quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Amo você, porque... (por Juliana Andrade)

Olá, boa tarde a todos.

Gostaria de agradecer a presença de todos vocês aqui para festejar um dia cheio de motivos para se comemorar.

O primeiro motivo é que estamos hoje aqui para comemorar a oficialização do nosso casamento, que aconteceu na última quarta-feira. Finalmente dissemos o nosso ‘sim’ para a juíza.

O segundo motivo é que completamos 5 anos de casamento no dia 30 de setembro, sexta-feira passada. Imaginem que luxo simultaneamente casar e comemorar 5 anos de casamento!

O terceiro motivo é que esse casamento já foi abençoado com uma filha linda, inteligente e saudável – Luisa. E que venham os próximos, não é, Paulus?

Mas eu queria tomar um pouco do tempo de vocês para falar um pouquinho da sensação de casar outra vez – e com a mesma pessoa.

Como eu já ouvi o geógrafo e amigo Sid (junto com Roberta, os padrinhos de Luisa), o passado não pode prever o futuro, mas ele pode explicar o presente.

Quero dizer com isso que nossos 5 anos de convivência explicam e justificam o dia de hoje, esses 5 anos dão a razão de estarmos comemorando hoje nosso casamento no civil, depois de 5 anos.

Isso porque a descoberta do outro como pessoa real e não idealizada (situação natural quando a paixão se abranda) não esmoreceu nosso desejo de ficar juntos, de continuar nossa caminhada juntos.

O outro Paulus que se revelou para mim, cheio de defeitos e qualidades, não me completa, me transborda. Me faz ser o que eu gostaria de ser com a tranquilidade e estabilidade de que preciso, faz emergir o melhor de mim.

Uma grande diferença de se casar depois de 5 anos “casados” é que não há aquele sentimento de insegurança – será que vai dar certo? Será que nos daremos bem sob o mesmo teto? Será que o conheço mesmo?

Casar depois de 5 anos “casados” desfez o medo do desconhecido ou a insegurança pelo futuro incerto quanto à compatibilidade.

Não quero dizer com isso que somos os mesmos há 5 anos, mas o casal que temos nos transformado nos agrada, é belo e nos dá paz.

Vou matar Paulus de vergonha agora.

Amor, amo você por várias razões.

Amo você, porque você é honesto mesmo quando não está sob supervisão.

Amo você, porque você é sincero mesmo quando eu não quero ouvir, mas preciso ouvir.

Amo você, porque você é tranqüilo mesmo quando eu me descabelo.

Amo você, porque você é focado mesmo quando eu quero abraçar o mundo.

Amo você, porque você é coerente mesmo quando o caos se instaura e eu faço uma tempestade em um copo d’água.

Amo você, porque você brinca com nossa filha, mesmo depois de um dia pesado de trabalho.

Entretanto, não há razões para te amar. Como disse Drummond de Andrade, "Eu te amo porque te amo, amor é estado de graça, e com amor não se paga".

Paulus Stephanus Haluli, sim, eu te aceitei como esposo há 5 anos e te aceito hoje. E, para não fugir da tradição, eu te prometo... levar comigo, por mais 5, 10 anos e assim por diante, o desejo e a disponibilidade de estar na relação e no casamento para sermos felizes, mesmo com dificuldades e problemas, num lar abençoado por Deus para que nossos filhos tenham para si esse referencial de homem e mulher, que amam a vida e as pessoas.

Obrigada pela atenção e divirtam-se!

Essas foram as palavras de Juliana Andrade para Paulus Haluli no dia do casamento em 02 de outubro de 2011.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Top-5 - R.E.M.

Depois de assimilar a separação, vamos ao Top 5 do R.E.M.

AT MY MOST BEAUTIFUL

A letra mais bonita, na melodia perfeita com a harmonia mais bem feita. A melhor interpretação de Michael Stipe, o melhor piano de Mike Mills e, por fim, o melhor clip! Essa é a melhor do R.E.M. É muito bom estar vivo pra poder ouvir “Como se eu não soubesse que é você na sua maior beleza”

FALL ON ME

Praticamente todo mundo começa a ouvir o R.E.M com Losing My Religion ou Everybody Hurts (que eu gosto muito, mas não entrariam aqui), eu comecei com Fall On Me. Lembro do primeiro cd que comprei deles, The Best Of R.E.M., ainda no início dos anos 90. Queria apenas começar a conhecer a banda como fiz com várias outras, mas essa música me faz fã.

