segunda-feira, 18 de junho de 2012

Paul McCartney, 70 anos!


E hoje Paul McCartney completa 70 anos! Dizendo assim, pode até soar normal, mas vejamos...

Aos 15 anos ele conhecia John Lennon...

Aos 16 já era membro do embrião dos Beatles com George Harrison...

Aos 20 era o vocalista principal do primeiro single da banda, Love Me Do

Aos 23 anos compões Yesterday, a música mais regravada da História!

Aos 24 escrevia letras como as de Eleanor Rigby e For No One

Aos 25 liderou o álbum mais revolucionário da história da música, o Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band

Aos 26 era o líder da maior banda de todos os tempos!

Aos 27 teve a coragem de finalizar essa mesma banda!

Se aos 27 anos ele já tinha feito essas coisas, o que ele fez com os restantes 43 anos de vida?

É impossível falar da vida de obra de Paul McCartney em um post, sequer num blog inteiro. Aliás, várias biografias foram escritas sobre ele... Mas isso ainda é pouco.

Hoje, Sir Paul McCartney completa 70 anos de vida.

São os 70 anos do artista mais importante de todos os tempos na música!

domingo, 3 de junho de 2012

O ex-amigo


Sempre que conheço alguém, imagino que ali pode estar nascendo uma amizade. Claro que na maioria das vezes isso não acontece. Mas nos meus quase 34 anos de vida, fiz muito mais amizades do que o contrário. Acho que poucas pessoas devem me detestar (isso excluindo os alunos com suas relações passionais, claro)
E, que eu saiba, só reconheço dois ex-amigos.
Um deles foi uma pessoas extremamente importante na minha vida. A primeira vez que estive em sua casa foi em seu aniversário. Cheguei lá pelas mãos de uma das pessoas que mais gosto e admiro, o meu amigo Júnior.
Esse ex-amigo me recebeu de braços abertos. Estava feliz, sentado em sua sala e lembro das suas palavras “Sidclay, você veio, que alegria” (ele me conhecia de uma rápida apresentação num bar). Depois daquele dia, eu estive em sua casa inúmeras vezes. As noites de bebedeiras e papos transcendentais eram semanais. E sempre levava meus outros amigos, minha família e minha então namorada para lá. 
Ele, um cara extremamente inteligente, conhecedor de música como poucos e com um papo agradabilíssimo. Eu, um aluno de mestrado, ansioso, tenso, confuso e ávido por aprender sobre tudo.
Não consigo mensurar quantas vezes “amanhacemos o dia” em sua sala conversando sobre música, cinema, vida e tantos outros assuntos. Aprendi muito! Achei que ele estaria na minha vida para sempre.
Mas um dia, ele me acusou de estar no MSN e não falar com ele. Algo que não aconteceu. Depois dessa acusação infundada, tentei desfazer o mal-entendido, mas não funcionou. Sabe-se lá que acontece na cabeça dos outros. Ele foi tão grosseiro que até hoje (e eu guardei a conversa) acho que foi ficção.
Anos se passaram, a amizade realmente acabou e outros amigos passaram por situações semelhantes. E eu, que em vários momentos pensei “o que eu fiz de errado?” passei a pensar “o problema não foi comigo, foi com ele”.
Confesso que todas as vezes que “viro à noite” ouvindo música e bebendo whisky, lembro das nossas conversas e, realmente, sinto falta. Há pessoas que passam, mas ficam as lembranças.
Lamento por ter um “ex-amigo”, mas na vida às vezes a gente perde. Espero que esteja bem e desejo o melhor para ele. 
Obs: Na foto, estou em sua casa. 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Invasão Britânica

Quem gosta de rock´n´roll certamente em algum momento já viu ou ouviu a expressão “InvasãoBritânica”. É um termo utilizado para descrever os anos que sucederam o impacto da chegada dos Beatles nos EUA em 1964.

