sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O Retorno do CD e o Reencontro com o Copo



Eu tive um CD do Eagles chamado Hotel California, não era um disco muito bom, o que salvava era a música título, um clássico. Comprado numa manhã de sábado, ouvido pela primeira vez numa tarde de sábado e vendido em fins de 1999, quando eu passava por um aperto financeiro.

Pois bem, ontem estava numa das mais tradicionais lojas de Recife, a Disco de Ouro, com alguns amigos, quando vi um CD igual por apenas R$10,00. No impulso, comprei. Afinal, o valor era muito baixo e não pesaria no meu bolso naquele momento.

Era o mesmo CD! Impressionante, depois de mais de 12 anos ele retornou para mim. Como eu sei que é o mesmo? Os amassados do encarte, o selo Best Price na caixa de acrílico e um arranhado no disco. Detalhes que não passavam despercebidos quando eu manuseava os CD´s quase diariamente.

Foi uma sensação estranha, afinal, quantas pessoas o tiveram em suas mãos? Quem gostou, quem não gostou? Será que ele ficou naquela loja durante todo esse tempo (realmente não lembro onde vendi)? Essas perguntas agora ficarão na minha mente... Mas uma coisa é certa, ele ficará na minha coleção.

Curioso que duas semanas atrás, encontrei um copo idêntico a um que tinha e foi quebrado por uma amiga do meu irmão. Era da cerveja Hoegaarden, um copo com história (um amigo me deu na Inglaterra, depois de eu ter bebido uma pint nele – era do pub onde ele trabalhava e eu visitava). Ele não tinha permissão para me dar de presente, mas o momento – reencontro de dois amigos – ficou simbolizado por aquele gesto. Hoje eu tenho um copo idêntico. Encontrado em Caruaru! Serve de alento.

Janeiro vai terminar com a volta do CD que tinha sido meu e a substituição do copo que tanto gostava. Coisas pequenas, aparentemente sem importância, mas com grande significado nas lembranças.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Uma conquista humana chamada David Bowie


Não há como entender bem Bowie. Talvez a chave seja apenas entender a idéia de Bowie, o homem – doente, às vezes assustado, um pouco lento, que possivelmente nunca mais grave ou faça turnês. Ver tudo que ele conquistou como simplesmente uma grande conquista humana
É assim que Marc Spitz termina “Bowie – A Biografia”. Após 430 páginas em que procura investigar, refletir e relatar vida e obra de David Jones, o David Bowie, ele se rende a essa impossibilidade ou apenas reconhece que entender Bowie seja impossível.
Mas possível e altamente recomendável é essa biografia. Coloco entre as minhas favoritas. Spitz, diferente de Howard Sounes, não enfatiza sua pesquisa apenas nas pessoas que saíram de forma negativa da vida do biografado. Ele lê outras biografias; conversa com diversas pessoas (incluindo pequenas biografias de cada um no texto, para apresentar sua importância na vida de Bowie); entende cada disco e visita os locais que Bowie viveu.
Vai além quando coloca algumas passagens extremamente pessoais dentro do texto. Deixa claro que é fã e que isso pode atrapalhar sua empreitada, mas escreve um texto que retrata o Bowie humano e o Bowie mito.
O Bowie humano que saiu de uma família pobre de subúrbio com uma mãe fria, pai encorajador e irmão deficiente mental; que conheceu música quando criança (como a grande maioria dos músicos ingleses da sua época) através de rádios que tocavam blues e rock’n’roll estadunidense; que logo na adolescência se interessou por arte e sexo na mesma intensidade; que precisou lidar com os várias frustrações no início da carreira; que ficou paranóico no auge da fama; que teve poucos mais duradouros relacionamentos, mesmo que a infidelidade fosse algo tão frequente que destruiu quase todos; que usou várias pessoas para atingir seus objetivos (o texto relata muito bem isso) e que hoje luta contra uma doença que, provavelmente, o deixa há quase 10 anos sem lançar um novo trabalho.
Mas há também o Bowie mito. O garoto mod que se transformou em hyppie; que criou o Ziggy Stardust e depois o destruiu no auge; que saiu do glitter e purpurina para adentrar na soul music; que criou alguns dos discos mais interessantes da história da música; que inventou o pop dos anos 80 em 1977 com a sua trilogia de álbuns alemães e, posteriormente, reinventando esse mesmo pop em 1983; que criou uma banda chamada Tin Machine mesmo quando não fazia sentido; que entrou de cabeça no drum’n’base e música eletrônica dos anos 90 e terminou essa década com seu álbum mais introspectivo. O livro apresenta o processo de criação da obra (tanto a parte musical como o conceito pensado por trás de cada novo momento) e contextualiza todas as pessoas e influências que fizeram parte da sua vida.
A lista de nomes influenciados por ele é enorme, eis alguns: U2, The Cure, Smiths, Placebo, Blondie, Madonna, Bauhaus, Lou Reed, Iggy Pop, Mick Jagger, T-Rex, Queen, Nine Inch Nails... Chegou, inclusive, a trabalhar com alguns desses.
Rock, Soul, Blues, Pop, Dance... tudo num só artista.
Além da música, Bowie se envolveu com teatro, cinema e mímica; foi pioneiro no uso da Internet; no relançamento de catálogo de discos; na androgenia e na coragem de se reinventar a cada momento.
Um dos artistas mais completos, mais relevantes e ainda assim, dos mais difíceis de entender. Esse é o Bowie retratado por Marc Spitz. Sem dúvida, uma conquista humana.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Super-deluxe-deffinitive-plus-extra-bonus-immersion-box-set

Que o CD caminha para a extinção, é quase consenso. Os downloads vêm destruindo, na última década, o formato que seria “definitivo” para a música. Depois de algumas tentativas frustradas de lutar contra os downloads, a indústria fonográfica percebeu que o melhor seria “agregar” valor aos CD´s e assim os Boxes e as “edições de colecionador” nasceram!