PERFECT CIRCLE

Da mesma coletânea que citei acima, essa música marcou uma fase muito boa. Era fim dos anos 90 e eu viajava muito de ônibus pelo interior do Nordeste nos trabalhos de campo da Universidade. Interessante que sempre que a escuto, lembro da estrada e da paisagem do semi-árido. Música e lugar, bem geógrafo!

LEAVING NEW YORK E (DON’T GO BACK) TO ROCKVILLE

Não é comum colocar duas músicas no mesmo nível, mas essas se complementam. A primeira foi a trilha sonora da minha saída de Recife. Era só trocar New York por Recife (na letra, claro) e a música fazia sentido. A segunda marcou meus primeiros meses em Petrolina quando, morando sozinho, eu a ouvia diariamente.

Leaving New York

You might have succeeded in changing me, I might have been turned around, It's easier to leave than to be left behind, Leaving was never my proud, Leaving New York, never easy, I saw the light fading out

(Don’t go back) to Rockville

Walk home to an empty house, sit around all by yourself, At night I drink myself to sleep and pretend, I don’t care if you’re not here with me, ‘Cause it’s so much easier to handle, All my problems if I’m too far out to sea, But something better happen soon, Or it’s gonna be too late to bring you back, Don’t go back to Rockville.

ELETROLITE

Pensamento vagando e a música tocando, eis que, aleatoriamente, toca Eltrolite e tudo faz sentido. A batida anos 60 com a letra “but you are the star tonight, your shine electric outta of sight, your light eclipsed the moon tonight, Eletrolite, you outta of sight”. E gosto ainda mais da banda e eu a escuto ainda mais e eu faço planos… mas eles se separam e aí fiquei com o trecho que diz “Stand on a cliff and look down there, don’t be scared, you are alive”.

E ainda ficaram de fora The Great Beyond, Driver 8, World Leader Pretender, You Are The Everything, Harl The World Away, So. Central Rain, Walk Unafraid, The One I Love, Beat a Drum, Cuyahoga…















sábado, 24 de setembro de 2011

A separação

A separação é um tema que já rendeu muitos livros, discos, filmes, quadros, novelas, séries, conversas em mesa de bar, terapias, tristezas, alegrias, depressões, euforias... Enfim, são tantas coisas que escrever um post sobre isso seria “mais do mesmo”.

Esse tema sempre esteve presente na minha vida desde a memória mais antiga, e quase sempre associada a péssimos momentos. Então, praticamente todas as vezes que escuto ou vejo a palavra separação, me acompanha uma reflexão, uma lembrança ou os dois.

Mas hoje percebo que separação faz parte da vida de todos. Seja de um casal, amigos, familiares, colegas de trabalho, locais ou qualquer outra coisa. Creio que, para mim, visto desse ponto, a separação passa a ser algo mais palatável.

Mas por que pensei isso hoje? Na verdade, vinha pensando nisso durante toda a semana, desde que vi a mensagem de separação de uma das bandas que mais admiro, o R.E.M.

Para mim, uma grande surpresa acompanhada de uma sensação de vazio. Vinha me preparando para ver um show deles assim que marcassem, mesmo que fosse fora do país como já fiz antes e até hoje não me arrependo (os estragos financeiros podem ser resolvidos com apertos orçamentários) e eu não consigo lembrar outro momento na minha vida em que eu os estivesse ouvindo mais R.E.M. do que nesses últimos dois meses. Mas e agora?

A banda se foi e sonho (pelo menos meu) acabou – lembrando a celebre frase de quando a minha banda preferida acabou (essa, ainda bem, já conheci desfeita).

Fico aqui com Driver 8, The One I Love, Stand, Eletrolite, At My Most Beautiful, The Great Beyond, Feeling Gravity Pull, Cuyahoga, (Don’t Go Back) To Rockville, Losing My Religion, Carnival of Sorts, Leaving NY e tantas outras na minha trilha sonora! (continua)


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Todos gostam, menos eu - Top 5

Música precisa tocar você e não, simplesmente, a gente tocar a música!
Estava mais uma vez pensando em música, o que acontece várias vezes durante o dia e cheguei a mais um Top-5, porém um diferente... queria apontar aqueles nomes que todo mundo, aparentemente, gosta, menos eu! Aí vai...

Elvis Presley
Precisei chegar aos trinta anos para poder admitir que não gosto de Elvis. Tenho algumas coisas dele, uma ou outra música eu ainda escuto e sei, que para um fã de rock dos anos 60 e 70, não gostar de Elvis é um pecado. Mas eu não gosto. Pronto! Disse!