Depois daqueles quatro cantarem I Want To Hold Your Hand, She Loves You, All My Loving e Twist andShout de forma tão impressionante, mais e mais bandas com a mesma “fórmula” (cantores jovens com cabelos “grandes”, sotaque britânico e músicas inspiradas nas bandas estadunidenses) eram procuradas. Com isso, nomes como RollingStones, The Who, Yardbirds, Animals, Hollies, e Kinks começam a se destacar no lado de cá do Atlântico fazendo um contraponto a Bob Dylan, Beach Boys e Elvis. É comum nas enciclopédias de rock ou em biografias de artistas da época esse tema aparecer.
Indo além da música, o cinema britânico, o teatro britânico, os livros britânicos e quase tudo que parecesse jovem e britânico chamava atenção. Foram nos anos 60 que o adolescente foi “inventado” e, com isso, todo um novo filão para o consumo.
“Invasão Britânica – A Música,O Tempo, A Era” de Barry Miles (autor da biografias dos Beatles, Frank Zappa, Pink Floyd e Jack Kerouac) discute esse momento com um texto ágil, informativo e claro. Além de toneladas de fotos em impressão excelente de nomes como Pink Floyd, Led Zeppelin, Jethro Tull, Little Richards e os já citados acima.
Miles faz um recorte temporal que vai do fim dos anos 50 até o final dos 60, tratando de todo o contexto dos EUA e Inglaterra naquele momento. Contextualiza, analisa e reflete sobre a década em que os EUA foram mais britânicos desde a sua independência do antigo colonizador.
Quem gosta de cultura pop certamente vai adorar esse livro de capa dura e mais de 300 páginas. O único inconveniente é não termos uma edição em português. Mas como aqui as edições são quase sempre inferiores graficamente às originais, fique com a estadunidense. 
Como seria bom ter livros assim sobre o Brasil!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Campeão!


De um lado, o time com maior quantidade de títulos, folha de pagamento de R$1.500,00, mais pontos no campeonato, jogando em casa, podendo apenas empatar e no dia do aniversário!

Ah, mas o futebol não é esporte mais popular do mundo por acaso, do outro lado temos:

O time com menos título, menos pontos, folha salarial três vezes menor, jogando fora de casa e precisando vencer...

E vence!

Arrogância X Humildade! Prepotência X Pés no chão! Já ganhei X Vamos esperar o término!

Tentando fugir do maniqueísmo que esse post pode seguir porque, claramente, seu dono torce pelo segundo time.

Foi emocionante, comovente, tocante, extraordinário, admirável, formidável, respeitável, empolgante, fantástico, arrebatador, maravilhoso, magnífico,  primoroso, delirante, impressionante, breathtaking, à couper le souffle.. e Tantos outros adjetivos que não encontro agora para qualificar.

Uma final e um final como o que vi no domingo, 13 de maio de 2012 será difícil.

Parabéns ao Santa Cruz Futebol Clube! Parabéns a todos os seus torcedores. Parabéns!

sábado, 5 de maio de 2012

A Imersão - Parte 3 (Isolamento e Fim)


Acredito que uma pessoa adulta pelo menos uma vez na vida se sentiu isolada do mundo. Com isso em mente é fácil entender porque a obra The Wall é tão importante. É difícil encontrar alguém que não conheça pelo menos uma de suas músicas.


O The Wall é, em minha opinião, a obra mais atual do Pink Floyd. Num mundo em que cada vez mais nos relacionamos através do virtual, nos isolamos atrás de computadores e o contato humano passa a ser um mero detalhe, não é difícil fazer a ponte entre o Personal Computer e o Muro imaginado por Roger Waters.

Soma-se a isso, o fato do The Wall ter sido pensado em várias mídias: um álbum, um show revolucionário em seu conceito e um filme! Quando escutado ou visto atualmente soa exatamente como 2012. Poucas obras conseguem isso!

Eis que no dia em que assisto o show de “Roger Waters – TheWall” coincidentemente recebo o Box Immersion. Foi muito muro pra um dia só. E tal qual no Dark Side Of The Moon e Wish You Were Here,as versões Immersion do The Wall tem todos aqueles itens que nós adoramos e ainda a edição “Is There Anybody Out There?” já lançada (versão ao vivo do disco). 

Porém, o que mais me chamou atenção foram os dois CDs com demos, sobras e versões diferentes. É quando percebemos como Waters foi soberano no disco. Praticamente compôs tudo e ainda podemos ver demos dos seus próximos dois discos. Os rascunhos de músicas já mostravam a força das composições, as execuções dos primeiros takes apresentam uma banda madura e longe dos experimentos de antes. Cada um sabe o que fazer e fazem bem feito.