Como todo o mercado precisa ser aquecido com freqüência, vemos anualmente dezenas de edições “deluxe-deffinitive-plus-extra-bonus-immersion-box set”. Isso deixa os colecionadores felizes e tristes. A felicidade vem de ter “a edição”, mas normalmente elas são caras, o que dificulta sua aquisição.
Nomes como Beatles, Pink Floyd, Queen, John Lennon, Rolling Stones e Led Zeppelin já tiveram diversos lançamentos dos mesmos itens. No Brasil, Chico Buarque, Gilberto Gil, Cazuza e Legião Urbana aderiram ao formato Box.

Porém, a grande novidade iniciada poucos anos atrás e agora quase onipresente é a edição extremamente recheada de discos importantes. Nesses últimos dois anos, Pink Floyd (Dark Side Of The Moon), The Who (Quadrophenia), Nirvana (Nevermind), Beach Boys (Smile) e U2 (Achtung Baby) chamam atenção. Essas edições são muito caras, variando entre U$100,00 a U$500,00, quando chegam ao Brasil, custam até R$1.600,00!

Normalmente, são cheias de discos, fotos, réplicas de ingressos e livros que são itens interessantes de se ter, porém algumas edições acompanham coisas como bola de gude, echarpe ou faixas com ruídos que seriam o embrião de alguma música. Os colecionadores correm para adquirir sua cópia e a indústria fonográfica encontrou um novo filão para lucrar.
Mas fica uma pergunta incômoda: será que um disco vale tanto dinheiro?






segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Rock'n'roll (AO VIVO) na mente!

Morando no sertão, sou olhado como um ET. “Como assim você não dança forró?”, “Ah... você gosta de rock? Eu também, adoro NX Zero”, “Blues é o que mesmo?”

SOCORRO!!!

Das coisas que mais sinto falta morando numa cidade do sertão, ouvir rock’n’roll ao vivo está no topo da lista. Não, eu não gosto de forró, axé, pagode, brega (e derivados). Tem que ser rock, ou sua matriz, o blues.

Cansei de música de barzinho, eu quero ouvir Beatles, Pink Floyd, Led Zeppelin, Jimi Hendrix, Rolling Stones, Eric Clapton, Bob Dylan, BB King e mais um monte de gente... Morando em Recife, essa era minha rotina de fins de semana e, em muitos momentos, durante a semana.

Sinto falta do barulho alto das guitarras e baterias. Da pulsação do baixo. Do teclado bem tocado. De alguém que realmente sabe cantar... E do repertório... Claro! Faz falta o ambiente escuro, as pessoas vibrando ao ouvir uma das suas músicas preferidas, o bom efeito da bebida alcólica e, principalmente, as melhores companhias. É legal poder estar num lugar em que as pessoas gostam das mesmas coisas... Como eu sinto falta disso!

No último sábado, pude matar um pouco da saudade... Quase dá vontade de morar em Recife novamente. Que cidade rock’n’roll. Obrigado Downtown Pub e On The Run (Belo tributo a Paul McCartney) pela melhor noite de 2012 até o momento.

Agora é revisitar todos os outros locais que me fazem falta até dia 31, rock’n’roll ao vivo na mente!


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Meia intimidade com Macca

Chegam as férias e eu posso ler aquilo que mais gosto: biografias! Já foram duas até o momento, vamos a primeira.


Cansado de ler ensaios, resenha, artigos, enfim... coisas curtas sobre Paul McCartney, sempre senti falta de um livro sobre ele. Há o excelente Many Years From Now, de Barry Miles, mas é uma biografia oficial que cobre basicamente os anos 60. Então, o livro “Fab – A intimidade de Paul McCartney” me chamou atenção. Seu autor, Howard Sounes, havia entrevistado mais de 200 pessoas e escrito um trabalho que cobria do nascimento até o início de 2009 do maior artista vivo atualmente.


Não li a primeira parte que tratava da sua vida até o fim dos Beatles, eu queria saber do Paul pós-anos 60 (por isso o meia intimidade). Aquele que eu conheço menos. Quanto a isso, o livro é bastante rico em informação e análise. São mais de 300 páginas que tratam da sua depressão com o fim dos Beatles; as diversas formações da sua segunda banda, Wings; seu casamento e dependência de Linda; seu encontro com artistas como Stevie Wonder, Eric Stewart, Elvis Costello e Michael Jackson; a vida mais reclusa dos anos 80; o envolvimento com a música clássica; seu relacionamento com a família (a “parentada” como coloca o autor); a volta às turnês mundiais; o projeto Anthology; a doença e morte de Linda (certamente a parte mais bonita da biografia); seu segundo casamento e os problemas do divórcio ~ entre tantas outras coisas.