Nação Zumbi
Onipresentes na minha adolescência em Recife nos anos 90, Chico Science e sua banda eram quase unanimidade. Mas eu nunca consegui ouvir um disco deles. Em alguns momentos, eu até me forcei a gostar, até desistir e hoje poder dizer: “Eu não gosto da Nação Zumbi”! Sinto-me mais leve agora. To gostado de fazer essa lista...

Iron Maiden
Esse nome me persegue desde que eu comecei a ouvir rock’n’roll. Me dói quando preciso responder que gosto de rock e as pessoas perguntam: “Iron Maiden”? Não!!!! Não gosto do Iron, mesmo que eles estejam como um dos nomes mais importantes. Não gosto da voz de Dickson, não gosto das guitarras aceleradas e nem mesmo do Eddie. Iron definitivamente não é pra mim...

Red Hot Chilli Peppers
Outro nome que me persegue desde os anos 90, em que o clipe de "Give It Away" tocava diariamente na ainda boa MTV. Nunca gostei e ainda tive que agüentar o disco Californication tocando até em consultório médico. Dessa banda, nada me chama atenção.

Marisa Monte
Repertório muito bom, voz diferenciada, presença de palco, inteligente... Essa é Mariza, mas eu não consigo gostar. Lembro do clipe “Segue o Seco” que achei muito interessante, cheguei até a ganhar o cd “Barulhinho Bom” que passei em frente sem remorso. Com os Tribalistas, ficou claro que eu nunca irei gostar mesmo...
Reconheço o talento e importância de cada um... Mas com o tempo, venho separando o que “gosto” do que “devo gostar”.

Parte 2, aqui

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Billie Holiday, a Loira e Eu

Sabe dessas noites que a gente acha que não vai dar em nada? Que vamos apenas esperar o tempo passar e dormir? Pois é... estava eu sozinho em casa, nada pra fazer, nem os vizinhos que sempre aperreio estavam lá...

Mas aí apareceu a loira e, inesperadamente, me convidou pra passar a noite com ela. Não era qualquer loira, dessas que a gente vê, genericamente, por aí, era a loira Original. Aceitei, claro!

Acompanhando a loira, veio a voz da negra. Não era qualquer negra, dessas falsas que a gente escuta por aí, era Billie Holiday!

Noite inesquecível... Billie Holiday cantou pra gente e nós interagimos até o amanhecer...

Que loira! Que negra!

domingo, 4 de setembro de 2011

Deixe a Liberdade Cantar!



Que a música é importante, creio que ninguém discorda. Mas que ainda não temos estudos que entendam sua profundidade e importância na cultura mundial é fato.
Alguns livros e documentários tentam suprir essa lacuna. Venho lendo algumas coisas bem interessante, mas percebo que os documentários causam impactos maiores.
Recentemente, finalizei a série The Blues, produzida por Martin Scorcese e fui tentando, aos poucos, aprofundar meu pouco conhecimento no Blues, Jazz e Soul. Assim, nomes que eu pouco conhecia como B.B. King, Muddy Waters, Billie Holliday, Miles Davis, Stevie Wonder e Marvin Gaye têm feito parte do meu cotidiano.
A partir disso, venho tentando entender os contextos e influências dos estilos oriundos das comunidades negras norte-americanas. Foi com esse pensamento que assisti o excelente “Cantando a Liberdade” de Jon Goodman, documentário que nem sabia da existência até hoje.
Com depoimentos de músicos, políticos, escritores, produtores e compositores que participaram direta ou indiretamente da música negra, Let Freedom Sing (original em inglês) teve o foco em como os negros usaram a música para contar sua própria história desde o século XIX até a eleição de Barack Obama, passando pelos anos 30 e 40; a chegada ao rádio; como influenciaram o rock´n´roll; a gravadora Motown e o hip-hop. Uma viagem musical como nunca vi antes!
Terminei, e logo fui pesquisar sobre ele na Internet, claro. Para minha surpresa, não há edição brasileira em DVD, resta apenas a importada. Mas vale à pena. Preciso ter esse documentário na minha coleção.
A viagem pelo Blues, Jazz e Soul só tem me trazido gratas surpresas e informações preciosas para entender um pouco do Século XX e é muito bom saber que posso fazer isso pela música.  

domingo, 28 de agosto de 2011

Livre arbítrio é no Google!

“E vocês não estão dançando, né? Mas eu entendo... todo mundo tem livre arbítrio... depois vocês pesquisam no Google o que quer dizer livre arbítrio”.

Foram com essas palavras que o ex-Replicantes, Wander Wildner, encerrou a minha participação no Festival Raiz & Remix em Petrolina.