De todas as edições Immersion, a do The Wall é a mais impactante pelo material musical extra. Para mim, esse é o último disco do verdadeiro Pink Floyd, pois Final Cut, Momentary Lapse of Reason e The Division Bell, que são discos interessantes cada um à sua maneira, levam o nome da banda, mas são qualquer outra coisa...

Infelizmente, fim da imersão!

Parte 1, aqui
Parte 2, aqui

domingo, 22 de abril de 2012

Paul McCartney foi Arretado!

E a quinta vez foi a melhor. O DJ com música dos Beatles em diversas versões, o telão com as colagens e as luzes se apagando para Paul McCartney entrar no palco com os braços levantados saudando a plateia. 


Tudo igual!

NÃO!

Estamos em Recife, minha terra natal e no estádio do meu time do coração!
Eu estou incrédulo, mas consigo acompanhar bem quase tudo. Até hoje, é o show em que estou mais tranquilo, menos ansioso e mais observador. Completamente controlado. Mas Paul tem seus truques e mesmo que os conheça, fui surpreendido. Mesmo sabendo toda sequencia de música e nunca ter chorado nos quatro shows que vi antes.
Maybe I’m Amazed tocada com aquela foto dele com um bebê no casaco coneguiu o improvável. Lembrei de muita coisa e imaginei muita coisa.. Enfim...

CHOREI!

Depois disso, esse foi o show da minha vida, fim da primeira parte!

Segundo dia, sem novidades. Minha cidade natal, estádio do meu time e eu já conheço tudo a ponto de me preparar para não chorar naquela música (aquilo foi algo esporádico, é claro).
Mas ver Paul com minha família? Ih... Complicou. É nisso que dá ter ganhado os ingressos da minha querida amiga Cláudia Tapety. Estavam lá minha mãe, irmão, grandes amigos, primo e minha mulher (que está carregando nosso primeiro filho). Sai ileso em Maybe I’m Amazed, mas aí veio Something e ouvir a música do meu Beatle preferido, abraçando minha mulher e sentindo sua barriga encostada em mim foi demais.

CHOREI DE NOVO!

Depois disso, não sei mais qual foi o show da minha vida. Rendo-me a Paul e todos os seus encantos, talentos, truques e carismas.

Qualquer dia, escrevo um texto mais objetivo sobre esse show! Por enquanto não dá. 








segunda-feira, 9 de abril de 2012

A Separação - Parte 2

continuando...

Entretanto, a separação pode ser vista como algo positivo, pois não gera, necessariamente, coisas ruins. Em alguns momentos, separar é a melhor maneira de seguir bem sua vida.

Um exemplo de uma separação positiva está nos discos Different Gear, Still Speeding e High Flying Birds do Beady Eye e Noel Gallagher, respectivamente. O primeiro é dos componentes remanescentes do Oasis, o segundo é do principal compositor da mesma banda.

Pensando assim, pude ver como a separação do Oasis foi boa. Afinal, acabou-se aquele lenga-lenga de brigas entre os irmãos que encheram o saco de quem gostava das suas músicas. Different Gear, Still Speeding é um excelente disco de pop, descompromissado e, surpreendentemente, simples e agradável. Não está aí o peso de todas as harmonias e letras pessoais de Noel. Em compensação, High Flying Birds é um disco bem introspectivo, denso e repleto de sons e truques de estúdio. Falta a ele a leveza dos vocais de Liam. O primeiro é Oasis sem Noel, o segundo é Noel sem Oasis. Isso fica claro em todas as faixas.

Eu gosto de discos descompromissados, eu gosto de discos densos. Para uma época em que o Strokes é tida como a melhor banda do século XXI, fico com o pessoal do século passado.

terça-feira, 3 de abril de 2012

O Espetáculo do Século XXI


Roger Waters interage com o muro que interage com a plateia que fica fascinada. As caras de incredulidade aumentam o tempo todo. Pessoas chorando, gritando e de queixo caído estavam em toda parte.

Waters é o dono do show, mas o muro que vai sendo construído ao longo da apresentação e serve como um gigantesco telão é tão igualmente protagonista. Não é apenas um show para se ouvir, ver é igualmente impactante. As imagens não apenas complementam a música, mas dão vida a elas.