Mas esse trabalho não é apenas uma apresentação sucessiva da vida de Sir Paul, é uma constante análise do seu comportamento e, em menos intensidade, da sua obra. Usando o disfarce de imparcial, Howard Sounes, deixa claro que não gosta de Paul McCartney. Nesse sentido, há o bom e ruim. É ruim porque há sempre uma opinião tendenciosa de mostrar que Paul não é a figura de bom moço “construída” nos anos 60 e reforçada nas décadas seguinte. O lado bom é que temos um Paul mais humano, um cidadão com inseguranças, desconfianças e problemas de relacionamento como qualquer um e não a figura ícone do século XX que ainda hoje está nos palcos tocando para milhares.


O problema é fazer isso apenas apresentando fatos. Esse é o grande problema do livro. Não há uma investigação da personalidade de McCartney que pudesse explicar seu comportamento e, com isso, o livro é falho. A escolha das fontes foi a pior possível. Basicamente foram entrevistadas pessoas que passaram pela vida de Paul e saíram com alguma mágoa... Mas acho que esse é o caso da grande maioria das biografias não autorizadas.


Ao me aproximar do fim do livro, entendi o porquê e da palavra “intimidade” no título. O momento que mais tem destaque é o divórcio que Paul vivenciou há alguns anos e Howard narra com a destreza de um jornalista de tablóide. A biografia é altamente recomendada para quem quer saber mais da vida de Paul McCartney (e não da sua obra), possui uma leitura ágil e atraente, mas deixo aqui essas ressalvas.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Aquela canção da Cássia

Eu lembro daquela mulher... Entrou no palco com a cabeça raspada, camiseta e mostrando a língua para o público. Foi a primeira vez que a vi na minha frente. Cássia Eller começava seu show em Recife e eu já adorava seu trabalho há anos.

A sua presença de palco me causava grande admiração, seu repertório acompanhava meus dias e sua voz alternando a potência de um grito com a suavidade de um sussurro me arrepiavam. Cássia estava no seu melhor, sendo reconhecida pelo seu trabalho e respeitada por crítica e público. Mas naquele 29 de dezembro de 2001 ela foi embora.

Entre as coisas mais lindas que ela deixou, fico com seu sorrido e sua obra.

E hoje, 10 anos depois da sua partida, fico com aquela canção da Cássia.



domingo, 25 de dezembro de 2011

Um Top 5 de 2011


Com o fim do ano, a gente sempre pensa no que mais fez... Esse post é mais um Top-5, dessa vez sobre 2011. O que mais me impressionou

Nas letras:


Vida – Keith Richards (A melhor briografia que li)

Bowie – Marc Spitz (Outra excelente biografia)
Living In The Material World – Olivia Harrison (Livro basicamente de imagens raras do meu beatle preferido)
Milton Santos e o Brasil – Vários autores (O livro que mais teve minha atenção)
Passo A Passo (Francês) – Charles Berlitz (Uma excelente descoberta para quem pretender aprender esse idioma)


No som:


Your Love is Forever - George Harrison (Uma pérola que até pouco tempo não tinha dado atenção)

Who Feels Love – Oasis (Acho que a música que mais ouvi em 2011)
It Don´t Came Easy - Ringo Starr (Celebrando um beatle em Recife)
Eletrolite - R.E.M. (A música do ano)
I´ll Play The Blues For You - Albert King (Descobrindo o Blues através dela)


Na Imagem:


Life On Mars – Série (Sem dúvida, umas das melhores séries que já vi)
Living In The Material World – Documentário (Esperava mais, mas o pouco foi suficiente)
Anos Incríveis – Série (Depois de anos, finalmente assisti tudo)
Cantando a Liberdade – Documentário (Uma grata surpresa, numa noite de domingo)
Tropa de Elite 2 – Filme (Me rendi a um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos)


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Acabem com o Barcelona! Não?!?!?

Eu não assisti ao jogo ao vivo porque o sono que me acompanha nas manhãs de domingo e a vontade de assistir a partida já sabendo do resultado me impediram. O “vareio” que o Barcelona deu no Santos não me surpreendeu, mas alguns brasileiros ficaram incrédulos...
Vejo brasileiros procurando um bode expiatório para a derrota do time de Neymar e Murici, a zaga não jogou bem; o ataque não funcionou; o meio campo sumiu, principalmente o tão badalado Ganso; o técnico não soube armar a equipe e faltou raça. Há aqueles que pregam uma revolução no futebol brasileiro. Estamos fazendo tudo errado! Futebol é o que o Barcelona faz, vamos lá aprender...
Mas esse Barcelona não pode ser parâmetro para o futebol! E não digo isso porque não gosto do futebol que eles praticam, pelo contrário. A conjuntura que criou essa equipe não acontece com facilidade. Eles subverteram as “leis” atuais do futebol.
Os resultados contra o Manchester United na final da Champions League, as seguidas vitórias contra seu maior rival, o Real Madrid e aula de tática e técnica dada sobre o Santos sustentam isso. Soma-se a isso o fato de ganharem 13 títulos em 16 disputados nos últimos 3 anos. É um time de espetáculo e resultado! Isso é possível! Então, não acho que seja assim tão fácil copiá-lo, mesmo que queiramos.
Seu técnico, extremamente sereno e tranqüilo, afirma que 9 jogadores vieram das categorias de base e, com uma humildade impressionante, diz que deu ouvido ao seu pai e avô que falavam da maneira que os brasileiros jogavam no passado... Já disse aqui antes, esse time é de Guardiola! E ele cada vez mais desperta minha admiração.
Para o futebol voltar ao “normal”, o Barcelona precisa acabar. É o time que precisa ser batido e abatido! Pelo bem do futebol como um todo, isso é necessário, pelo bem do futebol como um todo, mantenham essa equipe! Não?!?!?