Bem que poderia ter terminado de uma maneira mais agradável, afinal, eu estava ali pra ver o show dele e aguentei um monte de coisa que não me atraem muito.

Mas é assim... Espero que nos próximos shows ele encontre a platéia que deseja e caso não aconteça, que tenha educação e respeito pelos presentes. Afinal, o show dele nem bom estava...

Better luck next time!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Esperando George Harrison!

Eu já comentei aqui que George Harrison é meu Beatle preferido. Tudo começou quando ouvi o Revolver pela primeira vez e as suas músicas realmente tiveram um impacto bem maior que as de Paul ou John naquele disco.
Quando ele morreu, eu realmente senti como se fosse alguém da minha família... Bom, pelo menos eu tinha um carinho muito grande pelo músico que ele foi e quanto mais eu conhecia da sua vida, mais o admirava... Saber que alguém assim morreu causa impacto...
Fiquei muito feliz quando soube que Martin Scorcese assumiu a direção de um documentário sobre ele, afinal, depois do belíssimo trabalho em No Direction Home falando sobre Bob Dylan, só poderia esperar o melhor...
Ontem foi divulgado o primeiro trailer... Fantástico, belíssimo, emocionante... A ansiedade só aumentou...
Esperando Living In The Material World


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A sinceridade em Vida! Uma aula de Keith Richards


Tem gente que confunde sinceridade com crueldade. Algumas vezes dizem “verdades” e se orgulham disso usando sempre “desculpe, mas prefiro ser sincero”. Eu não gosto dessa prática.

Para mim, ficou ainda mais claro entender essa diferença ao ler a biografia de Keith Richards, “Vida”. Contada em primeira pessoa, mas com a ajuda do escritor James Fox. Keith narra sua vida com uma riqueza de detalhes impressionante e tudo de maneira muito objetiva, natural e sincera.

A vida com seus quatro filhos, tendo o mais velho cuidado dele em vários momentos de uso de drogas; seu relacionamento conturbado com Mick Jagger; o casamento com Anita Pallenberg; seu processo de composição, as inseguranças como músico e vocalista; as desilusões; Gram Parsons e Bobby Keys, seus melhores amigos e, principalmente, o seu envolvimento com as drogas. Aliás, ele fala mais de drogas do que de música.

Não é uma biografia dos Rolling Stones, quem for esperar por isso ficará frustrado. Em vários momentos, ele nem fala da banda. A biografia faz jus ao título. É a VIDA dele mesmo.

Do menino de classe média de Dartford até o senhor que gosta de cozinhar em Connecticut, nos, Keef (como também é chamado) apresenta uma biografia excelente.

Aqui vai uma pequena lista do que ele apresenta:


Drogou-se de 1964 até os anos 90, o pior vício foi de heroína que largou em 1982.

É dele Ruby Tuesday, Angie, Satisfaction e Start Me Up!

Não gostava de transar com uma mulher sem ter um envolvimento afetivo.

Ama Mick Jagger, mas não entende seu comportamento e ainda diz que ele é muito inseguro, trabalhador, talentoso e tem o pinto pequeno.

Não tem lá muita consideração a Bill Wyman e Mick Taylor e admira muito Ronnie Wood e Charlie Watts.

A sua segunda banda, X-Pensive Winos é quase tão importante para ele como os Stones.

Conheceu música com o avô Gus que dizia pra ele não ouvir música. E escutava música através de uma rádio pirata.

Vida é uma biografia mesmo, não esses caça-níqueis que colocam no mercado. É pra ler suas 672 páginas e ter em casa!


terça-feira, 2 de agosto de 2011

A "rivalidade" dos anos 60 com cara de século XXI


Algumas idéias são tão óbvias e mesmo assim não acontecem. Já tinha dito isso antes quando me referia ao Across The Universe e um dos temas mais discutidos quando se fala do rock dos anos 60, é a rivalidade entre Beatles e Rolling Stones.

O tema é onipresente nos textos que tratam de qualquer uma das bandas como em revistas, jornais, documentários, debates, enfim... Mas não existia um livro para tratar exclusivamente do assunto. Eis que essa lacuna é preenchida com “The Beatles Vs The Rolling Stones – A Grande Rivalidade do Rock’n’Roll” de Jim Derogatis e Greg Kot.

O livro é primoroso nas mais de 190 páginas de imagens, quase todas em cores com excelente qualidade, além de muita informação. É um convite para o deleite dos fãs, sejam mais recentes ou die hard e ainda atendem os curiosos. O primor começa com a capa dura e uma imagem em 3D em que os Beatles se transformam em Stones dependendo do ângulo que você vê.