Passei 32 anos sonhando com o The Wall ao vivo (desde sua execução em 1980 quando eu tinha 2 anos de idade). Para minha surpresa e alegria, Roger Waters realizou meu sonho em 2012. Depois de ver seu show em 2002 (o primeiro de um artista internacional que pude presenciar), estar em mais uma apresentação dele era algo impensado. Mas, nesses últimos dois anos, o inimaginável faz parte da minha vida o tempo todo. Sorte minha!

Ingresso caro, viagem, filas, horas em pé... Tudo isso valeu à pena e como valeu. O espetáculo que assisti está muito além do que as minhas palavras podem descrever. A experiência de presenciar um concerto em que as apresentações ao vivo estão sendo reinventadas é se sentir na vanguarda. Em pleno século XXI, Waters transforma uma obra escrita nos anos 70 em algo atual em conteúdo e forma.
Segue uma pequena descrição:

A abertura (In The Flesh) mais fantástica que já vi com até um avião se chocando com um palco; a primeira sequencia em que o muro é protagonista (The Thin Ice); um coral de crianças e as mensagens no muro (The Happiest Days of Our Lives / Another Brick In The Wall Part II); uma novidade acústica (Another Brick In The Wall Part II); um dos melhores momentos do show com o “Nem Fudendo” no muro e Waters cantando com ele mesmo mais novo (Mother); a animação do filme e o bombardeio de símbolos como o M da McDonalds ou a Estrela de Davi (Goodbye Blue Sky); o rock de arena (What Shall We Do Now? / Young Lust); o isolamento e mais um show do muro (Don’t Leave Me Now / Another Brick In The Wall Part III) até o término da primeira parte com Waters cantando por uma fresta do muro (Goodbye Cruel World)

INTERVALO

A banda tocando por trás do muro (Hey You), a primeira abertura nos tijolos (Is There Anybody Out There); a segunda abertura (Nobody Home); mais shows do muro (Vera e Bring The Boys Back Home); momento mágico de Waters e do muro (Comfortably Numb); Pink chega ao palco e
executa uma sequência fantástica (The Show Must Go On / In The Flesh / Run Like Hell / Waiting For The Worms / Stop); o porco inflável com a mensagem “O novo código florestal vai matas as florestas do Brasil"; um show vocal e teatral de Waters (The Trial) e todos juntos homenageando a plateia e encerrando o show (Outside The Wall).

No final, a plateia cantava “Olê, Olê, Olê, Roger, Roger”, os músicos improvisaram cantando e tocando junto. Belíssima homenagem. O muro cai e alguns tijolos chegam até a plateia, consegui um pedaço, ficará de recordação!
Essa sequência ficará para sempre na minha mente. Tenho as fotos e alguns vídeos para ajudar, mas nem mesmo se um DVD for feito com o registro desse show poderá capturar a sua essência, suas contradições, sua relevância, seu impacto e como Waters e sua equipe revolucionaram um espetáculo ao vivo. Valeu cada real, valeu cada minuto.












domingo, 25 de março de 2012

Ao povo de Chico City!

- Povo de Chico City…! Feliz, feliz, feliz, feliz… com a sua audiência! Pois bom, numa ocasião em 1927, eu estava de porre, naquele tempo eu bebia… Era safadim, safadim, bunitim!

- Mas bah, eu não quero saber de nada. De nada! Eu solto meu bode, mas prendo minha cabrita.

- Mas hein!? Depois eles dizem que o Coalhada é isso, que o Coalhada é aquilo… Agora sou hétero. Mordo você todinha! Porque jovem é outro papo! Eu sei o que estou fazendo.

- Gaaarotão! Você é idiota! Você é iiidiota!

- Pô, mãe! Eu sou jovem! Eu sou doooido por essa neguinha.

- Meu garoto! Vai dizer que você não trocava?!

- Pra outro homem até pode ser, mas pra outra mulher, nunca! Ainda mais com esse nariz… Eu ainda arrumo grana pra arrumar o meu nariz…

- Tá com pena? Leva pra você! Nós somos classe C, CLASSE C! É mentira, Terta?

- Afffe! Eu tô morta! Tanta gente é e não sabe. Eu doido pra ser e não consigo!