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A Imersão - Parte 1! (O Lado Escuro)


Eu nunca concordei que o Pink Floyd fosse chamado de banda de rock progressivo. Acho que eles possuem algumas músicas que assim podem ser chamadas como Echoes, Shine On Your Crazy Doamonds, Dogs e Atom Heart Mother. Mas daí a ser uma banda como o Genesis, Yes e Emerson, Lake & Palmer é bem diferente. Creio que por falta de um rótulo mais óbvio, progressivo foi o melhor.
Hoje, tenho certeza que o Pink Floyd não é uma banda de progressivo. Passei a noite degustando o Box The Immersion Set do Dark Side of The Moon que, entre tantas coisas, contém 3 cd’s, 2 dvd’s e 1 blu-ray com apresentações ao vivo, documentário e várias possibilidade de áudio (LPCM, 5.1 e Quad Mix ) para se ouvir o disco.
Porém, o que mais me chamou atenção foi uma versão do álbum anterior ao que chegou ao mercado. Essa versão do Dark Side of The Moon, de fato, é progressiva. Em alguns momentos se parece com o melhor material das bandas que citei acima. Mas o grande diferencial é o acabamento.
O Dark Side que adoramos é uma das obras mais bem acabadas da história da música desde que o homem começou a compor. Qualquer descrição aqui é insuficiente quando comparamos as duas versões. É preciso apreciá-las. O Pink Floyd já havia criado uma obra genial, mas a transformou em algo superior...
O que me deixa ainda mais impressionado, é que esse nem é meu disco preferido deles. Esse posto fica com o Wish You Were Here por razões extremamente sentimentais.

Parte 2, aqui
Parte 3, aqui

sábado, 10 de dezembro de 2011

Eu vi o carrossel!

Hoje eu vejo o carrossel. Sem dúvida, o melhor time do século XXI.

O Barcelona não é de Messi, Xavi, Iniesta e Puyol. O time é de Pep Guardiola! Digo isso, sem medo. Guardiola vem dando uma aula de conhecimento técnico e, principalmente, tático. Não há José Mourinho ou Alex Ferguson que se compare à sua capacidade de organizar um time. Até mesmo quando perde, tem maior posse de bola. Vem ganhando títulos após títulos.

Soma-se isso as seguidas vitórias sobre seu maior rival, o bilionário Real Madrid. Vitórias incontestáveis, domínio absoluto com tempo para dar uma aula de futebol no final de cada partida, seja no seu campo ou no adversário.

Os jogadores trocam de posição o tempo todo, uma reinvenção muito melhorada do carrossel holandês dos anos 70. Os toques de bolas parecem de vídeo-game e a quantidade de alternativas de jogadas é impressionante.

Dá gosto de ver os jogos do Barcelona e em pensar que esse é um time que sempre tive ressalvas. Hoje fico maravilhado. Viva o futebol, viva Guardiola!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Não se faça de vitima!

Depois de falar sobre o “desabafador profissional”, refiro-me agora àquelas pessoas que adoram “se fazer de vitima”. Todo mundo conhece alguém assim, tenho certeza.

Normalmente, tentam atrair a simpatia dos outros aravés da pena que as pessoas podem desenvolver depois de ouvir suas lamúrias. E isso nada tem a ver com condição financeira ou as dificuldades que a vida impõe a cada pessoa.

O “se faz de vitima” geralmente exagera seus problema; acham que todos o perseguem; levanta falso; faz conjecturas equivocadas e tentam chamar atenção o tempo todo. É um inseguro por natureza!

Soma-se a isso o fato de não se preocuparem com a vida dos outros, afinal, a dele é a mais importante, ou como poderão dizer “é mais problemática”. Interessante que esse comportamento nunca acaba, mesmo que tudo esteja bem. Afinal, o “se faz de vitima” nunca está satisfeito, é um egoísta dos bons, mas se você disser isso, certamente ficarão chateado e contarão aos outros como você é insensível.

Conviver com pessoas assim é estar pisando em ovos o tempo todo, pois nunca sabemos quando eles vão “surtar” ou ficarem “chateados” com alguma coisa que fazemos ou dizemos.

Se você convive com alguém assim, fuja! É que faço... Se você é uma pessoa assim, veja a imagem abaixo e APRENDA!!!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Aquela canção de John!

O dia 8 de dezembro é sempre lembrado com tristeza, afinal, um doido assassinou John Lennon há 31 anos. Entre textos e fotos que falam da sua vida e obra sempre que essa data se apresenta, pouco se diz de novo, mas muito se fala com emoção.

E emoção sempre esteve presente na vida do fundador dos Quarrymen. E como todo mundo tem aquela canção que mais emociona...

Mind Gemes é a aquela canção que mais me emociona.