Mas nem tudo é perfeito, como a premissa ou o pretexto do livro é a rivalidade entre as bandas, algo que todos os membros já desmentiram, o texto parece forçado e quase sempre faz comparações equivocadas.

Os capítulos são:

1 – Criando Mitos – como a imagem de cada banda foi construída com suas influências musicais e trabalho dos empresários – na minha opinião o melhor capítulo.

2 – O cantor, não a canção – uma comparação entre Mick Jagger, John Lennon e Paul McCartney como vocalistas – advinha quem perde feio? Pobre Mick...

3 – Nada é real – a psicodelia de cada banda.

4 – Eu sou o cara da guitarra – mais uma comparação, dessa vez entre George Harrison, John Lennon, Keith Richards, Brian Jones e Mick Taylor! Putz... Se eu fosse músico, certamente detestaria esse capítulo de tão superficial que é.

5 – Os alguns duplos – imaginem comparar o Exile On Main St com o Álbum Branco? Os discos são tão diferentes que é impossível traçar um paralelo que não seja apenas... serem discos duplos!

6 – Entendo as bases – compara Paul McCartney a Bill Wyman como baixistas, advinha quem perde? Pobre Bill...

7 – Palmas para o baterista – mais uma comparação, dessa vez entre Ringo Starr e Charlie Watts – acho que a única que não fica forçada porque o estilo diferente de cada baterista, de certa forma, moldou o estilo das bandas.

8 – And in the end, the Love you make... Etc. Etc. – fala sobre como vivenciaram o fim dos anos 60, com os Beatles se desintegrando e os Stones se renovando. O segundo melhor capítulo.

A ideia é ótima, mas o que torna essas bandas ícones do rock não é o individual e sim o coletivo, isso foi pouco explorado. As comparações ficam mais para fãs em bate-papos do que jornalistas teoricamente conhecedores escrevendo um livro. No fim, os capítulos 1 e 8 se mostram interessantes, os demais são realmente desnecessários.

O trabalho gráfico compensa e torna o livro recomendável para quem gosta das bandas. Se você quer ter apenas um livro bonito em casa ou quer dar um presente legal, adquira esse. Acredito que, nesse contexto, o conteúdo dos textos é desnecessário. Afinal, o século XXI tem visto uma atenção maior ao visual do que ao conteúdo.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A Torcida e seu fetiche!


Domingo à tarde, 42.584 pessoas se juntam num estádio para ver um jogo de futebol e falar sobre as 42.584 pessoas!!!


Esse fenômeno não é mais novidade. O que se diz e se mostra sobre o amor da torcida do Santa Cruz pelo seu time é algo cada vez mais presente em todas as mídias.


O que me chama atenção é que o assunto “torcida” é mais frequente que o futebol da equipe. Creio que o jogo tenha até se transformado no pretexto pra se juntar todas as pessoas e ficarem olhando umas para outras se admirando. É um novo narcisismo! O "Eu" que se vê, na verdade é o outro, mas é como se todos fossem um ou uma, a torcida! A TORCIDA!


Ah... o jogo foi Santa Cruz 0 x 0 Guarani-CE, isso é importante. Afinal, Série D, time desconhecido e... vejam só... 42.584. A torcida não saiu de campo comemorando uma vitória, aliás, aplaudiu acertadamente o seu time, mas saiu comemorando mais uma vez o maior público do Brasil!


Parabéns a torcida do Santa Cruz! Parabéns para mim, fui um dos que agora descrevo...

terça-feira, 19 de julho de 2011

- Vôo 1388, tudo certo? - Bom, veja bem...

Chegando à sala de embarque, o vôo “Atrasado”, mas até aí tudo bem, fiquei lendo a biografia de Keith Richards que eu estava ainda na página 450... “Aeronave no pátio”, mais alguns momentos e embarca-se... “Embarque autorizado” apenas 50 minutos após o previsto, mas tudo bem, to me divertindo com o livro, estou na parte que ele explica como se livrou das drogas...

“Embarque finalizado”, “Tripulação preparar para decolagem” e... O avião se moveu um pouco, chegou à cabeceira da pista e... Nada... Depois de quase 10 minutos, vem a voz do comandante “prezados passageiros, solicitamos a compreensão de todos sobre o atraso que teremos em função de uma peça no nosso painel que não está funcionando bem, voltaremos para resolver o problema e, assim que possível, seguiremos nossa viagem”...

Na verdade foi como uma bomba...