- Ca-la-da! Senta aí! Para com isso! Eu sou Haroldo, o hétero machão. Eu sou um símbalo sescual. Eu-eu trabalho na Globo, tá legal!? Minha vingança sará malígrina! Tenho horror a pobre! Quero que pobre se exploda!

- Primo, primo, você é uuuótimo!

- Sou! Mas… quem não é? Não creu neu, se finouce. É vapt-vupt!

- Só tem tan-tã! Só tem tan-tã!

- Que a paz de Tim Tones esteja em todos os lares. Alegria, alegria. Faça como eu: sorrrria… Techau!

- E o salário, ó!

Muito obrigado Chico Anysio!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Insegurança e amadurecimento em 10 anos


Olhando em retrospecto, as minhas piores lembranças estão nos anos 90, lugar da minha adolescência e certamente a década em que mais evoluí como ser humano. Eu a comecei como uma criança, passei pelos piores anos e me encontrei comigo mesmo muito cedo.
Foi no inicio dos anos 90 que vi uma família se desfazendo; a infância se acabando numa manhã de sábado; a adolescência chegando com todas as “complicações” que a acompanha; a solidão de não me encaixar no “novo mundo”; a decepção com alguns familiares; as transformações no corpo e na mente; a responsabilidade de não poder errar e, principalmente, o amadurecimento “a fórceps”.
Faltavam tantas pessoas e abundavam tantos revezes que era difícil entender como uma infância tão feliz se tornara uma adolescência tão difícil. E o que um adolescente que gosta de rock´n´roll faz numa década impregnada pelo axé, forró, sertanejo e pagode? Como viver num mundo de sentimentos tão hostis? Pra onde se vai quando nenhum lugar é bom?
A música e o cinema ocuparam quase todas as lacunas. As tardes ouvindo Beatles e Pink Floyd e as noites assistindo filmes eram a rotina. As manhãs perderam a graça, na verdade elas pertenciam a minha infância. Na adolescência, a madrugada era mais interessante. O silêncio, a temperatura mais amena e a tranqüilidade me atraíam.
Sem esquecer o mundo lá fora, eu me refugiei no melhor lugar: em mim mesmo! Os anos foram passando e eu desesperadamente queria que a adolescência acabasse! Para mim, era esse o problema, ser adolescente.
E então veio precocemente a Universidade e as mudanças começaram...
Descobri que era notívago e não preguiçoso; que o álcool em poucas doses era extremamente interessante; que o sexo poderia preencher tantas lacunas quanto à música e o cinema; que namorar apenas uma mulher era bem melhor que ficar com um monte; que havia mais pessoas que partilhavam dos mesmos gostos que eu; que viajar era tão bom quanto ficar em casa; que alguns membros da minha família eram valiosos e outros dispensáveis; que a companhia dos amigos era tão boa quanto a minha própria; que eu não precisava fazer o que eu não queria só pra me encaixar em padrões; que respeitar as escolhas alheias é respeitar a mim mesmo. Era como nascer novamente, sair do útero, mas conscientemente percebendo que entrava na vida adulta e o século XXI seria fantástico.
Encontrei minha turma, meus amigos, minha família, minha vida e meu lugar. Os anos 90 começaram com uma criança insegura e perdida e terminaram com um adulto mais maduro que os da sua idade.
E depois que eu consegui isso. Decidi me dar um tempo e ser adolescente.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Sai o ditador, fica o legado

Ele se foi, não morreu, ainda bem. Mas se foi para o bem do futebol.

O futebol do Brasil com ele ganhou vários títulos, mas perdeu sua identidade! Deixamos de ser tri-campão e somos penta! Uau! Mas, acho que isso aconteceria com ou sem ele.

Não se pode mudar o passado, mas acho que se voltássemos no tempo e não o deixássemos assumir o cargo, conquistaríamos mais. Mais título, mais lisura, mais transparência, mais honestidade!

Eu não me iludo, foi-se o Ricardo, mas fica a estrutura viciada, aliciada, corrupta, indecente e tantos outros adjetivos que mereceriam um post só para listá-los.

Mais um ditador caiu... Foi-se o Ricardo, fica a CBF que ele “organizou”.