Mind Games

We're playing those mind games together
Pushing the barriers, planting seeds
Playing the mind guerrilla
Chanting the mantra, peace on earth

We all been playing those mind games forever
Some kinda druid dudes lifting the veil
Doing the mind guerrilla
Some call it magic, the search for the grail

Love is the answer and you know that for sure
Love is a flower, you got to let it, you got to let it grow

So keep on playing those mind games together
Faith in the future, outta the now
You just can't beat on those mind guerrillas
Absolute elsewhere in the stones of your mind

Yeah we're playing those mind games forever
Projecting our images in space and in time

Yes is the answer and you know that for sure
Yes is surrender, you got to let it, you got to let it go

So keep on playing those mind games together
Doing the ritual dance in the sun
Millions of mind guerrillas
Putting their soul power to the karmic wheel

Keep on playing those mind games forever
Raising the spirit of peace and love
Love...
(I want you to make love, not war, I know you've heard it before)

sábado, 3 de dezembro de 2011

Vivendo no mundo material

Depois de esperar uma eternidade (pelo menos para mim), finalmente assisti as duas partes do documentário Living In The Material World que narra a vida de George Harrison.

As quase quatro horas de imagens, músicas e depoimentos ainda são insuficientes para falar de George Harrison. Martin Scorsese bem que tentou e não creio que seja sua culpa, mas ficou tanta coisa de fora... Discos como o George Harrison (1979) e Cloud 9 (1989) nem foram citados. O seu envolvimento com a mulher de Ringo Starr e o processo de plágio de My Sweet Lord, tampouco. Quase não foi tratada também sua relação com John Lennon. No lugar disso, temos mais da metade do documentário direcionado à sua vida da infância até o fim dos Beatles. Para mim, esse é o grande equívoco. Claro que sua vida nos anos 60 foi muito mais intensa e importante para a música, mas isso já foi discutido e mostrado em grande volume. Eram os 31 anos seguintes, os menos conhecidos, que deveriam receber destaque.

Bom, mas falando do que está lá... Impressionante, fascinante, surpreendente e intrigante. Poderia procurar outras palavras, mas não expressariam o prazer de assistir Living In The Material World. Os depoimentos de Eric Clapton, Olivia Harrison, Ringo Starr e Dhani Harrison deixam uma pista do que foi George. Clapton narra o processo de “roubar” a esposa do amigo e de como ele foi cavalheiro; Olivia conta como foi “avaliada” por George antes de se tornar esposa; Ringo dá o depoimento mais bonito sobre quando o visitou, já no fim da vida, e contou que estaria viajando para Boston para uma cirurgia na filha e George, já bem fraco diz: quer que eu vá com você? (Ringo chora). Por fim, temos Dhani falando como foi crescer com o pai, a imagem dele ainda adolescente tocando guitarra com George no estúdio e depois se abraçando é linda.

As imagens inéditas são um deleite para os olhos dos fãs, principalmente da turnê de 1974 e as filmagens caseiras recebendo pessoas como Bob Dylan, Tom Petty, Roy Orbison e Jeff Lynne, os Traveling Wilburys, a segunda mais importante banda na vida dele.

O documentário termina com uma belíssima imagem de George se filmando no jardim que ele cuidou a vida toda após um belo depoimento de Olivia.

Pronto, acabou! Queria uma terceira parte, mas ela não virá... quem sabe os extras do DVD ajudem um pouco a minimizar a necessidade de ver mais...

Quem tiver interesse em baixar as duas partes do documentário, é só clicar aqui.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A Eternidade de George Harrison

Os Beatles eram uma banda que me fascinava na infância. Para mim, era John Lennon e mais três. Um deles era Paul McCartney, os outros dois eram uns caras que tocavam na banda. Da infância para adolescência, fui lendo algumas coisas e entendendo a importância deles na história mundial.

Com isso, soube quem era quem. Um dia comecei a procurar saber quem cantava o quê. Para minha grande surpresa, as músicas que mais me emocionavam eram as de GEORGE HARRISON! Impressionante, como aquele cara que poucos falavam poderia ser, pelo menos para mim, o melhor? Não sabia naquele momento. Mas hoje eu sei.

Nenhum músico tem uma importância tão grande na minha vida como George Harrison! Ninguém cantou com sua emoção, ninguém tocou o slide com tanta eloquência e ninguém fez tantos solos perfeitos. As suas letras são tão pessoais e universais ao mesmo tempo que, seja de onde for, você se vê nelas. Talvez quem não tenha a ligação que tenho com a música não entenda, os demais saberão.

Na manhã que vi a notícia de sua morte, há 10 anos atrás, parecia que um parente muito próximo havia partido. Chorei bastante naquela quinta-feira e, desde então, entendo e aceito suas palavras “all things must passa, all things must pass away”.

George nunca soube quem eu sou, mas ele sempre será uma das pessoas mais importantes da minha vida pela sua obra e sua maneira de viver. Faço minhas suas palavras “There's a fire that burns away the lies. Manifesting in the spiritual eye. Though you won't understand the way I feel, You conceal, all there is to know. That's the way it goes”. Mas o próprio George disse que ele não era sua obra, ele era outra coisa... Eu não sei o que ele era, só sei o que ele representa.

Para mim, George será eterno, disso tenho certeza. Acho que ele tenha previsto o porquê, quando disse “But unlike summer came and went. Your love is forever. I feel it and my heart knows. That we share it together.

George Harrison é eterno e devemos partilhar isso!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O clássico "do meu tempo"

Existem alguns discos que são tão relevantes que extrapolam o âmbito musical. E há vários que são chamados de clássicos, mas às vezes estamos apenas forçando a barra porque gostamos dele, achamos que são mais importantes do que são ou ganharam adeptos ao longo dos anos.

