de 300 páginas. O único inconveniente é não termos uma edição em português. Mas como aqui as edições são quase sempre inferiores graficamente às originais, fique com a estadunidense. 
Como seria bom ter livros assim sobre o Brasil!

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