Estou feliz pela sua ida, triste pelo seu legado!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Livro ou Revista? É Chico!

O formato externo é de livro, interno é de revista. Eu comprei pensando que estava comprando um livro, mas li como se estivesse lendo uma revista. É essa a minha impressão sobre “Para viver minha jornada”, livro (ou revista) escrito por Regina Zappa sobre a vida e obra de Chico Buarque.

São quase 450 páginas de fotos e informações, mas pouquíssimas análises. Um dos mais importantes músicas da história brasileira, recebe um livro que, nem de longe, faz jus à sua obra.

Mais da metade das páginas focam os anos 60 e início dos anos 70. O texto que já é superficial fica quase uma “revista de consultório médico” depois de sua metade. É justamente o Chico Buarque menos conhecido (anos 90 até hoje) que fica mais obscuro.

A autora fez uso de várias reportagens publicadas em revistas ao longo das últimas décadas. Isso talvez explique o texto raso. Sendo assim, recomendo as imagens que saem das mais famosas e apresentam um Chico que vai amadurecendo ao longo das páginas.

Se como livro é fraco, como revista, “Para seguir minha jornada” é fantástico!

quinta-feira, 1 de março de 2012

Aula da saudade ou aula sobre a saudade!



Finalizar alguma coisa PODE nos trazer alegria (um trabalho árduo, uma etapa dos estudos), mas se despedir das pessoas que fizeram parte de maneira positiva dessa jornada é, necessariamente, triste.

Vi ontem pessoas começando a se despedir. A alegria estampada em seus rostos por estarem finalizando quatro anos de suas vidas dedicadas a um curso contrastava com “a ficha cair” por aqueles serem seus últimos momentos como um grupo. O vídeo acima foi um momento emocionante.

Era a aula DA saudade, mas poderia também ser chamada de aula SOBRE a saudade. A saudade que começam a sentir. Deixam de existir os encontros em todas as noites, os fins de semana nos estágios (que genialmente inovaram), as preocupações com avaliações e notas. Fica a identidade criada e, principalmente, cultivada por pessoas que, em sua maioria, não se conheciam.

Um grupo particular se singularizou! Isso é raro!

Vi um grupo tão coeso (mesmo com indivíduos de personalidade forte) chegando ao fim que, egoístamente, não queria que terminasse. Afinal, vai ser saudoso andar naqueles corredores sem encontrá-los.

A amizade, o companheirismo, a solidariedade, a alegria, a luta pela justiça que sempre esteve presente em seus quatro anos de convívio certamente permanecerá. Eles fizeram tudo ao seu jeito, reconhecem isso, venceram assim e se tornaram a esperança. Nasceu a turma da esperança!

Desejo que sigam suas vidas com as mesmas características que os acompanharam por esses quatro anos. Para mim, foi uma honra, um privilégio e um momento inesquecível na minha vida pessoal e profissional poder ter convivido com todos!

Deixo uma homenagem com Frank Sinatra!



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Quarta-feira, sertão, 3 gols... mas só 1 meu!

Ano passado voltei pra casa feliz, esse ano foi bem diferente.

Naquela quarta-feira de cinzas de 2011 eu vibrei com 3 gols, nessa apena 1. Naquela quarta não lamentei gol sofrido, nessa foram 2. Naquela quarta tudo deu certo, nessa...

Uma quarta realmente de cinzas. Praticamente não acordei depois de um porre na terça-feira de carnaval e a ressaca me acompanhou por todo o dia e no caminho ao estádio à noite.

Meu time, o visitante, jogou mal. O time da casa, dentro das suas possibilidades, jogou bem. O árbitro jogou contra o meu time e a lisura de uma partida. Mas a derrota foi merecida.

A única coisa positiva é ver a torcida local feliz com a vitória de um time da cidade e não vibrando por times do sudeste!

Nessa quarta-feira de cinzas de 2012, senti saudade daquela quarta-feira de cinzas de 2011.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Paixão, Região e Futebol


Paixão não se explica, se sente!

Região é uma invenção humana!

Futebol é o esporte mais instigante!

Cada time de futebol está numa região, seja ela qual for. No caso do Brasil, temos cinco macro-regiões (Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte). Todas as regiões riquíssimas culturalmente. Isso é fato. Cada região com seus times... Milhares de pessoas torcendo pelos times da sua região... Opa!!! Não é bem assim!