Poucos discos são ícones de uma geração e nisso acho que os anos 60 são campeões com álbuns dos Beatles (Sgt. Pepper´s e Abbey Road), Bob Dylan (Highway 61 Revisited), The Doors (The Doors), Jimi Hendrix (Eletric Ladyland), Beach Boys (Pet Sounds) e Rolling Stones (Beggar´s Banquet). Nos anos 70 temos o Pink Floyd (The Dark Side Of The Moon), Led Zeppelin (IV), Sex Pistols (Never Mind The Bollocks) e David Bowie (Ziggy Stardust), nos anos 80 é a vez de Michael Jackson (Thriller) e U2 (The Joshua Tree) só para citar alguns. Mas nenhum desses é “do meu tempo”, afinal, nasci no final dos anos 70 e durante os 80 eu era uma criança.

O clássico da minha época é o Nevermind, o disco mais importante dos anos 90 e nem adianta os fãs do U2, Guns’N´Roses ou Pearl Jam reclamarem. No Brasil, chegou quando a geração do rock dos anos 80 estava se perdendo e o axé, pagode e forró eletrônico começavam a se tornar onipresentes.

Lembro que a primeira vez que vi o clip de Smells Like Teen Spirit fiquei impressionado com aquela bateria limpa; a guitarra pesada, mas melodiosa e o vocal agressivo de Kurt Cobain. Não havia, pelo menos para mim, uma referência para aquilo. Até a capa era diferente de tudo, um bebê pelado mergulhado numa piscina. Os meses passam e conheço o belo clip de Come As You Are e depois o escracho de Lithium. Ainda viriam In Bloom e a belíssima Polly. O disco ainda tem Breed, Territorial Pissing, Drain You, Lounge Act, Stay Away, On A Plain, Something In The Way e Endless, Nameless. Eu não tinha dinheiro pra comprar o LP e CD era ainda ficção-científica. Só me restavam às rádios e a MTV.

Nevermind marcou no seu lançamento e nos anos seguintes. A banda nunca conseguiu igualar o feito, mesmo que tentasse com o In Utero que possui bons momentos e se despediu com o fantástico MTV Unplugged In New York. Kurt Cobais se matou, Dave Ghroll montou o Foo Fighters e Krist Novoselic caiu no ostracismo

O Nevermind é meu o clássico contemporâneo. Eu vi ser lançado, ouvi quando ninguém ainda sabia o que seria, e segui pela adolescência e vida adulta. Vez por outra, ainda o escuto e me recordo do meu quarto de pré-adolescente cheio de fotos dos Beatles nas paredes.

Recentemente, adquiri a versão deluxe com bônus e uma embalagem caprichada. Mas a edição em CD que possuo há mais de uma década, ficará guardada como uma recordação. Eu cresci com um clássico, talvez o último. Um clássico do meu tempo e que me acompanhou durante vinte anos.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Eu vi um Beatle em Recife!

Quando me tornei fã dos Beatles lá no final dos anos 80, algumas coisas eu sonhava... sonhava em ter todos os lp´s da banda, conhecer todas as músicas e um dia poder ir a Liverpool. Confesso que assistir algum deles ao vivo nunca foi meu sonho porque era um tipo de sonho que eu nem podia imaginar. Era algo tão distante como surfar no sol.

Isso começou a mudar ano passado depois de assistir a quatro shows de Paul McCartney e o show de Ringo Starr, aliás, o show de Ringo foi a noite mais emocionante da minha vida.

Mas ver um Beatle na minha cidade natal, no lugar onde vivi por 30 anos era algo ainda mais impossível. Quando penso em todas as vezes que ouvi, vi e pensei nos Beatles, todos os encartes, revistas, livros, sites, jornais, documentários, enfim... tudo que vi e ouvi que trata de Ringo Starr, aquela imagem tão presente na minha vida e hoje poder assisti-lo na minha cidade. Não há palavras para descrever.

Eu vi um Beatle em Recife!

Quanto ao show? Quase perfeito, digo “quase” porque eu queria ver mais Ringo, queria que ele cantasse mais! Só! Mas para quem nunca havia sonhado com isso, tive demais!

A platéia deu um show à parte com todas as homenagens feitas a ele. E Ringo retribuiu com simpatia e talento. Atenção e afeto! Diria Paul: "and in the end, the love you take is equal to the love you make".

Valeu Ringo! Foi o melhor presente que recebi em Recife!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Para celebrar Ringo Starr (Top-5)

Ringo Starr é o único baterista de rock´n´roll que possui uma carreira solo consolidada. Isso é fato! Como fã de Beatles desde a infância, me acostumei a ouvir de pessoas com pouco conhecimento ou muito preconceito palavras depreciativas em relação à Ringo. Hoje nem discuto mais, não vale à pena perder o tempo. Qualquer baterista numa banda que possuía John Lennon, George Harrison e Paul McCartney ficaria ofuscado, mas felizmente e devido ao seu talento, isso não aconteceu ao Ringo. Aos 71 anos, apresenta 16 álbuns solos, com hits em primeiro lugar e uma longa lista de pessoas influenciadas por ele.

Mas para que só o conhece pelas músicas dos Beatles, aqui vai um Top – 5 dos seus trabalhos solos!