Escutar isso em um avião dias após de um ter caído em Recife deixa qualquer um preocupado, principalmente o passageiro (Eu) que estava segundo para Recife. Mas mantive a calma, o mesmo não pode ser dito sobre uma mulher que logo começou a dizer que não queria mais seguir naquele avião... E outra que alegou que perderia a conexão para Goiânia... E mais um que tinha hora para chegar no Rio porque pegaria outro vôo, por outra companhia para Aracaju...

O avião pára, abre-se a porta, entra gente, sai gente... A mulher que não queria mais seguir começa a fazer mais barulho, a de Goiânia fica histérica e o de Aracaju fica andando pelos corredores contando sua história... Eu não tiro a razão de ninguém, mas como as pessoas são arrogantes quando estão num ambiente que, aparentemente, só as classes mais favorecidas frequentam... Patético!

Um dos funcionários entra no avião para explicar como são os procedimentos para casos como esse, explicando as regras da ANAC, mas só causa ainda mais indignação por parte dos três personagens...

Sai que não deveria viajar, as portas se fecham, “Tripulação preparar para decolagem” e, no caminho entre São Paulo e Rio de Janeiro, a mulher de Goiânia passou mal alegando falta de ar... Minutos depois, outra mulher, que nada tinha falado até o momento, começou a chorar compulsivamente e bem alto!!! Todos no avião aparentavam preocupação...

Que noite!!!

Chegando ao destino vou logo procurar a minha conexão, pois eu já estava atrasado... E quando chego ao portão... O vôo para Recife estava... “Atrasado”!

Ah... Preciso mencionar, o Aeroporto de Congonhas em São Paulo tem uma estrutura tão ruim que perde para a Rodoviária do Tietê na mesma cidade... O do Galeão, putz... Sem comentários de tão desconfortável... Cheguei em Recife, no aeroporto do acidente, duas horas após o previsto, tenso, com sono, vivo e aliviado.

O Brasil dá um show de incompetência aérea, das empresas, aeroportos, funcionários e passageiros...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

No Altas Horas!

Desde o Programa Livre que eu gosto e acompanho os programas de Serginho Groisman, então poder participar da gravação do Altas Horas foi uma possibilidade que eu nem pensei, aceitei de cara.

Chegamos no início da tarde e depois de ouvir várias vezes sobre o sistema de segurança e o padrão globo de qualidade, seguimos pro Estúdio 3, onde também gravam O Programa do Jô e o Faustão.


Mais um monte de instrução da produção e aparece, sem nenhuma cerimônia, um sorridente Serginho Groisman, batendo papo com as pessoas no auditório como se estivesse conversando com alguém no seu terraço. Reconheço que minha admiração por ele só cresceu depois da tarde do dia 07 de julho de 2011.



E os convidados?



Fernando Henrique Cardoso – discutindo sobre as drogas e, especificamente, a maconha – uma conversa aberta, mas um pouco vazia porque ele, quando era presidente, pouco fez além de reprimir o tráfico.


Lúcio Mauro Filho – uma simpatia desde o início, dedicou a maior parte do tempo a vender sua nova Peça de Teatro chamada “Clichê”.


Alex Átala – ex-punk e atual chef de cozinha de um dos dez melhores restaurantes do mundo. Era o menos conhecido, mas deu as melhores respostas.


Antonio Fagundes – talvez o mais festejado pela platéia, limitou-se a sorrir e responder de maneira politicamente correta o que lhe era perguntado.


Leandro Lehart – ex-Art Popular, foi a grande surpresa do programa (pelo menos pra mim), levando 28 músicos, transformou o estúdio num galpão de Escola de Samba, acho que foi o ponto alto da gravação.


RPM – reunidos pela enésima vez e parecendo tão forçado quanto as demais, conseguiu levantar a platéia mais jovem que pouco ou nada conhecia sobre eles e arrancar gritos das mulheres com mais de 30 anos.



Ainda tivemos a Laura Miller com as suas respostas sobre sexo com o ponto alto sobre a “transfusão de sexo”.



A Banda das Meninas foi o único ponto fraco, errando bastante... Mas acho que a beleza está acima da música, no caso delas...



Ah... e ainda teve o Seu Madruga, muito simpático, consegui tirar uma foto com ele, além de conversar bastante porque fiquei bem do seu lado...



Tudo é muito organizado, mesmo parecendo ser algo feito sem muitas exigências... Os funcionários recebem e tratam muito a platéia. Os produtores são um show a parte, atento a tudo o que acontece.



Enfim, foi uma tarde pra lembrar por muito tempo...



Ah, o programa vai ao ar na madrugada do dia 10 de julho!











quinta-feira, 30 de junho de 2011

Cosmópolis!