Mas por que a maioria dos brasileiros torce pelos times do Rio de Janeiro e São Paulo? É fácil, o Rio foi a capital do país por muito tempo. São Paulo é hoje o “centro” econômico. Mas isso não é suficiente porque as pessoas da região Sul torcem pelos times da região Sul! O Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste, em sua maioria, torcem pelos times do Sudeste. O contrário raramente acontece!

A maneira mais fácil de dominar é pela cultura (e não pela belicosidade como se achava antes). A existência de regiões pressupõe a sobreposição de uma sobre a outra. No Brasil, o Sudeste “dita” como o resto do país deve falar, dançar, ler, ouvir e torcer!

Vivo numa região dominada por outra, mesmo que as pessoas não se sintam assim ou não percebam que isso acontece. Não acho que devemos ser bairristas, regionalistas ou qualquer outra coisa do tipo. Afinal, a cultura se transforma. Mas precisamos entender que quando estamos numa região que, direta ou indiretamente, sofre um domínio de outra, precisamos ficar de olhos abertos ao que nos chega!

Ame seu time, mas reflita que esse amor pode ter sido, de certa forma, planejado! E talvez não tenha sido o destino que colocou um time do Sudeste e não do Centro-Oeste na sua vida!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O Rock errou?

Numa conversa com um amigo, ele me disse: “Strokes é a melhor banda de rock no século XXI”. Na hora, parecia que eu havia levado uma pedrada na cabeça e retruquei “eu ainda vou escrever sobre isso”. Pois bem...

Pensando rapidamente nos nomes mais famosos do rock (não necessariamente os mais importantes) me veio o que coloco a seguir.

Nos anos 50 (início do rock’n’roll) lembrei de Elvis, Chucky Berry, Bill Haley, Litlle Richards, Jerry Lee Lewis. Nos anos 60, a coisa fica mais nteressante, afinal são Beatles, Rolling Stones, The Who, Jimi Hendrix, Creedence, The Doors e Beach Boys. Aí chegamos aos anos 70 e nos aparece Led Zeppelin, Deep Purple, Pink FLoyd, Genesis, Black Sabbath e David Bowie.

Nos anos 80, começa a caída, mas mesmo assim U2, Police, Cure, Iron Maiden e R.E.M fazem bem. Nos anos 90, a queda é vertiginosa porque, mesmo com qualidade, Nirvana, Pearl Jam, Radiohead, Red Hot Chili Peppers e Smasshing Pumpikins não são a melhor coisa que o rock nos
deu...

Mas esse século? Realmente... tentei fazer uma pequena lista. Mas nenhum nome, nenhum nome que apareceu desde 2001 pode ser incluído numa lista com os demais listados acima. Fica ainda a ressalva que nem quis pensar no Brasil porque cair de Raul Seixas pra essas porcarias que nem escreverei o nome aqui é depressivo.

E não consegui concordar com meu amigo e não consegui retrucar. Mas fiquei preocupado, afinal o que houve com o rock’n’roll?

E ainda sou criticado por ouvir coisas “antigas”...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A Imersão - Parte 2 (Saudade)


O quarto era quente e úmido, as marcas de lodo eram visíveis na parte mais baixa da parede, próximas ao chão. No teto, as manchas das chuvas passadas e pela janela entrava o cheiro da maconha fumada nos fundos da casa.
Foi nesse ambiente que vivi alguns anos. Foi nesse ambiente que o Pink Floyd entrou na minha vida. Meu tio me apresentou alguns discos, depois eu segui a minha busca. Nas tardes, após a escola eu costumava deitar na cama e ouvir o LP Wish You Were Here e, desde então, seu tema principal, saudade, me fascinava. Eu devia sentir saudade da infância ou da vida adulta (que ainda viria) porque aquela época e aquele lugar não eram bons pra mim, assim eu pensava.
Na vida adulta, o Wish You Were Here estava presente sempre que eu precisava ouvir alguma coisa pra mexer com a emoção e foram dezenas de vezes que isso aconteceu... Assim, tornou-se um dos discos mais importantes na minha vida e Shine On Your Crazy Diamond a música preferida do Pink Floyd.
Eis que em 2012 chega a minha mão o segundo volume da série Immersion do Pink Floyd, o primeiro foi o Dark Side Of The Moon e o terceiro será o The Wall. Fico feliz em poder ouvir os outtakes preciosos, as imagens produzidas na época e o tratamento gráfico dado aos diversos itens incluídos (livros, réplicas de ingressos, postais, etc.).
Em meio a tanta “novidade”, manterei, contudo, a minha velha edição em CD, comprada com o dinheiro da mesada. Ela substituiu o LP do meu tio naquele 1995.
Claro que eu queria escrever um monte de coisas sobre ele, mas quem disse que eu consigo? Esse realmente não é um disco que eu consiga expressar em palavras... E não é que nesse momento bateu uma saudade daquele quarto.