1 –Ringo (1973)

Considerado por quase todos, o melhor trabalho solo dele e um dos melhores dos ex-Beatles. Ringo mais parece uma coletânea de tantas músicas boas que apresenta. Dois presentes de George Harrison (Photograph e Sunshine Life For Me), um de John Lennon (I’m The Greatest) e um de Paul McCartney (Six O’Clock), além da participação deles tocando e cantando. O disco ainda tem a bela You And Me (Baby), a escrachada You´re Sixteen e a potente Oh My My. Aliás, não tem sequer uma música razoável. Todas são excelentes. Ringo está cantando muito bem e o disco termina com um clima de felicidade nunca visto em outro trabalho pós-1970.

2 – Times Takes Times (1992)

Ringo entra nos anos 90 com um discaço! Depois de quase dez anos sem lançar nenhum álbum, esse á uma aula de rock´n´roll. Lançado em meio ao movimento grunge e o confuso mercado de início da década, não chamou muita atenção do público maior. Mas não conheço fá de Beatles que não adore essa pérola. “Weight Of The World” é, na minha opinião, uma forma de Ringo se despojar do fato de ser um ex-Beatle e “Don’t Go Where The Road Don’t Go” é o Ringo que todos conhecem, só ouvindo pra perceber!

3 – Old Wave (1983)


Não sei o porquê desse disco ser tão raro. Já visitei dezenas de lojas em diversas cidades e nunca vi esse cd para vender! Aqui temos o Ringo tocando jazz, soul, rock, balada... impressionante. Com participação de Eric Clapton, Joe Walsh (ex-Eagles), Gary Brooker (ex-Procol Harum) e John Entwistle (The Who) e composições bem inventivas, Old Wave precisa ser ouvido com muito respeito. Be My Baby, In My Car e I Keep Forgettin´ são tesouros escondidos.

4 – Sentimental Journey (1970)

Se alguém tem alguma dúvida do fantástico artista que é Ringo Starr, escute “Night And Day” para perceber que ele não deve nada Frank Sinatra! Aliás, essa versão é superior a de Sinatra ou de Billie Hollyday. E se alguém duvida da sua capacidade de cantar, é só escutá-lo na música título do disco ou na melhor versão de “Have I Told You Lately That I Love You?”. Seu primeiro álbum solo é também o seu mais audacioso.

5 - Ringo Rama (2003)

Entrando no novo século com o melhor do século passado. Ringo Rama apresenta a comovente homenagem a George Harrison “Never Without You” (que já nasceu como clássico). O disco é praticamente uma grande homenagem ao melhor do rock´n´roll e faz isso com participações de David Gilmour, Eric Clapton, Willie Nelson e mais de uma dezena de excelentes músicos. Os maiores homenageados são os Beatles, referências em letras, efeitos sonoros e harmonias estão presentes em praticamente todas as músicas. Procurá-las á um bônus pra quem escuta.

Observação? menção honrosa precisa ser feita ao excelente Goodnight Vienna (1974), I Wanna Be Santa Claus (1999)(disco só com músicas sobre natal) e The Anthology... So Far (2001) (com sua All-Star Band)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O que eu diria a mim mesmo (se me visse criança)

Na excelente série Life On Mars (na trama um policial volta ao ano de 1973 depois de ser atropelado e não sabe o porquê e nem como voltar), o protagonista encontra-se com a criança que ele foi e troca algumas palavras consigo mesmo. A cena é fantástica! Em outro episódio, ele “conhece” seu amigo e mentor quando esse ainda era um jovem.

E como só preciso de um estopim para fazer a mente viajar, fiquei imaginando como eu encararia essa situação. Como seria voltar no tempo e me ver quando criança. Voltar no tempo e não voltar a ser criança. Acho que criança eu ainda sou, só que com muitas obrigações, responsabilidade e um corpo mais velho. Mas voltar e ver a criança que eu fui, no ambiente em que vivi seria bem interessante. Esse tipo de viagem é impossível ainda, mas na imaginação eu já fiz.

Seria bom ver aquele menino magro de cabelos longos, pernas tortas e óculos maiores que o rosto jogando bola na rua às tardes (eu era péssimo, mas era o dono da bola) e brincando de “se esconder” à noite. Arengando com os meus melhores amigos por causa de um brinquedo (pipa, pião, comandos em ação) ou qualquer outra coisa tão importante.

Poderia me ver “caçando” carteiras de cigarros usadas que acreditávamos, valia alguma coisa; indo ao bairro vizinho escondido dos meus pais porque era “muito longe” e “perigoso” ou pegando um ônibus escondido para ir até o centro de Recife e voltar sem descer. Poderia me ver aprendendo a nadar no mar; vendo o Santa Cruz jogando no Arruda nas noites de quarta ou a minha felicidade quando viajava para a cidade das minhas avós (Pesqueira). Seria bom ver a minha reação ao ouvir pela primeira vez Help! na Rádio Cidade, me tornando um fã dos Beatles

Olharia para os meus amigos da “rua” e da “escola”, quando ainda eram crianças e ainda criávamos os laços de amizades que nos mantém até hoje, mesmo que o tempo pareça nos separar. Veria meus tios e primos tão presentes na minha infância e o tempo que passávamos juntos.

Veria ainda a minha mãe me levando à Mesbla e perguntando qual LP eu queria ter e eu fascinado com a generosidade dela e meu pai me acordando nas manhãs de sábado pra irmos à praia do Janga, quando eu ia morrendo de sono e felicidade. Seria bom ver meus pais mais novos, meus vizinhos conversando nas calçadas, as ruas e apartamentos ainda sem as reformas que deformaram o bairro. Seria bom poder ouvir a minha voz e poder conversar comigo mesmo (sem eu – o outro eu – soubesse).