Acho que todo mundo tem uma cidade que gostaria de morar, mas que sabe que isso não vai acontecer por diversos motivos. Uma cidade que a gente se identifica e se sente bem.
No meu caso, creio que São Paulo seria essa cidade. Venho sempre por causa da família, mas me sinto, em alguns momentos, como se já fosse um residente.


Eu gosto da São Paulo de dia e de noite... Mercado Municipal, Ibirapuera, Av. Paulista, Galeria do Rock, Vale do Anhangabau, Vila Madalena, Memorial da América Latina, Estação da Luz, MASP... Nas lojas de discos e sebos de livros eu passo horas...



Eu acho muito bom estar numa cidade que nunca dorme, mesmo que ainda me surpreenda o trânsito infernal. Mas o melhor é ter praticamente tudo ao seu alcance. É ver a cultura do mundo todo aparecendo em cada esquina. Parece que São Paulo é bom, mesmo quando é ruim.

Como dizia o paulista Sérgio Britto: Entre prédios e avenidas, Pernas bocas coloridas, No chão onde você pisa, nesse carnaval, O tempo vira e não avisa, E é por você

Feriado nacional, Vida ainda e morte igual, Sol e chuva industrial,no Brasil, Param os carros no sinal, E é por você, e é por você, e é por você



Está escrito na sua testa - menina, Não tenho mesmo nada a perder, A cor da sua pele é que atesta - menina, A grama cresce e ninguém quer ver, Meu mundo sempre está pra nascer



Há um homem morto na calçada, Siga sem medo de nada, Pelo passo da mulata são tamborins, Na tevê a batucada, E é por você



Fogos artificiais, Tédio não me alcança mais, Nas manchetes dos jornais de amanhã, Pára o tempo e volta atrás, E é por você, e é por você, e é por você



Está escrito na sua testa - menina, Não tenho mesmo nada a perder, A cor da sua pele é que atesta - menina, A grama cresce e ninguém quer ver, Meu mundo sempre está pra nascer



Na maior capital, Sob o céu de concreto e o grito das buzinas, Na maior capital, Sob o aço do céu e o cheiro de gasolina, Na maior capital nordestina, Na maior capital nordestina,


Cosmópolis, necrópolis, Cosmópolis, necrópolis, São Paulo, São Paulo, São Paulo, São Paulo



São Paulo (Cosmópolis) - Sérgio Britto




quarta-feira, 22 de junho de 2011

Uma antiga cidade velha

Recife é uma cidade antiga quando comparamos às demais do Brasil, seus 474 anos comprovam isso. Mas hoje Recife está uma cidade velha.

Passei os últimos seis meses longe e, quando cheguei, me deparei com uma cidade com aspecto de lodo, lama e pinturas desgastadas pelas chuvas dos últimos meses. Mesmo os prédios novos que aquecem o absurdo mercado imobiliário parecem obras inacabadas há muito tempo.

A cidade que possui uma cultura referência no Brasil, hoje parece um local esquecido pelo tempo. Tire as pessoas da cidade e parece um cenário de filme pós-apocalíptico.

É uma pena, nunca vi a minha cidade natal assim.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Paul McCartney no Arruda!

Enquanto não acertam a vinda dele, vamos ao aniversário!!!

terça-feira, 7 de junho de 2011

1!

O nome veio de uma das minhas músicas preferidas de Chico Buarque e a imagem de fundo da minha bebida favorita. Mas a idéia surgiu da vontade de dizer um bocado de coisa e nem sempre ter o local pra colocar...

Hoje, após 51 postagens, o blog completa 1 ano!

Agradeço aos 29 seguidores e a todos que colocaram seus comentários ou apenas leram o que escrevi, bem como os colaboradores que gentilmente enviaram seus textos. Sou grato às pessoas que acessaram dos Estados Unidos, Holanda, Rússia, Alemanha, Canadá, Reino Unido, Dinamarca, Portugal e Angola... Mas, claro, a grande maioria do Brasil!!!

Não posso deixar de mencionar que o blog Jornália do Ed foi (e ainda é) de grande inspiração. Aliás, foi nesse blog que tive meu primeiro post publicado.

Vamos para o segundo ano!

Muito obrigado!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O que é sertão?

O sertão não é o Nordeste; esta é uma macrorregião definida politicamente a partir de critérios estabelecidos. O sertão não é o semiárido; esta é uma área com características próprias. O sertão não é um ecossistema ou um bioma. Não é a natureza que o define, mesmo que o homem precise, na maioria das vezes, se adaptar a ela.

E o que é sertão? O sertão é um conceito geográfico e para existir requer algumas condições.