Parte 1, aqui
Parte 3, aqui

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Layla em três versões (assorted?)

Sempre me perguntei o que define um excelente compositor. O que faz um arranjador, ou produtor, ou instrumentista? O que torna uma composição finalizada? O que a faz um clássico?


Essas perguntas podem nortear debates infindáveis. Mas o que quero mesmo é falar de uma composição e sua transformação. Feita por um dos melhores músicos de rock e blues, Eric Clapton, Layla é sua melhor criação. Com três versões!


A primeira, feita com a banda Derek And The Dominos em 1970 é uma aula de rock´n´roll com seu riff forte, vocal emocionante de Eric e, principalmente, sua segunda parte com um piano e guitarra se revezando sobre uma belíssima melodia. Um clássico! Uma composição para sempre. Um arranjo “definitivo”.


Mas aí Eric quis refazer tudo nos anos 90 para o ainda incipiente projeto Acústico da MTV (Unplugged) e reinventou Layla. Numa versão com violões dedilhados, um vocal mais contido e uma levada de balada. Era uma nova Layla. Até hoje fãs não conseguem escolher qual a melhor versão. Poucos artistas conseguem isso. Eric Clapton conseguiu!


Tudo Ok! Mas... Não é bem assim.


Em 2011, Eric juntou-se com o músico Wynton Marsalis para um trabalho extremamente arriscado, entrar de cabeça no blues e jazz da primeira metade do século XX e então Eric “refez” Layla novamente. Impressionante, nessa versão ela parece ter sido composta nos anos 40.


Com exceção da letra, não lembra as duas verões anteriores. Aliás, são três músicas completamente diferentes com a mesma letra e título. Parabéns Eric pelas três pérolas que você nos deu.


Obs: Essa é a música feita para Pattie Boyd, quando ainda era esposa de George Harrison que, anos depois, tornou-se Sra. Clapton!


Abaixo estão as três versões





segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Pra ser sincero...


Pra ser sincero, eu gosto dos Engenheiros do Hawaii. Não está no meu Top – 5 de bandas nacionais, mas certamente ocupa um lugar no Top -10.
Acabo de ler "Pra Ser Sincero" de Humberto Gessinger e confesso que foi uma das leituras mais agradáveis dos últimos anos. Interessante que só o adquiri o livro porque estava com um crédito na loja e não achei outra coisa mais interessante naquele momento.
Dividido em três partes, a primeira é uma auto-biografia leve e descompromissada. Humberto narra sua história como quem bate um papo numa tarde de sábado à beira da praia. Há trocadilhos e metáforas, marca de suas letras, por isso soa exatamente como ele. Não há aqui um ghost writer por trás. É como a letra de uma música, mas feita em prosa. Divide sua vida em anos, desde a infância até 2009, o que mais chama atenção, é como ele vê e interpreta a vida. Em vários momentos, ele disse exatamente o que sinto, mas não são assim os letristas?


(Obs: fiquei com muita vontade de colocar os trechos que mais me agradaram, mas acho que eles precisam ser lidos tal qual estão no livro. Transcrevê-los pode tirar um pouco do seu impacto no leitor)
Na segunda parte há várias letras de músicas com comentários do próprio Humberto. O momento mais voltado para os fãs é a terceira parte com o texto de Luis Augusto Fischer que mais parece um prefácio. Aliás, é um prefácio, mas colocado no final (Não, não é um pósfácio). Ressalto ainda o excelente trabalho gráfico que se assemelha a uma revista.


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