Seria bom rever tudo isso agora com o olhar dos 33 anos. Poderia dizer tanta coisa pra mim, que eu usaria óculos por algumas décadas; que meu time me daria mais tristeza que alegria; que aquela menina que eu ainda iria conhecer, não valia à pena; que aquele colega seria meu melhor amigo; que aproveitasse mais a infância porque a adolescência seria muito difícil; que eu iria estudar na universidade a matéria que eu mais gostava na escola; que eu iria morar numa cidade que eu ainda nem ouvira falar; que eu realizaria o sonho de uma vida ao ver os Beatles (ou pelo menos metade) tocando ao vivo; que eu amaria um poodle chamado Mike; que eu ganharia uma irmã e sobrinhos lindos; que meu irmão pequeno ficaria mais forte que eu... Enfim, poderia dizer tudo isso, ou não dizer nada, afinal, talvez aquele menino não entendesse... Acho que eu apenas olharia para mim num exercício narcisista e saudoso e voltaria ao presente pra guardar mais uma lembrança.

Afinal, podemos medir nossa vida pelas lembranças...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Só sei que gosto

Gostar não tem explicação, estou convencido disso. Aquela pessoa, aquele lugar, aquele momento, aquele filme... Todo mundo tem algo que gosta e em alguns momentos fica até constrangido de falar sobre isso em público.

Como não fujo a essa regra, eu posso dizer que gosto do RPM e não sei por quê. Talvez o fato de ter sido uma criança nos anos 80 e bombardeado diariamente com imagens, músicas e comentários deles tenha algo a ver. Lembro de brincar com alguns colegas na rua que morava e eu, então com 8 anos e exibindo meus longos cabelos, imitava o Paulo Ricardo, enquanto os demais assumiam os postos de Fernando Deluqui, Luiz Schiavon e Paulo Pagni. Éramos um grande sucesso, pelo menos no nosso mundo!

Mas a infância e os anos 80 passaram e eu tenho em casa um Box com todos os discos da banda, DVD e li sua biografia, Revelações por Minuto de Marcelo Leite de Moraes, 450 páginas de um texto raso e sem coragem. Eu já tinha ficado muito decepcionado com a biografia do Barão Vermelho. Agora fico ainda mais com essa e pelos mesmos motivos. Não entendo como os escritores brasileiros conseguem escrever tão mal sobre os ícones dos anos 80. Qualquer dia eu ainda posto o que achei da biografia dos Titãs, A Vida até parece uma festa de Hérica Marmo e Luiz Adré Alzer. Juntos, esses três livros não precisam ser lidos, posso assegurar.

Já até vi a banda ao vivo no Altas Horas e gostei, fico então ouvindo o disco Quatro Coiotes, aquele último que, aparentemente, ninguém ouviu e ninguém gostou. Mas eu gosto, vai entender as pessoas...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Universidade e Frustração

Cresci numa família em que meu pai era o exemplo do universitário que eu tinha como estereótipo. Cabelos longos, socialista, fã de Raul Seixas e Belchior, que sempre estava lendo algum livro e apresentava uma opinião crítica em relação ao mundo.

Há pouco mais de 15 anos eu ingressava na Universidade. Estava então com 17 anos e cheio de sonhos, esperanças, ansiedades, receios e mais um monte de sentimentos que nos cercam nesse momento. Passava a fazer parte do 1% da população que entrava em um curso superior (pelo menos era isso que dizia o panfleto que alguém do Movimento Estudantil me entregou).

Pensava que estaria entrando num ambiente extremamente atraente. Na minha primeira semana, tudo isso se erodiu... Os meus colegas eram tão perdidos quanto eu e com o “agravante” de ouvirem forró, pagode e axé, pelo menos eu ouvia rock´n´roll. Os socialistas, em sua maioria, falavam mal de tudo e todos, fumando maconha e bebendo cerveja com a mesada dos pais, esse não era meu mundo. Os “não-socialistas” faziam a mesma coisa, mudando apenas o conteúdo de algumas conversas, esse também não era o meu mundo. Havia ainda aqueles que trabalhavam o dia todo e quase sempre falavam de esposas, empregos e prestações, assuntos que eu nem conseguia acompanhar. Confesso que tive dificuldade de encontrar a minha turma. Afinal, eu não queria me casar, ter prestações, me embebedar todos os dias e muito menos fumar maconha e parecia, pelo menos para mim, que eu não poderia ser o universitário que imaginei ser.

Então aproveitei a universidade para namorar e encontrei uma menina que queria o mesmo que eu. Os meus dias não eram regados a discussões filosóficas, música “alternativa” e opiniões sobre tudo, mas longos beijos nas escadas. Com o tempo, descobri as possibilidades de pesquisa e segui esse caminho. A frustração sumiu. Olhando para trás, faria tudo novamente.

Agora vejo a Universidade de oura forma, afinal, trabalho em uma. A frustração que tenho hoje é de ver a grande maioria dos que a fazem, apenas reproduzir o que já foi feito. Vivemos “produzindo” artigos que aliam referencial teórico à experimentação/observação de alguma coisa. Entramos no modelo fordista e, esquizofrenicamente, procuramos atender aos requisitos da Capes e CNPq: produção, produção, produção!

Ainda hoje sonho com o universitário que tinha em casa na minha infância e fico pensando se ele estava apenas na minha imaginação ou se houve um tempo em que a universidade era um lugar melhor para se frequentar.

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