O sertão não é um lugar definido e sim uma condição atribuída a diferentes lugares; não é uma materialidade da superfície terrestre, mas uma realidade simbólica construída com uma imagem à qual se associam valores culturais atribuídos historicamente; é um espaço qualificado para ser apropriado; uma área a ser colonizada e, por isso, não se caracteriza pela ação da sociedade sobre esse espaço.

O principio fundamental para a existência do sertão é a sua localização em oposição à outra. E, com isso, a criação de um espaço subordinado a ser conquistado (colonizado) e superado (modernizado).

O sertão pode ser visto como um espaço para a expansão capitalista, uma área de fundos territoriais e especulação fundiária; local de relações muito fortes e arraigadas entre o homem e a natureza; paisagem cinematográfica ou apenas uma região pobre e desconhecida.

Há algumas explicações sobre a origem da palavra sertão. Uma delas diz respeito a ser essa oriunda de “desertão” da aplicação original mato longe da costa, durante longo tempo aplicado a interiores. É importante observar que, quando pensada a palavra sertão (originada de desertão), reveste-se de um pseudossignificado.

Outra explicação diz que:


O termo mulcetão, de onde, naturalmente celtão e certão é corruptela, diz Frei Bernardo de Carnecatim, do puro angolado, mbunda ou simplesmente e classicamente bunda. Esse termo quer dizer propriamente mato e era empregado pela gente do interior da África Portuguesa. Tornou-se por isso designativo de mato longe da costa, como nas definições dos dicionários. Em seu sentido primeiro em língua bunda: “michitu, muchitu, muchitum; depois, mulcetão por influência lusa; afinal celtão e certão o interior das terras africanas coberto de mataria e nunca deserto grande. Essa origem falsa, à custa de ser apregoada, influiu na grafia da palavra, que passou a ser escrita com s (BARROSO, 1962, p. 12 apud RODRIGUES, 2004).

Com isso, podemos afirmar que o termo sertão já era usado pelo colonizador europeu mesmo antes da sua chegada ao Novo Mundo. A noção de sertão como lugar deserto ou longe da costa remete ao início da colonização.

Os primeiros séculos de colonização vão demonstrar um processo constante de entrada, domínio territorial e a partir da percepção do “desconhecido”, da “alteridade”, do “estrangeiro”, do “outro” que pressupõe a existência do “conhecido”, do “próprio”, do “pátrio”, do “eu” como ponto de referência (SILVA, 2010). É o início do sertão construído “de fora” para “dentro”.

O Brasil começa a pensar as estratégias geopolíticas de conhecer, ocupar, conectar e integrar o sertão ao litoral. O primeiro momento de ocupação do sertão, que dura desde as primeiras décadas de colonização até finais do século XVIII vai gerar uma série de ocupações no interior. A tendência em se ter os caminhos transformados em estradas e os pousos em vilas, criou toda uma ocupação peculiar, com uma cultura e uma identidade, que não era portuguesa e nem brasileira (litorânea).

Mas o projeto brasileiro de integração do sertão com o litoral procurou unir esses dois territórios a partir daquilo que os unificava, o idioma e a fé católica. A integração passou pela intensificação de um sistema de circulação e incorporação econômica, fato que contribuiu muito para o sertão ser visto como algo a ser superado.

Se, como afirma Andrade, o distanciamento criou, no sertão, uma civilização sui generis, o reencontro do sertão com o litoral trará fortes conflitos internos de grande repercussão, tal como A Guerra de Canudos e a tentativa frustrada da criação de um território alheio ao projeto de integração nacional.

Com a chegada do século XX e o aumento da facilidade de comunicação e locomoção, um “novo mundo” chega ao sertão ao mesmo tempo em que esse sertão também busca o mundo.O sertão não é mais um lugar regido pelo ambiente e sim uma construção social. Para cada sertão, uma identidade; para cada identidade, a necessidade de um estudo que procure se despojar dos conceitos pré-estabelecidos ou dos preconceitos. O sertão vem se tornando um objeto de estudo, e, sendo assim, um lugar de observação, síntese e análise de diversos estudos, que vêm crescendo, seja nas instituições de ensino ou em organizações não governamentais.

Na verdade, o sertão são os sertões, aquele que está na mente de cada um e desperta interesse de curiosos e estudiosos. Para além das obras clássicas de alguns autores, que contribuiu cada um, à sua maneira, para a criação e o estabelecimento de uma identidade sertaneja, cabe atualmente entender e refletir sobre essas identidades.

Trecho do livro "Simpatia - histórias, memórias e identidades no sertão" a ser lançado em agosto de 2011. Aguardem!

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